Pato Branco

Contando a história do Sudoeste desde 19 de março de 1986

Marcilei Rossi e Mariana Salles

Era uma quarta-feira, dia de futebol. O Corinthians vencia o Paulista por 3 a 0, o Flamengo o Olaria por 2 a 0 e o Santo André empatava com o Palmeiras por 2 a 2, enquanto a música Eduardo e Mônica, da Legião Urbana, tocava várias vezes nas rádios.
O Brasil vivia um período de esperança. O Regime Militar estava com os dias contados e as pessoas já vivenciavam o renascimento de um estado democrático. Depois de um ano em que a inflação chegou a bater 242%, o Plano Cruzado havia sido lançado há 20 dias pelo presidente José Sarney, parecia ser a ferramenta correta para estabilizar a economia – hoje sabemos que, ao invés disso, acabou esvaziando as prateleiras dos supermercados.
Mas foi nesse contexto da constante busca por dias melhores que, há 35 anos, nasceu a Gazeta do Sudoeste, o semanário que deu origem ao Diário do Sudoeste como conhecemos hoje.
No entanto, não era possível nos comunicarmos com os nossos leitores com a liberdade como fazemos nos dias atuais. Ainda estava em vigor a chamada Lei de Imprensa (Lei nº 5.250/1967), que tinha como objetivo cercear ao máximo a liberdade de expressão.
O fim do período do autoritarismo no Brasil é um dos momentos mais emblemáticos na demonstração do protagonismo da imprensa na construção de uma sociedade capaz exercer juízo para identificar e enfrentar com consciência erros e abusos.
Prevalecendo-se da sua importância, no dia 19 de março de 1986, mesmo dia da estreia das páginas da Gazeta do Sudoeste, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) circulou um anúncio fazendo uma alusão a crise econômica da época e mostrando seu valor. 

Foi por ter acesso aos acontecimentos do mundo através de fontes confiáveis que nasceu a certeza sobre os valores e princípios fundamentais abrigados na Constituição de 1988, incluindo a liberdade de informação jornalística, inserida no rol de direitos fundamentais.
Assim, é garantido pela Constituição que nenhuma lei pode constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística; é vedada qualquer forma de censura de natureza política, ideológica ou artística; e a publicação em forma impressa ou digital independe de licença de autoridade.
No entanto, a Lei de Imprensa só foi revogada totalmente no dia 30 de abril de 2009 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


Registro histórico do Sudoeste
Apesar da importância de todo o contexto nacional da época, foi a regionalização que possibilitou ao Diário do Sudoeste fazer o caminho oposto dos jornais que fecharam as portas nos últimos anos, sem conseguir se adaptar aos meios digitais.
Desde o seu nascimento, como Gazeta do Sudoeste, e depois como Diário do Povo e, por fim, Diário do Sudoeste, o foco principal sempre foi a informação regional.
Essa cobertura é feita por profissionais extremamente capacitados, que entendem sobretudo da realidade do Sudoeste e que sabem da relevância que a região tem para o Paraná. Acima de tudo, são profissionais que estão inseridos na comunidade, ouvindo a população e criando uma relação direta e de confiança com o leitor.

É assim que os últimos 35 anos da nossa região, desde o dia 19 de março de 1986 até a manhã da data em que você está lendo esse texto, estão registrados em nossas páginas, sempre sob a ótica de quem protagonizou a história. Esses registros estão disponíveis, na íntegra, na Biblioteca Municipal de Pato Branco.

Nos últimos anos, além do jornal impresso, as notícias, reportagens, entrevistas, artigos de opinião, entre outros materiais produzidos pelo Diário do Sudoeste, estão disponíveis também na internet, em nosso site e redes sociais, que ganham ainda material exclusivo, como vídeos e lives.  Todos os meses, acumulamos mais de 1 milhão de visualizações de página, com cerca de 300 mil usuários únicos, mais que o triplo da população de Pato Branco. É gente daqui e de todos os lados que busca informação sobre nossa cidade e região.

A população tem direito de ser informada

Registrar a história, principalmente a local, significa preservar, difundir e valorizar as realizações e tradições daqueles que nos fizeram chegar até onde estamos. É uma forma de compreender, entre tantas outras possibilidades, o motivo de sermos o que somos, ou seja, a nossa identidade, que é o que temos de mais nosso, de mais forte e pujante.

