Agropecuária

O campo fértil para a tecnologia

Nessa semana o município de Pato Branco foi nomeado como a Capital Tecnológica e Inovadora do Paraná, através da Lei nº 20.363, de 27.10.2020, sancionada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, em virtude de ações voltadas ao setor de tecnologia e inovação, desenvolvidas em parceria com entidades e a iniciativa privada.

Na oportunidade, o secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Vinícius De Bortolli, revelou que há mais de 100 empresas de base tecnológica no município, que empregam mais de 3 mil pessoas, e faturam mais de 500 milhões por ano.

Salientou ainda que é preciso ampliar a base do Parque Tecnológico de Pato Branco, que já está lotado, e a procura tem aumentado no último ano, apesar da crise. Há um projeto para se construir mais 7.500 m2 para abrigar novas iniciativas.

Por ser polo tecnológico, o município conta com leis de incentivo que fomentam e permitem o investimento na incubação de empresas. Para participar do processo de incubação, a proponente deve ficar atenta ao edital público e protocolar o projeto, que vai para análise técnica. Se aprovado, passa pela comissão técnica também para aprovação. Então segue para a banca pública, contratação, incubação por dois anos com avaliação periódica e, por fim, pela análise se há mercado ou se é inviável.

Edetec


A tecnologia tem ajudado no processo de movimentação de grãos, garantindo mais qualidade e lucratividade – Foto: AEN

A Edetec Sistemas Eletrônicos e Automação é uma das empresas que está na segunda fase de incubação no Parque Tecnológico. Ederli da Silva explicou que a empresa está inserida no setor de agronegócio, cujo público-alvo são silos, secadores, cooperativas. “Trabalhamos com automação para movimentação de grãos. A empresa foi criada em 2009, como prestadora de serviços de manutenção na área elétrica para silos e secadores. Quando começamos a fazer a prestação de servidos começamos a ver as dificuldades que existia na parte de movimentação de grãos e o desperdício que havia no processo, gerando prejuízos”, contou.

Segundo Silva, diante dessa situação a empresa começou a desenvolver produtos que viessem a somar no final do processo de movimentação de grãos, como inversores que reduzem a velocidade das correias, reduzindo a quebra de grãos, e o monitoramento online, de como está a situação do grão dentro do silo quando armazenado.

“No entanto, era apenas uma ideia. A gente não tinha amparo para começar a produzir. A empresa foi indo, fomos conversando com as pessoas, até que surgiu a oportunidade do Parque Tecnológico, em Pato Branco. Apresentamos as ideias para a banca, que analisou se o processo era viável ou não para entrar no Parque Tecnológico. Diante da situação fomos convidados a fazer parte e começamos a desenvolver nosso produto”, revelou.

Divulgação da marca

Silva ressaltou que o Parque Tecnológico teve uma função muito importante no processo, porque acabou divulgando a marca e possibilitando a participação na primeira edição da Inventum, o que fez com que a empresa crescesse. “Porque na Inventum veio pessoas do Brasil inteiro para Pato Branco, que conheceram os nossos produtos, fazendo a empresa deslanchar. Atualmente atendemos o mercado nacional do agronegócio, na movimentação de grãos. Inclusive hoje (quinta-feira, 29) estamos no Mato Grosso fazendo negócios e a tendência é só crescer”, frisou.

Desafios

Uma das maiores dificuldades encontradas no início, segundo Silva, é a financeira. “Não tínhamos recursos para investir, só tínhamos a ideia, e faltava capital para fazê-la crescer. Outra dificuldade encontrada no começo foi fazer o produto produzido na garagem de casa chegar ao mercado, porque assim é muito difícil de as pessoas acreditarem no produto”, salientou.

Porém, conforme Silva, quando se passa a fazer parte da incubadora do Parque Tecnológico o produto passa a ter outro respaldo perante o mercado. “Nosso produto deixou de ser um produto de fundo de garagem e passou a fazer parte de um Parque Tecnológico, visto com outros olhos pelo mercado. Isso foi facilitando para que a empresa conseguisse vender o produto, atualmente, no cenário do agronegócio”, destacou.

Qualidade

Silva comentou ainda que hoje o agronegócio é um setor que consome muita tecnologia, desde o plantio, a colheita, até a armazenagem, que é o seu setor.

