Pato Branco

Entidades levam caso do Lar dos Idosos ao Ministério Público

Caso da transferência do terreno do Lar dos Idosos de Pato Branco foi levado ao Ministério Público – Foto: Reprodução

Na tarde de quarta-feira (7), entidades protocolaram junto ao Ministério Público documento sugerindo averiguação no caso da transferência do terreno do Lar dos Idosos de Pato Branco para o Conselho Metropolitano de Maringá (CMM) e a Sociedade São Vicente de Paulo.

O documento foi encaminhado à promotora Silvana Cardoso Loureiro e assinado em parceria pelo Instituto Regional de Desenvolvimento Econômico e Social (Irdes), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Grupo de Amigos da Mama Gama e Clubes de Rotary de Pato Branco – Cristo Rei– Vila Nova, Amizade, Araucária, Guarani, Sul e Alvorecer, com o apoio da União das Associações de Bairros.

Segundo as entidades, no documento consta o relato de fatos que culminaram com a transferência do terreno, e levanta questionamentos quanto a capacidade do Lar dos Idosos de Pato Branco terem lastro patrimonial para manter compromissos sociais e assumir eventuais passivos, já que o terreno compõe o patrimônio de outra entidade, com a qual não possui vínculo financeiro e administrativo oficial, sendo, inclusive, de fora da cidade.

Descontentamento

O caso foi estudado pelos advogados João Paulo Frai e Luana Varaschin Perin. “Há um claro descontentamento da sociedade que edificou e ajudou a manter o Lar dos Idosos e esperava algo diferente por parte do grupo que o administra”, detalhou o advogado rotariano João Paulo Frai.

Segundo ele, o ideal seria que independente do aspecto jurídico, houvesse a devolução do imóvel ao seu CNPJ original. Para o advogado, seria de bom tom que a entidade, prioritariamente, ampliasse seu quadro social, com pato-branquenses e, diante disso, conseguisse fazer valer expectativas de seus históricos gestores que, publicamente, manifestaram clara discordância com o procedimento adotado pelo Conselho Metropolitano de Maringá.

“Lembro que o Lar dos Idosos recebe recursos públicos e doações comunitárias e, diante disso, tem um compromisso moral e também legal de adotar posicionamentos que primem pelo objetivo prioritário de acolher e proteger, continuamente, os idosos o que foi a causa geradora da doação do terreno e de toda uma mobilização comunitária de ajuda na edificação e manutenção daquela estrutura”, destacou.

Desejo comunitário

O líder empresarial e vice-presidente da Fiep, Cláudio Petrycoski, pede ao Conselho Metropolitano e aos Vicentinos que acolham o desejo comunitário.

“Esperamos algo mais da gestão do Conselho Metropolitano de Maringá que parece pouco interativa e aberta a atender os desejos de nossas entidades e da comunidade. A expectativa é de que as autoridades responsáveis entendam o contexto e o risco de não serem tomadas as atitudes em tempo hábil. Morosidade de atitudes geram, também, consequências, e há uma grande expectativa quanto ao desenrolar deste caso”, frisou

Ressentimento

O presidente da Comissão Rotaria Cidade Amiga do Idoso, Valmir Dallacosta, que se envolveu na iniciativa, contou que seu pai e muita gente antiga de Pato Branco está ressentida com os fatos.

“Se houver bom senso e entendimento de que o Lar dos Idosos sobrevive a partir de um íntimo relacionamento com a sociedade, o Conselho Metropolitano de Maringá repensaria o que fez e voltaria atrás. Há uma frustração muito grande com o ocorrido e a postura deveria ser, sim, repensada”, enfatizou.

Já a presidente da União das Associações de Bairros, Marilene Colla, comentou que entende que a entidade é de alta relevância para Pato Branco e espera que haja uma reflexão do Conselho Metropolitano de Maringá em devolver o imóvel.

Marcelo Dalle Teze, presidente do Irdes, manteve um diálogo informal com uma integrante dos vicentinos. Ele contou que há certa abertura e gente disposta a assumir a nova diretoria da entidade. Mas essa nova diretoria não compartilha a preocupação da comunidade pato-branquense de se ter um Lar dos Idosos que, por não ter a própria sede, fica à mercê de forças externas, que nem sempre tem o Lar como principal interesse.

“Não estamos aqui para acusar e julgar, mas apenas para pedir que haja um entendimento. Se não for possível devolver o terreno, que o Conselho Metropolitano de Maringá e os Vicentinos lavrem um documento público assumindo de forma inteira e solidária a responsabilidade legal sobre a manutenção das atividades, qualidade dos serviços, inclusive cobertura financeira das demandas da entidade, inclusive eventuais passivos que o Lar dos Idosos de Pato Branco possa a ter. E, no mesmo documento, venham, dentro de alinhamentos com o jurídico da Comissão, a se comprometer a devolver o imóvel ao município, para mesma finalidade, em caso de encerramento das atividades. Tudo isso, claro, num alinhamento com Ministério Público e membros da comissão”, ressaltou. O ideal, segundo Marcelo, é que o imóvel volte ao CNPJ original.

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