E, já que estamos falando de história, desta vez resgatamos a mundial para chamar a atenção para o fato que antecede os períodos autoritários, a descredibilização da imprensa para desconstrução dessa autonomia identitária. Steven Levitsky diz em seu best-seller “Como as democracias morrem”, que um dos primeiros sintomas de falência democrática é o desprezo aos veículos de comunicação e à liberdade de imprensa, colocando-a como inimiga pública, sobretudo quando os jornalistas passam a divulgar resultados insatisfatórios.

Informar é um dever dos agentes de comunicação. E, muito acima da liberdade de informação, está o direito de o povo ser informado. E é assim que, há 35 anos, o Diário do Sudoeste segue forte na sua missão: informar!

Arquivo Diário

Revisitamos nosso arquivo ano a ano, reproduzindo as notícias mais importantes registradas pelos nossos repórteres

1986 – Em 19 de março de 1986 iniciou a circulação da Gazeta do Sudoeste, um semanário impresso que trazia notícias de Pato Branco e 13 outras cidades da região em suas páginas. Sua primeira capa falava sobre o ousado projeto de fazer jornalismo de bairro.

1987 – Um dos assuntos mais comentados na região Sudoeste em 1987 foi a situação financeira da Cooperativa Agropecuária Guarany (Capeg). Celso Hilgert, que presidiu por anos a entidade, disse, na oportunidade, que a cooperativa havia recebido a maior safra de trigo da história e que não se preocupava com seu acúmulo de dívidas. Em 2018, o prédio da Capeg foi a leilão devido a uma execução da Justiça Federal.

1988 – No dia 29 de outubro de 1988, uma tempestade com granizo devastou Pato Branco, Mariópolis, Vitorino, Clevelândia e Itapejara D´Oeste. Algumas pedras de gelo chegaram a ser maiores que um ovo de galinha, causando prejuízos financeiros incalculáveis para empresários, agricultores e moradores em geral. A cidade permaneceu sem luz por alguns dias, e solidariedade da população foi fundamental para o trabalho da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

1989 – Fernando Collor de Mello ganhou as eleições, mas não com a ajuda do Sudoeste. E a população fez questão de deixar isso bem claro, mesmo antes mesmo da denúncia de envolvimento em corrupção e fraudes financeiras, feita pelo próprio irmão, que culminou no assassinato de Paulo César Farias. Foi assim que nasceu o “movimento cara pintada”, que levou ao impeachment de Collor em 1992.

1990 – Ventos de mais de 200 quilômetros por hora varreram Pato Branco em 15 de novembro de 1990, dois anos após a grande chuva de granizo que destruiu parte do Sudoeste. Diversos prédios foram ao chão, as aulas foram paralisadas e novamente a cidade se reergueu contando com a solidariedade de sua população.

1991 – Foi esse ano que Pato Branco registrou seus três primeiros casos de Aids. A doença, que causava um arrastão de mortes pelo mundo afora, ainda era tratada como tabu, já que ninguém sabia ao certo do que se tratava. Hoje a realidade é outra, e é possível que pessoas positivadas pelo vírus HIV vivam normalmente, desde que façam o tratamento correto. No entanto, a campanha de conscientização mais famosa daquela época deve ser reforçada até hoje: Camisinha, tem que usar!

1992 – Em 25 de janeiro de 1992, Alceni Guerra deixou o cargo de ministro da Saúde do governo Collor diante de pressões sofridas pelas inúmeras irregularidades levantadas no seu ministério. Diante da sua renúncia, foi avaliado que ele admitia as acusações de atos de corrupção durante a sua gestão.

1993 – Bom Sucesso do Sul se tornou Município, e o primeiro prefeito foi eleito. Elson Munaretto tomou posse em 1º de janeiro de 1993, com a presença de diversas autoridades.

1994 – Em 27 de janeiro de 1994, Pato Branco ganhou a Casa Familiar Rural de Pato Branco. Em fevereiro chegaram os móveis das salas de aula e alojamentos. Em março, os monitores passaram por capacitação e, em abril, foi aberta aos alunos, quando as atividades tiveram início.

1995 – Neste ano, as obras estavam a todo o vapor em Pato Branco. Terminal rodoviário, Caic e o complexo cultural, incluindo o Teatro Municipal, ganhavam forma. No entanto, a população cobrava a reurbanização da avenida Tupi, o viaduto do Patinho e o contorno Leste, que permaneciam sem verba.

1996 – A Reserva Indígena de Mangueirinha foi inaugurada pelo Governo Estadual em 7 de junho de 1996, com a presença do governador Jaime Lerner. A obra fazia parte de um plano de ação ambiental inovador, que tinha como objetivo preservar a maior área de floresta nativa de Araucária Angustifolia do mundo.

