Pato Branco

Programa Alertar se inicia hoje em Pato Branco

Embora tenha tido redução da quantidade de novos casos de coronavírus em Pato Branco, o Município reforça para que a população mantenha os cuidados - Foto: Arquivo Diário do Sudoeste

Trata-se de uma parceria entre a Secretaria de Saúde e o Centro Universitário de Pato Branco (Unidep), que busca monitorar precocemente a doença no município

Dentro da reunião semanal do Comitê Gestor de Enfrentamento ao Coronavírus, na manhã de terça-feira (18), em Pato Branco, um dos assuntos abordados foi o programa Alertar, que terá início nesta quarta (19), em uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Centro Universitário de Pato Branco (Unidep).

Em entrevista coletiva, após a reunião, a secretária de Saúde, Márcia Fernandes de Carvalho, disse que nessa semana foram feitos os últimos ajustes para colocar a iniciativa em prática. “O objetivo é podermos monitorar mais precocemente a doença no município”, resume.

Uma das últimas ações, antes do funcionamento do Alertar, foi a orientação aos acadêmicos [de enfermagem e medicina], que irão atuar no programa; e aos profissionais de saúde do Município, quanto à paramentação, ao distanciamento e como será feito o levantamento de dados.

Finalidade

O programa terá como objetivo monitorar os pacientes positivados para a covid-19, assim como os suspeitos que possuam alguma comorbidade. A enfermeira da secretaria e uma das responsáveis pelo Alertar, Luciane Bergamin, explica que a Vigilância Epidemiológica possui uma planilha, preenchida com as informações sobre os pacientes que precisavam ser monitorados.

“Até então, eles eram monitorados somente pelo telefone. Agora, com esse programa, vamos monitorar in loco os pacientes com comorbidades, independente se são suspeitos ou confirmados por coronavírus. Nessas visitas será verificada a saturação de oxigênio, por meio da oximetria; e a temperatura do paciente”.

A coleta dessas informações, segundo ela, ficará sob responsabilidade dos acadêmicos de enfermagem e medicina. Caso eles identifiquem algum paciente com alteração nesse quadro clínico ou dos sinais vitais, os acadêmicos irão informar à Central de Sintomáticos, encaminhando esse paciente para o ambulatório, onde será feita a sua reavaliação.

“Caso seja uma situação mais simples e possa ser resolvida pelo serviço de telemedicina, os estudantes vão orientar os pacientes a fazer a ligação”, diz a enfermeira.

Além disso, nas visitas serão feitas perguntas para verificar como está o quadro clínico de cada um, “referentes aos sintomas, se estão cumprindo isolamento, como estão os contatos, enfim, um questionário feito pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que estarão nesse processo junto aos acadêmicos de enfermagem e medicina”, diz Luciane, acrescentando que as respostas serão encaminhadas à Central de Monitoramento, a fim de lançar no prontuário e fazer o acompanhamento do paciente.

“Como serão os estagiários e os ACS, a ideia é orientar e verificar se o paciente está mesmo isolado, se está tendo um bom resultado com o tratamento e o isolamento. Então esse é o trabalho principal em campo”.

Equipes

As visitas vão ocorrer de segunda a sexta-feira, iniciando pela manhã e podendo se estender até a tarde, conforme a demanda. Luciane explica que serão três equipes de atuação, compostas por um agente de saúde, além de um ou dois estagiários. Ainda, um motorista, que irá transportá-los até os locais em um micro-ônibus, como prevenção e atendendo às recomendações de distanciamento. 

Uma das equipes ficará responsável pelos bairros situados na região Sul; outra para a área Central; e a terceira para as regiões Oeste e Norte de Pato Branco. “Os ACS vão passar as informações para a Central de Monitoramento, que vamos alimentar o prontuário do paciente; enquanto que a Unidep poderá fazer um banco de dados com essas informações a fim de pesquisa”, afirma.

