Sangue de recuperados da covid-19 pode ajudar outros pacientes com a doença

Pessoas que contraíram a doença, em um período de 45 a 180 dias, e apresentaram sintomas leves, podem ajudar em tratamento alternativo

Pessoas que já se recuperaram da covid-19 podem ajudar outros pacientes que lutam contra a doença, doando seu plasma sanguíneo para um tratamento alternativo. Por concentrar uma grande quantidade de anticorpos, que agem no combate à infecção, o chamado plasma hiperimune ou plasma convalescente é um grande aliado no tratamento da covid-19.

Por isso, desde o ano passado, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) faz a coleta e a produção de plasma hiperimune para repassar a hospitais que usam a terapia como alternativa no tratamento dos pacientes internados. Mais de mil bolsas foram produzidas no período, mas para atender à demanda, que é diária, é necessário que mais pessoas façam a doação ao Hemepar.

Na região Sudoeste, população pode auxiliar no método alternativo indo até uma das unidades do Centro de Hematologia e Hemoterapia — presentes em Pato Branco e Francisco Beltrão.

Quem pode participar

Para doar seu plasma é preciso que a pessoa tenha contraído a covid-19, no mínimo há 45 dias e no máximo, seis meses. Isso porque, é durante esse período que o organismo produz anticorpos.

Além do período que se passou de contaminação, é preciso ficar atento quanto a gravidade que a doença teve no organismo — para o tratamento alternativo aceitam-se apenas voluntários em que a covid-19 se desenvolveu de forma leve, não necessitando de internação ou intubação.

Outra exigência do Hemepar é que a pessoa comprove, através de resultado de exame que contraiu a covid-19, e também que não tenha feito nenhuma transfusão de sangue naquele período.

Homens e mulheres, com idades entre 18 e 59 anos completos podem participar do processo — no caso do sexo feminino, é preciso haver ausência de gestações e abortos.

Fábio Marcelo Ebert, coordenador do Hemonúcleo em Francisco Beltrão, explica que potenciais doadores com sorologia positiva para HIV, HTLV, chagas, sífilis e hepatite também não podem participar da campanha.

Doações no Sudoeste

Desde outubro passado, as duas unidades do Hemepar na região, já coletaram em torno de 80 bolsas de plasmas. Segundo a coordenadora do Hemonúcleo de Pato Branco, Silvia Pecin Acosta, a coleta acontece a partir de uma doação normal de sangue. “É o mesmo processo, onde o candidato a doação passa por um cadastro e pela triagem médica.”

Sangue de recuperados da covid-19 pode ajudar outros pacientes com a doençaA coordenadora do local comenta que quando o voluntário doa o plasma, acaba ajudando outras pessoas, pois, todos os outros hemocomponentes presentes em seu sangue, como o concentrado de hemácias, são utilizados pelo hemonúcleo no atendimento de outros pacientes.

Agendamentos

Evitando aglomerações nas unidades de coleta de sangue, todas as doações devem ser previamente agendadas, tanto pelo site saude.pr.gov.br/doacao quanto pelos números de cada hemonúcleo. Em Pato Branco, o contato pode ser feito pelo WhastApp (46) 99136-3940 ou através do número (46) 3225-1014. O Hemonúcleo, situado na rua Paraná, nº 1633, centro, próximo a rodoviária do município, realiza atendimentos das 8h à 11h30 e das 13 às 16h30, de segunda a sexta-feira.

Já na unidade em Francisco Beltrão, a doação pode ser agendada pelos números (46) 98808- 5867 e (46) 9211-3650. A unidade está localizada na rua Marília, nº 1327, bairro Luther King, próxima ao Batalhão da Polícia Militar.

Relato de uma doadora

Julia Casagrande, uma das doadoras do plasma hiperimune em Pato Branco, contou ao Diário do Sudoeste que contraiu a covid-19 no início de dezembro do ano passado, onde teve sintomas leves e já a partir do terceiro dia da doença, se mostrava estar se recuperando. “O que me motivou a doar o plasma, depois que eu fiquei sabendo da campanha, foi o que me motivou desde o início que comecei a doar sangue, salvar vidas .”