1997 – Foi em 19 de março de 1997 que a Gazeta do Sudoeste passou a se chamar Diário do Povo, com reformulação editorial e gráfica. Foi nessa edição que Carlos Almeida estreou a coluna “Mural”, sempre muito pertinente aos acontecimentos do Sudoeste.

1998 – Pato Branco teve seu “Natal de Luz”, com as ruas ganhando muita luz em ornamentos natalinos e a Casinha do Papai Noel sendo uma das principais atrações. As entidades e empresários da cidade avaliaram com bons olhos a iniciativa da prefeitura.

1999 – A Expopato ganhou sua sétima edição com a realização de grandes show nacionais, como Rick e Renner, Rio Negro e Solimões, Jota Quest e Karametade. A expectativa era recorde de público.

2000 – No fim de junho de 2000, o taxista Sidney Carneiro, de Chopinzinho foi chamado para uma corrida, e levou junto sua filha, Suelen, de 5 anos. Eles foram rendidos em assalto e obrigados a pular da ponte sobre o rio Iguaçu, na BR 373, entre Mangueirinha e Candói. Os dois criminosos foram identificados pela polícia e presos. Cerca de 250 pessoas foram até a porta do 5º SDP e tentaram linchar um dos assaltantes, que foi trazido a Pato Branco — o outro ficou detido em Laranjeiras do Sul, mas foram impedidos pela própria polícia. Pelo crime de latrocínio, ambos ficaram detidos em Cascavel. Também em 2000, no mês de julho, Alceni Guerra entregou sua cadeira na Prefeitura de Pato Branco para ser secretário da Casa Civil, no governo de Jaime Lerner. Assumiu a prefeitura Austério Rigon, seu vice.

2001 – Em 6 de maio de 2001, foi anunciado que Pato Branco receberia voos da empresa de Taxi Aéreo Cruiser, de Curitiba, com voos a R$ 187. A linha aérea também atuava em Francisco Beltrão e Guarapuava. O aeroporto recebeu melhorias para que a linha aérea pudesse operar, e os empresários comemoravam a facilidade do deslocamento.

2002 –  A Unidade Oncológica de Pato Branco foi credenciada para atender pacientes com câncer. Na época, eles estimavam que, de cada 10 pacientes, sete casos poderiam ser resolvidos no Município. Entre as ofertas de tratamentos estavam quimioterapia, cirurgia oncológica, psicologia, nutrição, além de um consultório odontológico para tratar câncer bucal.  

2003 – A edição de 11 de junho de 2003 trouxe, na sua capa, um grave problema social que Pato Branco apresentou naquele período: o vício em álcool transformou trabalhadores em moradores de rua. A Assistência Social já trabalhava para descobrir a família da pessoa e mandá-la de volta para casa ou para conseguir trabalho em instituições. Também ofertava o albergue e encaminhavam para reuniões do Alcoólicos Anônimos (AA).

2004 – Roberto Viganó foi eleito prefeito de Pato Branco pela primeira, tendo Astério Rigon como vice e o apoio do então deputado Augustinho Zucchi. Ele concorreu nas eleições municipais contra Nereu Ceni e Valmir Dala Costa.

2005 – Em 2005, ano em que o  Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Pato Branco se tornou câmpus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em 6 de dezembro o Diário do Povo passou a se chamar Diário do Sudoeste, fortalecendo seu compromisso com a comunidade regional.

2006 – No dia 5 de janeiro de 2006, a Prefeitura anunciou que construiria o banheiro público da Praça Presidente Vargas, assim como uma nova estrutura para o Café da Praça. A intenção inicial era um banheiro subterrâneo com a lanchonete em cima, mas o projeto foi modificado para como o conhecemos hoje.

2007 – Naquele ano, entrou em vigor o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), um conjunto de fundos contábeis formado por recursos dos três níveis da administração pública do Brasil para promover o financiamento da educação básica pública. Houve uma grande preocupação regional que o sistema educacional fosse onerado, uma vez que a abrangência junto ao quadro escolar foi aumentada, mas os repasses de recurso não.

2008 – O mercado europeu embargou a exportação de carne da região devido à febre aftosa. Com a super oferta interna de carne, os pecuaristas tentavam evitar um declínio de preço, que variava de R$ 4 a R$ 11 o quilo para o consumidor final.

2009 – As rodovias que cortam o Sudoeste sempre foram assunto de pauta no Diário do Sudoeste. Intransitável, a rodovia PRT-493, que liga Pato Branco a Dois Vizinhos, foi matéria de várias capas de 2009. Em 4 de setembro, a gerência do DER anunciou um investimento de R$ 9 milhões para sua recuperação.