Quanto ao monitoramento dos demais pacientes, que não têm comorbidades ou não são idosos, “vai continuar via telefone, como já ocorre. Só terá a diferença do monitoramento para pacientes de forma presencial, os que têm algumas complicações, entre o 5º e o 10º dia. Por isso de um acompanhamento mais presencial, que as equipes irão nos domicílios”.

Comitê

Ainda, durante a reunião do Comitê, foi evidenciado o 13º óbito por coronavírus em Pato Branco. “Ele era um paciente jovem, com 48 anos, estava internado há mais de 15 dias e tinha comorbidades. Nesse caso, em específico, tivemos um acompanhamento muito próximo, por ser irmão de um colega de trabalho, que também está atuando constantemente no trabalho junto à covid-19. Então os nossos sentimentos à família, como a todas”, declara Márcia.

Por outro lado, a secretária municipal de Saúde disse que houve uma semana satisfatória em relação a quantidade de novos casos confirmados com coronavírus. “Números constantes e reduzidos. Isso não é uma condição somente de Pato Branco, mas de todo o Paraná”.

Contudo, Márcia lembra que, mesmo assim, é necessário continuar em alerta; com a utilização de máscaras, evitar aglomerações [uso de álcool em gel, a lavagem das mãos], que são solicitações constantes. De certa forma até causam cansaço na população, mas precisamos continuar para que possamos manter as atuações que temos feito em relação ao comércio, à liberação de alguns serviços e até a flexibilização de outros como realizamos durante o nosso processo”.

Ainda, durante a entrevista coletiva, Márcia justificou a troca da coordenação da Vigilância Epidemiológica em Pato Branco, até então sob responsabilidade da enfermeira Franciele Palavicini. “Tatiany Zierhut vai assumir a coordenação, em virtude do esgotamento da Fran, que tem se sentido bastante cansada frente a toda essa responsabilidade. Ela vai continuar conosco, mas estamos colocando outra coordenação também para dar auxílio. São de fato semanas bastante esgotantes. Desde que começou a pandemia, não temos sábado, nem domingo e nem noites, muitas vezes. Então isso causa o esgotamento da equipe como um todo”.

Tatiany Zierhut também é enfermeira e trabalha há seis anos na Secretaria Municipal de Saúde. Atuou tanto na Estratégia Saúde da Família (ESF), como na Vigilância a Saúde do Trabalhador. Ela assume a coordenação nesta quarta-feira (19).

Média móvel

Mesmo a secretária afirmando que a última semana epidemiológica foi “satisfatória”, com relação a novos casos, ao se referir a uma redução tanto no Estado como no Município, a média móvel de Pato Branco nos últimos sete dias ficou acima da média móvel de 14 dias.

Tendo por base os últimos sete informativos, divulgados pelo Município, foram notificados 69 novos casos de covid-19, uma média de 9,85 novos casos por dia. Já na semana anterior, portanto, 14 dias, foram 62 novos casos, ou seja, 8,85 novos casos por dia.

Ao mesmo tempo em que a média móvel de novos casos teve uma pequena alta no comparativo das duas últimas semanas, os casos recuperados também apresentaram uma elevação, esta é descrita como positiva.

Nos últimos sete dias, foram 74 pacientes recuperados, ou seja, 10,5, por dia, enquanto que na semana anterior haviam sido 63, o que apresentou uma média de nove pacientes recuperados por dia.

Vigilância Sanitária

Também nesta terça-feira, a Vigilância Sanitária divulgou o relatório das ações realizadas em relação ao novo coronavírus, entre os dias 10 e 16 de agosto, em Pato Branco.

Ao todo, nesse período, houve 99 denúncias relativas ao descumprimento dos decretos, das quais 21 referentes ao uso de máscaras; 21 denúncias sobre aglomeração de pessoas; 51 referentes a orientações variadas sobre medidas de contingências em geral; e seis multas impostas.

Além disso, equipes do Departamento Municipal de Trânsito (Depatran) e da Vigilância Sanitária, que trabalham nas frentes de ação, fizeram outros 57 acompanhamentos. Desses, uma inspeção no Lar de Idosos São Vicente de Paulo; uma no aeroporto; e 55 acompanhamentos a sintomáticos.

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