Pato Branco

Garrafas pets são encontradas em rio de Pato Branco

No fim de semana em que a Política Nacional de Resíduos Sólidos completou dez anos de vigência no país, representando um marco na gestão do descarte desses materiais, Pato Branco se deparou com uma cena deprimente, de agressão ao meio ambiente.

O fotógrafo Rodinei Santos registrou imagens de uma parte do rio Ligeiro, fora do perímetro urbano, com muitas garrafas pets em meio a natureza, que lembrou um depósito de plástico a céu aberto.

A pergunta que a população se fez foi ‘quem colocou esse lixo naquele local?’. No entanto, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Antonio Cezar Soares, o lixo registrado pelo fotógrafo é o acumulo de garrafas que provavelmente foram jogadas pela população nos passeios e vias públicas, além de lotes baldios, e que com a incidência de chuvas acabaram indo para as galerias de águas pluviais, descendo pelo rio. “Com as enchentes, as garrafas acabaram ocupando essas áreas adjacentes”, frisou.

Soares revelou que o Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) está mobilizando uma ação de educação ambiental, com um mutirão de trabalho para recolhimento do material, com apoio de uma equipe e caminhões da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

A engenheira ambiental e presidente do CMMA, Keli Starck, disse que a situação identificada no rio Ligeiro é lamentável e evidencia que o descarte inadequado de resíduos é um problema que precisa ser combatido. “Para isso, o primeiro passo é ter consciência de que atitudes individuais afetam o meio ambiente e o bem-estar geral da população”, enfatizou.

Segundo Keli, a busca de soluções para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos é um grande desafio, que precisa contar com a sensibilização e engajamento de toda a sociedade. “Somente com a mudança de hábitos será possível construir um mundo melhor e sustentável”, destacou.

Irdes

O Instituto Regional de Desenvolvimento Econômico e Social (Irdes) está apoiando o movimento de educação ambiental do Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) e já mobilizou vários voluntários para participar da ação de recolhimento dos resíduos, que deve ocorrer nos próximos dias.

Fotografia

O fotógrafo Rodinei Santos explicou que tem trabalhado em um projeto onde está fazendo um registro fotográfico de todas as cachoeiras de Pato Branco, com o intuito de resgatar a beleza da natureza do município. O trabalho envolve as secretarias municipais de Meio Ambiente, e Agricultura, além do Departamento de Comunicação.

Ele contou que ficou sabendo da existência de uma cachoeira no rio Ligeiro e foi fotografá-la. No entanto, não imaginava que durante o trajeto encontraria essa grande quantidade de garrafas plásticas às margens de um rio. “Um cenário de tristeza e descaso total com a natureza. Uma pena”, ressaltou.

Política Nacional

Sobre os dez anos da Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010, que implantou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Keli Starck explicou que ela foi criada com a prerrogativa de mudar o cenário da destinação dos resíduos sólidos, impondo o desafio de envolver toda a sociedade na busca de alternativas que possibilitassem a mudança de hábitos.
Ela revelou que a crescente preocupação da sociedade brasileira com a preservação ambiental estabelece desafios aos gestores públicos e à sociedade como um todo, e a PNRS veio ao encontro dessa preocupação ao estabelecer as bases para o desenvolvimento sustentável. Isso porque propõe que os resíduos sólidos passem de problema para geradores de benefícios econômicos, através da criação de empregos, inserção social através da reciclagem, estímulo à adoção de melhorias ambientais e disseminação da necessidade de um consumo consciente.

“Nesses dez anos de PNRS pode-se afirmar que houve avanços, mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido. Muitos municípios brasileiros ainda não possuem a destinação final ambientalmente adequada. Pato Branco possui essa destinação correta desde 2014, com a implantação do Aterro Sanitário Municipal. Acerca dos resíduos, também soma-se a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento Básico, que deve suprir grandes lacunas relacionadas ao gerenciamento de resíduos sólidos”, enfatizou.

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