2010 – No fim de agosto de 2010, dois policiais militares foram assassinados na porta de uma festa de interior, em Honório Serpa. O crime chocou toda a região. O soldado Nelson Predibianca e o sargento Flávio Padilha, que faziam patrulhamento na festa de aniversário da comunidade Nova Teba, interferiram em uma briga que ocorreu no salão, levando os irmãos Julio Cezar e Nelson Ramos para fora do pavilhão. O pai dos rapazes baleou os policiais, que foram socorridos e colocados em viatura, que acabou capotando no caminho de casa hospitalar.

2011 – Um balanço apontou um prognostico nada bom para a saúde pública do Sudoeste. Em 20 anos, 23 hospitais públicos haviam sido fechados em nossa região ou transformados em unidades de saúde. O SUS atrasava o pagamento de procedimentos, que recaiam sobre convênios com municípios. 

2012 – Em 2010, um terremoto devastou o Haiti e obrigou milhares de haitianos a buscarem um outro lugar para viver. No início de 2012, algumas dezenas deles chegaram a Pato Branco, trazidos pela iniciativa privada para atuarem como mão de obra principalmente em avícolas e construtoras. Vários deles trabalharam na construção do Parque Tecnológico, por exemplo.

2013 – Em 2013, o Município estava nas fases finais de conclusão para fazer o tratamento adequado do lixo, que ainda era despejado no lixão. Em 21 de fevereiro, as obras do aterro sanitário estavam 99% concluídas.

2014 –  A Justiça condenou o réu confesso de seis homicídios, Gilmar Reolon, a 150 anos de prisão. Ele assassinou cinco  pessoas de sua família e uma adolescente entre 2009 e 2012, na comunidade de Lajeado Bonito, em Enéas Marques. Reolon ficou escondido por 3 anos em um matagal antes de ser preso, em 11 de janeiro de 2013. Isso gerou um evento no Facebook intitulado “brincar de esconde-esconde com Reolon”.

2015 – Entre 2013 e 2014, o Conselho Tutelar de Pato Branco estimou um aumento de 20% nos casos de violência sexual em Pato Branco, sendo a maioria dos agressores da própria família da vítima. Contra isso, em 19 de maio foi organizada uma manifestação para conscientizar sobre o problema.

2016 – Em 29 de novembro de 2016, o avião que levava a delegação da Chapecoense, incluindo os jogadores, para disputar a final da Copa Sul-Americana caiu em Medellín, na Colômbia, por uma pane seca, e deixou 71 mortos. O mundo todo acompanhou com comoção a tragédia, mas Pato Branco ficou especialmente abalada, já que alguns integrantes da delegação eram da cidade. A reportagem do Diário do Sudoeste esteve presente em Chapecó durante as homenagens póstumas aos mortos.

2017 –  Em 19 de setembro de 2017, Pato Branco acordou com a Polícia Civil batendo à porta em uma operação nomeada de Hígia. Neste dia, foram executados 54 mandados de busca e apreensão; nove pessoas foram presas, incluindo três secretários municipais; 19 armas de fogo foram apreendias, assim como R$ 167 mil.  O pilar da investigação eram fraudes na Saúde.

2018 – Na madrugada de 18 de abril de 2018, o Teatro Municipal Naura Rigon se desfez em cinzas. Um incêndio causado por curto-circuito colocou abaixo seu prédio, deixando a cidade desolada. Uma grande mobilização entre artistas, locais e nacionais, reunia forças para sua reconstrução. Naquele mesmo ano, em 11 de dezembro, o Pato Futsal chegou vitorioso da Liga Nacional de Futsal (LNF), maior campeonato brasileiro da modalidade, sangrando-se entre as melhores equipes do Brasil. A festa na Avenida Tupi reuniu milhares de pessoas.

2019 – Em 10 de janeiro de 2019, um dia chuvoso em Pato Branco, o avião ART – 72-600 da Azul pousou no Aeroporto Municipal Juvenal Cardoso trazendo passageiros de Curitiba. Após, decolou com destino à capital paranaense. Para possibilitar uma linha comercial na cidade, muitas autoridades políticas se mobilizaram. Um verdadeiro marco para a qualidade logística do Sudoeste.

2020 – Em 4 de outubro de 2020, Pato Branco se despediu de um de seus maiores símbolos. Frei Policarpo Berri, além de autoridade importantíssima para a Ordem Franciscana, se tornou uma verdadeira entidade para sua legião de admiradores, que ia muito além da religião.

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