Pato Branco

Educação se manifesta sobre acusações em rede social

Na quarta-feira (19) uma postagem referindo-se à Educação Municipal de Pato Branco circulou em rede social, surpreendendo a maioria da população. Na postagem, que se referia a uma atividade dirigida aos alunos da pré-escola através da aula online, professores e a equipe da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) foram ofendidos publicamente e tiveram o valor do trabalho como educadores questionado.

A atividade citada na postagem como sendo inapropriada para a faixa etária dos alunos referia-se a uma parlenda [texto curto com rimas], recurso muito utilizado para auxiliar no processo de alfabetização por ser de fácil memorização.

As parlendas, segundo a secretária de Educação e Cultura, Heloí Aparecida De Carli, faz parte das manifestações culturais de um povo. “Muitas das pessoas que se solidarizaram com os professores da rede municipal de ensino afirmaram ter pulado corda, cantando essa mesma quadrinha seguida pelas letras do alfabeto, sem malícia alguma”, destacou a secretária em nota oficial sobre o caso.

A postagem enfatizou que a parlenda utilizada pela SMEC estimulava inapropriadamente as crianças em relação ao namoro por conter a rima ‘suco gelado, cabelo arrepiado, qual é a letra do seu namorado?’. No texto ainda foram utilizadas palavras de baixo calão ao se referir aos professores.

Esclarecimento

Em resposta à postagem em rede social, a secretária Heloí Aparecida De Carli emitiu uma nota oficial, esclarecendo a situação e reafirmando o trabalho de excelência que os educadores municipais vêm realizando ao longo dos oito anos em que ela tem estado à frente da pasta.

“O valor de uma vida profissional é enlameado sem a menor reflexão sobre o fundamento da crítica que se expõe. Nestes oito anos de trabalho frente a Rede Municipal de Educação de Pato Branco, o que mais me decepcionou foi a postura de algumas pessoas [poucas], mas que subtraíram muito tempo precioso e energia, necessários para investir em formas de melhor educar as crianças das escolas municipais, gastos na defesa de acusações sem fulcro algum, em cujas entrelinhas era perceptível o perfil e a intenção de quem exigia o feito”, afirmou.

Na nota, Heloí prosseguiu dizendo que foi engolindo calada a indignação, até o dia 19 de agosto, essa quarta-feira, em que críticas mordazes envolveram, além da sua pessoa, os profissionais que se dedicam à educação pública municipal. “Insultos com palavras de baixo calão, bem à altura de quem as proferiu e de quem engrossou fileiras de concordância nas redes sociais”.

Busca de informação

A secretária enfatizou ainda que se essas pessoas que dispararam a crítica tivessem buscado explicações sobre o significado do pequeno texto rimado – e que vem sendo repetido em brincadeiras infantis há muitas décadas – em qualquer uma das escolas municipais ou até mesmo na SMEC, certamente o desfecho da situação teria sido outro.

“Mas fica a lição: pessoas mal formadas deixam rastros de destruição por onde passam. Urge fortalecer na Escola os valores morais de solidariedade, de empatia, de respeito à dignidade do outro, competências que estão faltando nos tempos atuais. Realmente, se os professores estão sendo chamados de lixo, é preocupante, pois quem os rotula está mostrando os próprios valores, enquanto tenta diminuir socialmente a imagem profissional de quem um dia os ensinou, em vão”, frisou.

Solidariedade

Heloí encerrou a nota enfatizando sua solidariedade aos colegas professores da Rede Municipal de Educação de Pato Branco. “Neste momento em que todos fomos alvo de injúrias, conforta saber que o aplauso de que todos e cada um realmente necessita é o da própria consciência, do dever cumprido, traduzido em resultados de aprendizagem, o que fará a diferença nos projetos de vida das crianças de hoje, para não serem adultos sem ética amanhã”.

Apesar das aulas online, escolas estão abertas para esclarecer dúvidas e fornecer materiais

O momento histórico de enfrentamento de uma pandemia vivido este ano exigiu do sistema educacional medidas extremas para manter o ensino dos alunos e obrigou que professores e estudantes se adaptassem a um novo conceito de ensino de forma rápida, sem tempo para que pudessem se preparar para isso.

Desde março, tanto a rede municipal quanto estadual vem tentando suprir as necessidades de aprendizagem dos alunos da melhor maneira possível, dentro das limitações que a forma online apresenta, para que os estudantes tenham acesso ao conteúdo relacionado às suas respectivas séries.

Em nível estadual, cogita-se o retorno das aulas presenciais a curto prazo, porém até que elas não voltem, professores e alunos continuarão fazendo o melhor que podem através da plataforma digital.

Alterou a dinâmica do processo

A coordenadora pedagógica da SMEC, Glaer Gewehr, explicou que a pandemia do novo coronavírus alterou a dinâmica do processo de ensino e aprendizagem, o qual precisou se transformar para estar nesse contexto. Segundo ela, as formas habituais precisaram ser revistas. O planejamento pedagógico precisou ser modificado.

“Desde o dia 20 de março houve a suspensão das aulas presenciais e já na semana seguinte planejamos atividades para que os alunos realizassem em casa. Acreditávamos que isso seria passageiro, mas não foi! Então buscamos alternativas para envolver, motivar e propiciar o desenvolvimento de nossas crianças”, contou.

Preparação das aulas

Glaer revelou que há uma equipe de tutores responsáveis por acompanhar semanalmente os planejamentos dos professores, analisar e depois selecionar as atividades, tendo como referência os Objetos de Conhecimento e Conteúdos específicos da Proposta Pedagógica Curricular – Base Nacional Curricular Comum – BNCC, para compor um planejamento unificado da rede.

Essas atividades são inseridas semanalmente no portal do município, no endereço http://atividadesemcasa.com.br/. “Os pais que têm acesso a internet podem buscar as atividades no portal. Os demais retiram os materiais impressos nas escolas. Como a profissão de professor envolve muita relação interpessoal e acolhimento, cada escola e professor encontrou uma forma e metodologia de estar próximo das crianças, utilizam muito os grupos de whatsapp para conversar com os alunos, explicar as dúvidas, ouvir os pais”, destacou.

Acompanhamento da aprendizagem

A coordenadora pedagógica enfatizou ainda que a escola está funcionando normalmente, e diretores, coordenadores pedagógicos e os professores fazem escala de trabalho presencial para atender aos pais nas dúvidas, entregar e receber materiais.

“O acompanhamento é feito a partir de devolutivas das atividades, onde os professores anotam as evoluções das crianças. Os dados coletados no decorrer da realização das atividades auxiliam o professor a acompanhar, mesmo que a distância, o desempenho de cada aluno e a intervir quando a mediação se faz necessária”, frisou.

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