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Pandemia fora de casa

Renata fez o intercâmbio para o México por meio do Rotary Internacional. Ao fundo, a Igreja Santa Prisca, em Taxco de Alarcón, cidade em que ficou - Foto: Acervo pessoal

Renata Albani Dala Costa, de 18 anos, foi a última pato-branquense a voltar para nossa terra depois de declarada a pandemia. Ela chegou em Pato Branco em 28 de junho de 2020, depois de passar uma temporada em Taxco de Alarcón, no México, em um intercâmbio através do Rotary Internacional, por meio do Rotary Club de Pato Branco – Sul. 

Taxco é um local que recebe muitos turistas atraídos pelos costumes, arquitetura e joias de prata produzidas nessa cidade colonial.

“Vivi em uma cidade muito diferente do que eu jamais tinha visto. Cheguei no México na madrugada de 21 de agosto de 2019 e voltei no dia 28 de junho de 2020. Tive a oportunidade de viajar com jovens da minha idade de vários países, como Bélgica, Hungria, Alemanha, Finlândia, Taiwan, entre outros. Conhecemos o Caribe, Golfo do México e a tão famosa Cancun”, conta.

De tudo o que conheceu, Renata conta que a maior dificuldade de adaptação foi em relação ao horário do almoço. “O café da manhã mexicano é muito reforçado, então a grande maioria das famílias só vai comer outra vez depois das 15h. No começo, para não sentir fome quando voltava do colégio 12h40, eu dormia até a hora do almoço”, relembra.

Contudo, o novo coronavírus chegou também ao México, e colocou todo mundo em quarentena, como no resto do mundo. “Nós, intercambistas, fomos aconselhados a não sair mais de casa a partir de quando começaram os casos na cidade. Do dia 21 de março até o dia que voltei, 28 de junho, somente saí de casa dois dias, um para ir ao dentista e outro para visitar meu avô no Dia dos Pais, que lá é comemorado no dia 21 de junho”, conta.

No aeroporto de Cidade do México, por onde entrou e voltou pra casa

 Para melhorar sua qualidade de vida devido à pandemia, o Rotary autorizou que outra brasileira, que vivia na mesma cidade que Renata, pudesse morar na mesma casa que ela.  Assim, nos últimos dois meses, elas conviveram na casa de sua segunda família, que tinha mais espaço e segurança.

Depois de 3 meses sem poder sair de casa, Renata já tinha vontade de voltar ao Brasil até mesmo para terminar o Ensino Médio.

O voo de volta da intercambista estava marcado para o dia 30 de junho, porém ele foi cancelado por conta da pandemia. Depois do primeiro cancelamento, ela tentou remarcar mais três vezes para datas posteriores, que também se cancelaram.

Sabendo da vontade da filha de voltar para casa, os pais de Renata descobriram, por meio da organização do seu intercâmbio, um voo humanitário de repatriação. “Na madrugada do dia 27 de junho eles me ligaram e enviei meus dados ao Consulado do Brasil no México e ao Itamaraty, para que me incluíssem no voo. Na manhã seguinte recebi confirmação que eu estava na lista de espera, portanto deveria comparecer no aeroporto da Cidade do México às 6h da manhã do dia 28, mesmo sem garantia de lugar no voo. Só depois do check-in de todos que já estavam na lista confirmada descobri que haviam quatro assentos para pessoas na lista de espera, e eu era a terceira sortuda do dia”, relembra. A amiga, que é do Mato Grosso do Sul, também conseguiu entrar no voo de repatriação, sendo a última a embarcar no avião.

Comemorando o Dia dos Mortos, tradição mexicana

“Estar em casa é reconfortante. Passar momentos difíceis, como esta atual pandemia, perto da família não tem preço. Estando no Brasil é muito mais fácil de seguir com meus planos para o futuro”, respira com alívio.

No entanto, ela diz que durante todo o período de intercâmbio foi hospedada por duas famílias que a acolheram com carinho, deram suporte e a trataram como mais uma integrante do lar, por isso é grata e, futuramente, pensa em visitá-los. “Por conviver com duas diferentes famílias que me receberam, pelas viagens e por tantos amigos que conheci, nunca esquecerei do México, seus costumes e sua cultura e, sempre lembrarei com muito carinho das experiências que esse intercâmbio me proporcionou”, diz. E se futuramente surgirem mais oportunidades de conhecer diferentes lugares, culturas e opiniões, Renata vai, com certeza. “Isso gera um grandioso autoconhecimento”.

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