Pato Branco

Dia das Mães com gostinho de vitória

O Dia das Mães deste ano será diferente, terá um ar especial e será comemorado de uma forma nunca antes imaginada. A pandemia do novo coronavírus trouxe para nossas rotinas o isolamento social, situação que nos ensinou que estar presente e demonstrar gestos de carinho, não necessitam de presença física. 
Após quase dois meses de isolamento, tivemos que aprender novas formas de estar com quem amamos. E, neste domingo (10), não será diferente. Mães e filhos, de todo o mundo, precisarão passar por uma das datas mais esperadas do ano distantes. E, neste caso, estar longe será um ato de amor, carinho, cuidado e, mais do que nunca, de segurança. 
Para homenagear todas as mamães de plantão, o Diário do Sudoeste trouxe para esta edição, a história de Thacieli Kilpp, a mãe do Joaquim, do Pedro e do Benjamim, que aos sete dias de vida foi diagnosticado com Covid-19.
Foi em uma conversa descontraída por vídeo chamada, em um ambiente familiar que já viveu a quarentena e agora segue no isolamento domiciliar, com algumas interrupções dos filhos que procuravam a mamãe ora para brincar, ora para mamar, que conseguimos entender como Thacieli lidou com o pós-parto em um momento em que, para estar seguro e proteger o próximo, era necessário o confinamento. Pois, além do filho recém-nascido, Thacieli e seu esposo também positivaram para Covid-19.

O coronavírus na família 
Quando Pato Branco optou por iniciar a quarentena, Thacieli que já estava de 35 semanas, passou, imediatamente, a trabalhar em home office — assim como outras pessoas que pertencem ao grupo de risco da doença, como diabéticos, hipertensos, asmáticos e idosos.
Dois dias depois de iniciar o isolamento [18 de março], o coronavírus deu as caras na casa da família, quando Márcio, pai de Benjamim, apresentou sintomas de uma gripe aparentemente mais forte que o normal. Ao procurar atendimento médico, Márcio foi inicialmente diagnosticado com Influenza H1N1. 
Segundo Thacieli, o esposo ficou por cerca de uma semana com febre, dor nas costas, tosse, dor de cabeça e mal-estar. Até então o casal não acreditava estar com coronavírus, pois, conforme Thacieli, além de não ser uma gripe tão forte, o diagnóstico não era para de coronavírus. Alguns dias depois, foi a vez da mãe contrair o vírus. Segundo ela, seus sintomas, coriza e dor de garanta, eram muito leves e não duraram três dias. 
A prudência do casal em optar por seguir as medidas de isolamento social, foi crucial para que não transmitissem a doença, que ainda nem sabiam que tinham. “Dispensamos a nossa tata porque, devido as medidas de isolamento, ela não poderia estar conosco e, na sequência, já permanecemos em casa. Só saíamos para fazer a consulta do pré-natal e ir ao supermercado, que quem estava indo era o meu esposo. Nós estávamos saindo pouquíssimas vezes”, relatou. 
Além dos cuidados, o casal já havia programado um parto domiciliar, o que reduziu ainda mais as chances de transmissão da doença, pois, tiveram contato com a família apenas a equipe obstétrica, a doula e a fotógrafa que registrou todo o parto. Todas eles realizam o teste para coronavírus, porém, nenhum positivou. 
“Nasceu o Benjamim e nós entramos em contato com o nosso pediatra, que é de Guarapuava. Ele disse que gostaria de vê-lo no próximo dia útil, que seria na quarta-feira (8 de abril). Nós fomos para lá, consultamos, e em uma conversa informal o meu esposo citou para ele que teve uns sintomas parecidos e que na visão dele, já tinha pego o Covid, falou brincando com o doutor, que ao ouvir isso solicitou o teste rápido.” 
Além do pai, toda a família fez o teste, do qual, Márcio, Thacieli e Benjamim positivaram para coronavírus. Mesmo com exame mais aprofundado, os dois filhos de 2 e 5 anos não apresentaram nenhuma presença de Covid-19.  

