Pato Branco

Desde o início do ano, Pato Branco registra acumulado de 250,4 milímetros de chuva

A obra da bacia de contenção sem estar finalizada já cumpriu com sua função- Crédito: Marcilei Rossi

De acordo com Simepar as chuvas recentes de 2021 representam a terceira maior precipitação, desde 1998

Júlia Heimerdinger e Marcilei Rossi

Até a segunda-feira (25), Pato Branco registrou a precipitação de 250,4 milímetros de chuva, segundo dados do Simepar. A realidade vivenciada neste mês de janeiro, difere e muito, o que foi visto ao longo de 2020, quando a falta de chuva chegou a preocupar os agricultores no campo, que em alguns casos plantaram no pó e o nível do rio Pato Branco, de onde é coletada a água para abastecer o município, baixou, porém, não a ponto de entrar em situação crítica de fornecimento.

Ainda com previsão de pancadas de chuva até o final do mês, os números recentes de 2021, até o momento representam a terceira maior precipitação, desde 1998, quando o serviço estadual iniciou as medições.

As maiores chuvas para o mês foram registradas em 2011, com 322 milímetros e 2017, quando foi observada a precipitação de 352 milímetros. A média, levando em conta todos os anos de registros do Simepar, é de 182,5 milímetros no mês.

Como a precipitação dos últimos dias não foi concentrada, em grande quantidade e em um curto intervalo de tempo, os registros de alagamento não foram tão acentuados.

Um dos alagamentos registrados nesses últimos dias, foi observado na avenida Tupi, na altura do bairro São Cristóvão, quando no sábado (23), parte da pista ficou encoberta.

Já na região dos bairros Bonatto e Industrial, onde quando ocorre uma grande precipitação, ou até mesmo uma sequência de dias chovendo, o rio Ligeiro vem se mantendo dentro de sua calha normal.

A última vez que o rio subiu e causou danos aos moradores daquela região foi em junho do ano passado, quando a estação do Simepar registrou 60 milímetros de chuva em duas horas e meia.

De lá para cá, o Município até retomou as obras da bacia e de contenção que estava sendo executada. A obra não foi concluída antes do término da gestão passada, contudo, pelo que se observa ao passar pela rua Fernando Ferrari, mesmo sem estar concluída, a estrutura cumpriu com sua função e represou parte da água.

Relato dos moradores

Margarida Vamorbida moradora do bairro São Vicente em Pato Branco relata que está morando há 31 anos na sua casa e já enfrentou três enchentes ao longo desse período.

“A primeira enchente que deu eu perdi tudo dentro de casa, móveis, comida […], documentos, tudo” afirma Margarida.

“A primeira chuva que foi por volta das 17 horas, eu estava sozinha em casa, meu marido tinha consulta e eu não consegui erguer nada, perdi até a documentação, meu filho teve que fazer todas as documentações de novo, desde carteira de motorista”, relembra Margarida.

Nessa enchente a água chegou na altura de 1 metro em meio dentro de casa, junto com lama, lixo e sujeira. A segunda enchente que a família de Margarida presenciou, a água atingiu 80 cm.

Nesse ano de 2021 Margarida conta que não entrou água da chuva na sua residência. Ela acredita que a contenção melhorou muito na questão dos alagamentos. “Eu acho que ajudou, só que o rio [Ligeiro] está muito sujo, é preciso tirar o mato do rio, porque os galhos descem na água e qualquer galho já dá muita sujeira, e jogam muita sujeira nos barrancos”, analisa.

Quando acontece chuva intensa Margarida informa que fica sempre apreensiva, “a gente fica sem chão, não sabe o que fazer, porque não é fácil”, diz finalizando que não tem vontade de se mudar da residência e que gosta muito de morar no bairro.


Nos 31 anos de residência no bairro São Vicente, Margarida já enfrentou três enchentes
Crédito: Júlia Heimerdinger

A dona de casa, Marivete Barbosa de Lima, moradora do bairro Bonatto, que mora próximo da obra da bacia de contenção relatou que a residência dela nunca alagou. “Nunca entrou água dentro da minha casa, mas na casa do meu pai e do meu irmão sempre entrou, e nos vizinhos também”, informa acrescentando que a razão de não entrar água é porque sua casa está situada no alto.

Ela acredita que após as obras da contenção a qualidade de vida dos moradores do bairro melhorou.

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