Pato Branco

Projeto de leitura publica livros escritos por alunos

Formar leitores é capacitar pessoas a analisar fatos com base em conhecimento, algo muito importante para o desenvolvimento sócio educacional da sociedade. A leitura ainda instiga a criatividade, aumenta o vocabulário, exercita o cérebro, fortalece a capacidade de concentração e atenção e aumenta a curiosidade.

O projeto Eu Livro, idealizado pela funcionária pública Ana Paula Bittencourt, e desenvolvido por diversos voluntários, levou a crianças da periferia de Pato Branco o estímulo à leitura e uma abertura a um novo mundo, até então desconhecido por elas.

Através do projeto, os pequenos leitores tiveram acesso a lugares que antes pareciam distantes, como a Ferinha Varal e a Bienal de Quadrinhos, eventos em que foram protagonistas, não apenas visitantes.

Sem aporte público, o projeto conta apenas com contribuições privadas, e mobilizou boa parte dos servidores do Fórum Desembargador James de Azevedo Portugal, onde Ana Paula atua.

E foi lá que os alunos das escolas estaduais Cristo Rei e São João lançaram seus livros na manhã desta quarta-feira (19), em um evento que contou com a participação
de professores, autoridades e homenageados.

O promotor da Vara de Infância e Juventude de Pato Branco, Raphael Adalberto Soares, esteve presente, e ressaltou a importância da inciativa. “Eu, que nem sou da área pedagógica, mas converso com muitos alunos e professores, há muito tempo digo que a impressão que tenho sobre esse modelo de escola, onde o professor chega lá e fala, fala, fala, e o aluno precisa decorar o conteúdo para ser avaliado em provas, não funciona mais”, disse.

Para ele, todos os envolvidos no processo educacional, alunos e professores, desejam algo diferente, mas muitas vezes estão amarrados no que tem que ser feito.

“São projetos como esse, e voluntários como vocês, que fogem à curva, que vão tornar a escola um ambiente mais legal”, comemorou em seu discurso.

O promotor disse ainda aos alunos que estudar e ter uma profissão é a única alternativa dentro da lei para construir um futuro melhor, e indicou que esse é o caminho
a se seguir. “Precisamos de pessoas como vocês, que transformam a escola em um ambiente diferente, prazeroso. Fico muito feliz em colaborar de alguma forma e parabenizo a todos os escritores por seus livros”.

Uma das professoras responsáveis por executar o projeto em sala de aula, Odete Colet, do Colégio Estadual São João, disse que foi muito bom ver o interesse, a curiosidade e a vontade de cada aluno.

“Foi gratificante vê-los envolvidos no projeto porque a gente sabe que o futuro depende da educação”, avalia.

Já Andreia Lopes de Vargas Brondani, responsável pelas turmas do Colégio Estadual Cristo Rei, relembra que trabalhou em sala de aula com literatura de cordel e lendas urbanas com o projeto “Escritores para o Futuro”, e a partir daí produziu livros de forma artesanal, confeccionados na escola.

“Publicamos as fotos nas redes sociais e a Ana Paula entrou em contato conosco. Decidimos juntar os textos em grupos para publicá-los de verdade, e os alunos ficaram muito felizes”, conta.

“Quem diria que na idade em que estão seriam autores de um livro? Isso é muito legal e só foi possível graças a essa parceria”, define.

Para Ana Paula esse foi mais um momento mágico do Eu Livro. “A produção literária das crianças demonstra uma evolução em relação ao ato da leitura, que é apenas o início. Por meio dela, teremos excelentes pequenos autores”, comemora.

Homenagens

Além do lançamento e entrega dos livros a seus autores, alguns voluntários, que ofereceram bolsas de estudo para o curso de línguas e até mesmo da dança, foram homenageados com a entrega de um diploma. As professoras envolvidas e os voluntários também foram lembrados neste momento de celebração.

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