Seleção de polo recorre a ‘vaquinha’ para treinar e constrange COB e governo

Com perspectiva mínima de que terão recursos para treinar no exterior para a Olimpíada do Rio, as jogadoras da seleção brasileira de feminina receberam autorização da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) para procurar parceiros que bancassem esses treinos. A criação de uma campanha de financiamento coletivo (famosa “vaquinha”) pela internet, entretanto, acabou por expor o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico do Brasil (COB), que, nas últimas horas, procuraram a CBDA para cobrar explicações. Num jogo de empurra-empurra, ninguém admite ter responsabilidade pela falta de apoio para a equipe feminina, enquanto três jogadores naturalizados para jogarem pela seleção masculina recebem, cada um, R$ 18 mil ao mês.

Não é por falta de potencial técnico que a equipe feminina depende de ajuda externa para treinar. Izabella Chippini, de 19 anos, foi eleita a segunda melhor do mundo no feminino no ano passado – no masculino, Felipe Perrone, que antes defendia a Espanha, ficou em terceiro.

Em um site de financiamento coletivo, Izabella e mais 14 colegas da seleção, estão pedindo R$ 80 mil bancar uma rodada de 10 dias de treinos na Itália, em abril, com hospedagem em hostel. “Temos um planejamento de treinamentos e viagens até os Jogos Olímpicos, feito pelo nosso técnico canadense (Pat Otsen). A CBDA aprovou e se comprometeu a realizá-lo. Mas chega perto de algo que deveria acontecer e a CBDA sempre alega que não tem dinheiro, que tal imposto aumentou”, reclama Camila Pedrosa, 40 anos, que voltou ao esporte para ser capitã da seleção.

A programação era que a equipe estivesse viajando para os EUA, onde, no dia 16, começa a fase “intercontinental” da Liga Mundial. Mas só na terça-feira foi encerrado o pregão eletrônico para a compra de passagens e nesta quarta a CBDA conversou com a empresa vencedora. Os 10 dias de treinos na Califórnia vão virar quatro, se mais nada mudar e o elenco conseguir viajar na terça-feira de carnaval.

A CBDA tem um convênio em vigor com o Ministério do Esporte para o polo aquático, de R$ 5,1 milhões, incluindo de clínicas para técnicos a competições de base. O projeto aprovado previa dois treinos em Barcelona, em setembro/2015 e abril/2016. Nenhum dos dois sairá do papel, uma vez que os recursos foram alocados para um torneio realizado em dezembro no Rio. Também um camping de treinos na Holanda, ano passado, foi cancelado.

Responsável também por gerir natação, maratonas aquáticas, nado sincronizado e saltos ornamentais, a CBDA alega que precisa repartir os recursos entre as cinco modalidades e que o cobertor é curto. Mesmo assim, ainda pretende conseguir recursos para bancar os treinos da seleção feminina, seja pela Lei Agnelo/Piva (por meio de convênio específico com o COB), ou por Lei de Incentivo.

Em nota, o COB disse que “o financiamento coletivo é uma estratégia de captação de recursos cada vez mais utilizada em todo o mundo e em diversas áreas, não apenas no esporte”, que “tem a estimativa de repasse de cerca de R$ 4,5 milhões, oriundos da Lei Agnelo/Piva” e que a CBDA é quem “elenca prioridades”.

Já o Ministério do Esporte diz que “vem apoiando o polo aquático masculino e feminino, por meio de três convênios com a CBDA” e que seu investimento, entre 2011 e 2016, por meio de convênios específicos para a modalidade, soma R$ 7,8 milhões. O ME lembra ainda que “apoia 101 atletas do polo aquático feminino, por meio do programa Bolsa Atleta”.

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