“Tudo que se produzir de tecnologia voltada para isso, que vá gerar lucro no final do processo, é bem aceita no mercado. Nossos produtos são para a parte final do processo, armazenagem e processamento de grãos. Se hoje estamos fazendo sucesso é porque a nossa tecnologia tem dado certo no mercado, que estava necessitando de tecnologia para preservar a qualidade do grão. Não só no mercado nacional, mas também no mercado internacional, é muito cobrada a questão da qualidade final do grão”, revelou.

InoBram

A Inobram Automações é outra empresa que passou pela incubadora do Parque Tecnológico e hoje importa tecnologia. Cleverson Faustino Brandelero, CEO e diretor executivo da empresa, contou que a InoBram iniciou suas atividades em 2004, inicialmente instalada na incubadora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), atendendo apenas o setor de avicultura.

Conectividade

Projeção de crescimento para 2021, é motivada pela necessidade de novas tecnologias no campo – Foto: Divulgação

Desde a sua fundação, a InoBram sempre teve como premissas, levar tecnologia, modernidade e conectividade para as granjas de produção animal.

“Hoje, passando-se 16 anos de experiência, a InoBram cresceu muito, aumentando sua sede, seu time, sua produção. Possui atualmente, um portfólio com mais de 60 produtos e soluções em tecnologia, atendendo os setores de aves, ovos, suínos e gado de leite. No presente, está atuante em mais de 20 países, atendendo mais de 28.500 granjas e continua crescendo a uma média de 30% ao ano”, revelou.

Soluções

Segundo Brandelero, dentre todas as soluções em automação e tecnologia desenvolvidas pela InoBram, destacam-se: controladores de ambiência; sistemas automáticos de pesagem; sistemas de iluminação para galpões, com certificação do Inmetro; soluções em pesagem, água e alimentação; sistemas inteligentes de alarmes; painéis elétricos, dentro das normas NR10 e NR12; controle e monitoramento de variáveis; e auxílio para tomada de decisões através de acesso remoto em tempo real, através de aplicativos e web.

Expansão

“As exportações já são uma realidade para a InoBram desde 2010, ano em que iniciamos a atuação no mercado externo. Para o próximo ano, 2021, teremos uma expansão ainda maior no mercado internacional, focado em atender e estar presente mais fortemente em diversos outros países. Aqui na InoBram, a gente sabe que o trabalho no campo é desafiador. Mas a gente também sabe que, com inovação e tecnologia, dá para auxiliar bastante o dia a dia no campo e tornar as tarefas mais prazerosas e fáceis”, revelou.

Rise GO

Testado em ambiente altamente controlado, a tecnologia já apresentou resultados satisfatórios em relação ao leite – Foto: AEN

A Rise General Operations é uma empresa que está na primeira fase de incubação no Parque Tecnológico de Pato Branco. Segundo o sócio-fundador, Valdirei Matias, é uma empresa nova que vai fazer dois anos de atividades, com profissionais com mais de dez anos de mercado.

É uma empresa que atua com Big Data a partir da análise da composição dos fluidos através de sensores e com aplicação do conceito de IoT, nas áreas da pecuária, agricultura, alimentos, hidrocarbonetos e recursos hídricos, proporcionando melhoria da qualidade, segurança e eficiência aos seus clientes.

“No ano passado fomos premiados em Cascavel, no Technovação, com tecnologia disruptiva e inteligência artificial, entre 200 empresas que estavam apresentando suas ideias, que denominamos de Alice”, contou.

Matias explicou que esse algoritmo trabalha como um radar que detecta falhas de pagamento com 120 dias de antecedência, ou seja, se tem boletos ou eventos de pagamentos no futuro, a inteligência artificial Alice traz para valor presente, se conecta nas quatro principais bolsas de valores do mundo e, através de algoritmos que foram desenvolvidos, faz todo o cruzamento de dados daquele evento de pagamento para identificar se a pessoa tem capacidade de pagar ou não. O projeto está pronto aguardando para ser lançado no mercado.

Leite

Em relação a problemática do leite, em se tratando que a bacia leiteira está em expansão, a Rice GO identificou a falta de evolução que envolvia o tanque do leite e aplicou tecnologia para melhorar o processo.

Testado em ambiente altamente controlado, a tecnologia, que recebeu o nome de Caio, já apresentou resultados altamente satisfatórios e agora a empresa se prepara para o trabalho de campo, assim no mês de novembro deve iniciar estes testes em duas propriedades com características totalmente distintas, uma em Honório Serpa e outra em São João.

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