Estudo da UTFPR identifica planta que pode combater células cancerígenas

Um estudo desenvolvido por professores e estudantes da UTFPR, campus Pato Branco, em conjunto com pesquisadores de outras universidades, demonstrou o potencial de substâncias encontradas na planta cará-moela no combate a células cancerígenas.

O estudo foi desenvolvido “in vitro”, ou seja fora de um organismo vivo, usando células tumorais isoladas do tipo Raji e Jurkat, que causam leucemia.

O cará-moela é uma das Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) pesquisadas por um grupo de estudos da universidade. De origem asiática e africana, mas naturalizada no Brasil, a planta é um tubérculo que pode ser utilizado como alimento, ainda que não seja cultivada em escala comercial, um dos motivos que a classificam como uma Panc.

Extrato do cará-moela demonstrou potencial no combate a células que causam leucemia
(Foto: Arquivo/Helmuth Kühl)

De acordo com informações da universidade, vários estudos já revelam que substâncias encontradas na cará-moela possuem características antimicrobiana, analgésica, anti-inflamatória, anti-hiperglicêmica, anti-hiperlipidêmica, antioxidante e mesmo anticancerígena.

“Apesar de existirem diversas pesquisas com plantas com potencial antitumoral, existem poucos relatos na literatura científica apresentando frações do extrato bruto ou isolamento e identificação das substâncias responsáveis por essa ação”, explica o professor Edimir Andrade Pereira, do departamento de Química do Campus Pato Branco., um dos envolvidos no estudo.

Pesquisa

De acordo com a professora e líder do grupo de pesquisa, Sirlei Dias Teixeira, a pesquisa começou a partir do interesse em investigar as propriedades químicas do cará-moela.

“É como buscar uma agulha num palheiro. Você começa fazendo o extrato deste tubérculo. No primeiro trabalho foi feito o fracionamento, purificação, testes de atividade antioxidante, testes microbiológicos, que foram dando resultados positivos”, comenta a professora sobre etapas do processo, que já envolveu o trabalho de três estudantes do mestrado em Processos Químicos e Bioquímicos da UTFPR ao longo de aproximadamente seis anos.

Frações do extrato do cará-moela. Trabalho já envolveu seis anos de pesquisas
(Foto: Arquivo pessoal de Beatriz Godoy)

Uma das estudantes é Beatriz Godoy Martins Moreira, que em linhas gerais se dedicou a extrair e purificar um dos extratos que se mostraram mais promissores para uso terapêutico: o n-butanólico.

No laboratório, Beatriz obteve porções ainda mais purificadas deste extrato, que foram encaminhadas a outras universidades para testar a substância no combate as células tumorais e também a sua toxicidade, ou seja, o seu possível impacto nocivo a células saudáveis. E os testes mostraram que as substâncias são muito pouco tóxicas para o organismo.

“Então é como se você tivesse a possibilidade de uma droga, de um metabólico, de uma substância, que trata o câncer, e que não ataca o rim”, explica Sirlei, a respeito do possível uso da substância no tratamento da doença.

Etapas

Na prática, o extrato do cará-moela impediu a proliferação das células cancerígenas usadas nos testes de laboratório. “Nós escolhemos as células renais para ver a agressão que esses extratos teriam nas células sadias. As vezes as pessoas desistem do tratamento contra o câncer porque tem efeitos colaterais. E a grande vantagem desse estudo foi descobrir em uma planta a capacidade de atacar as células cancerígenas e não atacar as células sadias”, completa o professor Edimir.

Porém, ainda existe um longo caminho até que a substância possa ser transformada em medicamento. Os próximos passos envolveriam, por exemplo, obter e testar as substâncias puras, além de patentes e publicações. Uma das últimas etapas é o teste em seres vivos. “Dando positivo, aí se pode pensar na formulação de medicamentos”, diz o professor.

Além de Sirlei, Edimir e Beatriz, também participam do estudo Aline Savi e Jéssica Stadniki, egressas do mestrado em Processos Químicos e Bioquímicos da UTFPR; os professores do departamento acadêmico de Ciências Agrárias (DAGRO), Giovana Faneco Pereira e Thiago de Oliveira Vargas; o professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR – Cascavel), Rodrigo Hinojosa Valdez; Karina Miyuki Retamiro, da Universidade Estadual de Maringá (UEM); Vidiany Aparecida Queiroz Santos, do Centro Universitário de Pato Branco (UNIDEP); Gilberto Carlos Franchi Junior, da Universidade de Campinas (UNICAMP); Maria Sol Brasseco e Lydia Fumiko Yamaguchi, da Universidade de São Paulo (USP).

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