Papelarias registram queda no movimento em razão da incerteza da volta às aulas

Júlia Heimerdinger

Devido a pandemia, muitos estudantes mudaram suas rotinas e começaram a ter aulas de maneira online, em casa em 2020. Em consequência disso, o material escolar acabou não sendo mais um artigo essencial como era antes na sala de aula.

A alta dos preços do material escolar é outro fator preocupante, de acordo com a Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Materiais Escolar o reajuste está previsto entre 8 e 10% devido ao custo do papel e plástico. Os valores de produtos com matéria-prima importada podem ter um acréscimo até de 18%, em decorrência da alta do dólar.

O mês de janeiro geralmente é destinado para realizar as pesquisas de preços e efetivar a compra dos materiais escolares. Porém, nesse ano a realidade foi diferente.

Realidade 2021

Conforme Elaine Maria Pacheco, proprietária da papelaria e livraria Oceano, as vendas dos materiais escolares estão inferiores referente aos outros anos. “O ano de 2021 começou bem fraco, as primeiras semanas foram bem complicadas, só reagiu depois que o governador fez o decreto que ia ter o início das aulas mesmo”, informa Elaine.

Até então, a maior movimentação ocorreu na semana do dia 25 de janeiro, mas bem inferior aos outros anos. “Porque muitas coisas os pais estão reaproveitando, então as listas estão menores, até mesmo as escolas pediram menos coisas, então vamos ter uma queda, acredito que em média de 30% em relação voltas às aulas do ano passado”.

Os materiais mais procurados até o momento são cadernos. Os estojos e mochilas foram os que mais caíram nas vendas, pois esses itens nem foram utilizados pelos estudantes no ano anterior.

Elaine relata que aconteceu aumento nos valores dos materiais escolares, e os itens que mais apresentaram acréscimo foram lápis de cor e canetinhas.

“Eu acredito que agora a pesquisa de preço diminuiu muito, os clientes fixos não estão fazendo orçamento, mas a gente percebia que nos outros anos tinha mais orçamentos, as pessoas vinham na loja ou pediam pelo WhatsApp os valores, e nesse ano está menor”, afirma acrescentando que um dos motivos pelos pais não realizarem a pesquisa de preço foi pela incerteza de saber se as aulas seriam remotas ou presenciais.

Alternativas na pandemia

Em janeiro de 2020 as vendas foram positivas, porém em março quando iniciou a pandemia aconteceu o fechamento do comércio. Uma das alternativas encontradas foi realizar vendas através de entregas nas residências dos clientes e atendimentos por telefone e WhatsApp.

“Em julho a gente lançou o projeto Palavras Mágicas e isso deu um acrescimento nas vendas, graças a esse projeto o nosso ano de 2020 se manteve normal aos outros anos”, destaca Elaine.

Nesse projeto as pessoas encomendavam seus kits personalizados e recebiam em suas residências. “Tinha kit de desenho, kit de leitura, e as pessoas escolhiam o valor que desejavam, conforme o interesse de cada pessoa”, relata finalizando que os livros foram um dos produtos mais vendidos, o que comprova que as pessoas começaram a ler mais durante esse tempo de isolamento social.