Amor de mãe 
Segundo Thacieli, a primeira preocupação dos pais ao saber do resultado foi sobre o atendimento hospitalar caso o filho viesse a precisar. “Me veio na cabeça: ‘meu Deus, Pato Branco tem respirador para criança? Será que vou ter que levar ele para a UTI? Será que ele vai precisar usar respirador? Será que ele vai ficar isolado? Será que ele vai sobreviver ao Covid-19?’. Foram muitas incertezas e muito medo.”
 “Até o meu resultado positivo não foi tão assustador quanto o resultado do Benjamim. Eu acho que depois que você é mãe, você não pensa mais em você. Você pensa nos teus filhos.” 
A mãe comenta que, a notícia a abalou muito, pois, segundo ela, quando se é mãe de um recém-nascido, passa pelo corpo da mulher uma imensidão de novos sentimentos, como por exemplo, a vivência do pós-parto, a presença do leite materno e a chegada de uma criança. “Você já está com uma situação psicológica abalada, e ai é surpreendido por uma situação como essa, fica mais abalada ainda.” 

Benjamim e o vírus 
Benjamim ficou assintomático, ou seja, não apresentou nenhum sintoma da doença. Ele foi diagnosticado aos sete dias de vida com coronavírus e é o paciente mais novo que contraiu a doença no Paraná, e está totalmente curado, segundo informações da Secretaria da Saúde do Estado do Paraná (Sesa). 
Ainda de acordo com a Sesa, no Estado são mais três pacientes com menos de um ano, que contraíram a doença, e já estão curados.

Desafios do isolamento 
Após sair o resultado positivo para Covid-19, toda a família passou a viver em isolamento domiciliar, sem nenhum tipo de contato físico com o meio externo. “O pessoal [vizinhos do prédio e amigos] nos deu o maior apoio. Nós moramos em um prédio residencial, então deixávamos o lixo na porta e uma vizinha levava lá embaixo, assim como pegava compras do supermercado e farmácia e deixava na porta, e assim sucessivamente com o passar dos dias.”
A mãe de Benjamim conta que para lidar com o fato de ter duas crianças que estavam sem ir à escola, sem encontrar os amigos e sem poder sair na rua, com um bebê recém-nascido com coronavírus, com o pós-parto, com a rotina da casa, ela fazia apenas o que era necessário e dava total atenção para os filhos. “Quando você é mãe de um tem mais tempo. Quando é mãe de três, você tem que distribuir. Então quando dorme um, você dá atenção para outro, quando dorme o outro, você dá atenção paro o outro e assim sucessivamente”, conta.  
Ela orienta a todos que a doença existe e que não está de brincadeira, e que, quem tem a possibilidade de ficar em casa, deve optar por isso, e quem precisar sair, deve tomar os cuidados necessários. 
“Quem precisa ficar em casa, não adianta estressar. Faz uma coisa por vez e deixa que os dias vão passando porque não adianta querermos abraçar o mundo. É necessário um dia por vez. Viva um dia por vez, faça uma coisa por vez e assim segue o fluxo até que as coisas voltem ao normal, se é que vão voltar ao normal um dia.” 

 Na quinta-feira (7) Benjamim completou um mês de vida 

Conhecendo Benjamim 
Como nenhum membro da família, amigos e vizinhos podem ter contato com Benjamim, a família utiliza redes sociais para se comunicar com quem quer, mesmo que de longe, conhecer o pequeno. Segundo a mãe, fotos e vídeos fazem parte da rotina diária do casal, que abastece os grupos da família e amigos com imagens do recém-nascido. “É uma nova forma de adaptação. Eu acho que de repente estamos até mais próximos de algumas pessoas que estavam distantes nesse momento.”

Dia das mães especial
Para Thacieli, os dias em casa com a família serviam para mostrar o quanto é importante os laços familiares e como a rotina do dia-a-dia vai afastando as pessoas. “Acabamos percebendo coisas que não víamos e passamos a valorizar muitas coisas. Vai ser um dia das mães intenso e só de gratidão a Deus, aos amigos, pela vitória que nós tivemos com essa doença.” 
A mãe do Benjamim aproveitou a oportunidade para desejar um feliz Dia das Mães a todas mães e, em especial as avós de seus filhos. Emocionada, Thacieli pediu as avós que tenham calma, pois, segundo ela, aos poucos as coisas voltam ao normal. 

 


Benjamim e seus irmãos Joaquim com cinco anos de idade e Pedro com dois anos

 

 

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