Corpo de frei Policarpo é sepultado na matriz São Pedro

Jéssica Procópio e Marcilei Rossi

Ao som de sirenes de viaturas do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), de sinos e com voos rasantes de aeronaves que jogaram pétalas de rosas na Matriz São Pedro Apóstolo, frei Policarpo foi sepultado na manhã dessa segunda-feira (5)

O religioso que faleceu nas primeiras horas da manhã do domingo (4), aos 96 anos de idade, por causas naturais, foi sepultado na área interna da matriz, próximo a uma das obras que ele tanto admirou e acompanhou sua edificação, o conjunto de peças que forma o mosaico.

Mais de 600 pessoas acompanharam presencialmente a despedida do religioso

A presidente do Conselho Administrativo da Paróquia São Pedro Apóstolo, Leila Zanin, ao anunciar que frei Policarpo não seria sepultado no mausoléu dos frades, construído no pátio, lembrou a atuação do religioso na construção da matriz e a dedicação de sua vida ao trabalho pastoral.

Leila afirmou que “em forma de reconhecimento e de gratidão”, a decisão coube ao conselho e aos freis e foi tomada ainda em 2019, quando o frei teve complicações cardíacas devido à idade.

O pároco frei Alex Sandro Ciarnoski, recordou que as palavras que mais ouviu de Policarpo, “muito obrigado”, ao mesmo tempo em que lembrou que o franciscano é um exemplo de despojamento, assim todos que estiveram acompanhando a última das oito celebrações de corpo presente, puderam levar uma flor para casa.

Outras manifestações

Clube de Aviação sobrevoou a matriz e arremessou pétalas de rosas – Foto: Rodinei Santos

“O frei Policarpo foi um homem, como disse Pedro explicando a respeito de Jesus, que passou pelo mundo fazendo o bem. O seu nome significa que produz frutos, e ele produziu muitos frutos para o reino de Jesus Cristo, frutos para os franciscanos e frutos para esta paróquia São Pedro Apóstolo de Pato Branco. Ele recebeu um prêmio, o único e absoluto que todos nós deveríamos buscá-lo e invejá-lo. Qual é o fruto? A Páscoa, a ressurreição, a eternidade, a imortalidade em Cristo, exatamente no dia em que Cristo ressuscitou, no domingo — dia sagrado para os cristãos. Essa foi a primeira graça e é um sinal de Deus, não é coincidência de que o frei Policarpo ressuscita no primeiro dia, morre no primeiro dia, faz a sua Páscoa no primeiro dia. E o segundo sinal, extraordinário, grandíssimo, de ter podido morrer e descansar na paz, no dia de São Francisco de Assis.” – Dom Edgar Xavier Ertl, bispo da Diocese de Palmas/ Francisco Beltrão

Familiares de frei Policarpo acompanharam cerimônia de despedida

“Para nós, o frei Policarpo é um verdadeiro santo, vemos ele com uma admiração muito grande porque ele também tinha uma muita admiração por nossa família. Estamos feliz por estarmos aqui, tristes pelo falecimento dele, lógico, mas esse é nosso caminho.”- Osmir Berri, sobrinho de frei Policarpo

Corpo de Policarpo foi sepultado na igreja matriz

Para nós freis, ele era um zelo no sentido de calma. Nos momentos de dificuldade, de crise, de provação para nós, a resposta dele era a calma, de deixar o tempo passar, ficar em silêncio e rezar. Parecia que ele estava dormindo, mas estava concentrado em oração. Para mim, fica essa figura do frei Policarpo no coração, de tantas bênçãos, nunca dizia não, ligeirinho como Jesus recomenda mas sempre fazendo o bem.” – Frei Olivo Marafon, pároco da matriz São Francisco de Assis de Chopinzinho

Flores foram entregues ao final da celebração aos fiéis

“Para nós, franciscanos, a morte é bem integrada, como na própria experiência cristã. A morte, para São Francisco de Assis, é a irmã. Ele dizia “seja bem-vinda irmã morte” ao experimentar a sua própria morte, mas também no cântico das criaturas, muito famoso, ele a saúda e agradece a Deus “Louvados sejas o meu Senhor pela irmã morte”. Então, isso faz parte da espiritualidade de todo dia, por isso a morte é a grande festa, o grande encontro, também com Deus, é a plenitude de toda nossa vida e por isso, viver também ganha um sentido muito novo.

Pato Branco está órfã do frei Policarpo, fisicamente. Mas, certamente tem um intercessor junto de Deus, pedindo por todas as nossas necessidades.” – Frei Cesar Külkamp, Ministro Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil


Algumas pessoas acompanharam a missa na praça Presidente Vargas