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Será que é verdade?

Há quase 5 meses em quarentena, ainda existem muitas dúvidas, desinformação e negligência em relação aos protocolos para a covid-19, principalmente sobre a eficácia das políticas públicas e perspectivas médicas

Há 5 meses estamos sendo bombardeados por informações sobre o novo coronavírus. De novo, aliás, só a forma como chamamos o Sars-COV-2. Desde que o vírus resolveu invadir o mundo, já passamos por tantas coisas que ele nos parece um velho conhecido. 
O pandêmico é também polêmico, e tem mexido com a nossa saúde mental: ele está deixando todo mundo louco de vontade retomar as atividades normalmente. 
Trocadilhos à parte, muita gente tem sofrido com crises de ansiedade, estresse, depressão e, principalmente, saudade. Há também preocupação com o futuro, incertezas, desemprego, riscos econômicos. 
No entanto, por mais que nos lembrem a todo momento do mal que nos cerca, o principal problema segue sendo a doença: no Brasil, já são mais de 2,6 milhões de infectados e mais de 90 mil mortos por covid-19. 

Essa situação nos deixa apreensivos e inseguros, sendo alvo fácil para as fake news, que circulam livremente por aí.
Quantas vezes, por exemplo, você já leu/ouviu que encontraram a cura? Ou quantos países você já ouviu dizer que desenvolveram a vacina? Isso sem contar os medicamentos que resolvem ou que previnem e até mesmo que o vírus não existe.


O certo é que há, sim, vacinas em fase final de teste, mas ainda sem previsão de quando serão distribuídas em massa. E, apesar de o mundo ter avançado muito nas descobertas sobre a doença e como nosso organismo reage ao vírus, nada é, ainda, suficiente para estarmos seguros vivendo em uma rotina como a de antes de entrarmos em isolamento social.
Também já ouvimos falar que os números estão sendo mascarados; que o poder público esconde a realidade; que os municípios recebem de acordo com as mortes por covid, por isso atribui falsamente a doença nos atestados de óbito; e por aí segue uma lista infinita de suposições e achismos. 

Mesmo que você receba uma informação de familiares e amigos que gosta e acredita, ainda que esse conteúdo tenha apelo emocional, é sempre indicado checar se ela é correta antes de compartilhar com outras pessoas ou grupos.
Isso porque a disseminação de notícias falsas causam danos que vão desde falta de medicação essencial para o tratamento de quem sofre com os agravamentos da covid-19 (ou mesmo com outras doenças) até a relativização de fatos, como desconhecer as sequelas possíveis.  

Agora, com o número de infectados aumentando consideravelmente em nosso município, muito tem se falado sobre a doença, mas até mesmo a  forma como as pessoas suspeitas são testadas ainda causa dúvidas em grande parte da população.
Para sanar os questionamentos, conversamos com secretária municipal de Saúde, Marcia Fernanda de Carvalho. Confira como é realizado o protocolo de testagem em Pato Branco para a confecção dos boletins epidemiológicos:

Mito ou verdade?
Separamos algumas afirmações retiradas de grupos de whatsapp formados por moradores de Pato Branco e perguntamos para a secretária municipal de Saúde, Márcia Fernanda de Carvalho, se elas são verdadeiras. Veja a seguir se as informações que circulam pela nossa cidade são mito ou verdade.

O município recebe R$ 18 mil por morte de covid-19

MITO

Essa informação não é verdadeira, pois o município não recebe nenhum valor por óbitos. Os recursos repassados pelo Ministério da Saúde se dão per capita (número de habitantes) ou por complexidade de atendimento.

É preciso avaliar se a pessoa morreu de covid ou com covid

VERDADE

Deve-se definir do melhor modo possível a causa principal da morte, pois ela irá constar na declaração de óbito. Porém, todo paciente que morrer “de” ou “com” covid irá para as estatísticas, pois a causa principal da morte pode ter sido devido ou como consequência da covid.

Só pega covid-19 quem não se cuida

MITO

Mesmo pessoas muito cuidadosas podem pegar covid-19 em algum momento de distração, como na hora de se alimentar. Porém, medidas de proteção, tais como lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou usar álcool em gel, fazer uso correto de máscaras e medidas de distanciamento social, são importantes para minimizar o risco de contaminação.

O ideal seria divulgar quem está contaminado para que pudéssemos nos prevenir, mas isso não é feito por medo de preconceito

MITO

Não é por causa do preconceito, é pelo direito de sigilo a que o paciente tem. A notificação das doenças constantes na Lista Nacional de Notificação Compulsória é obrigatória para os médicos e outros profissionais de Saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de Saúde, que prestam assistência ao paciente (art. 3º da Portaria n. 204/16). No entanto é de responsabilidade da vigilância informar somente ao indivíduo e preservando sua identidade.

Mais de 50% da população vai se contaminar, e aí a pandemia acaba. Quanto mais rápido isso acontecer, mais rápido sairemos da quarentena

MITO

Caso a população se contamine muito rapidamente, teremos um colapso do sistema de saúde, pois muitas pessoas precisariam de recursos hospitalares e vagas de UTI. O Ideal é um achatamento da curva de contaminação para que o sistema de saúde suporte a situação até termos uma vacina ou tratamento eficaz.

O número de curados é mais importante que o número de mortos

MITO

Os dois números são estatisticamente importantes. O número de curados é muito importante e muito maior que o número de mortos, mas quando pensamos na perda para as famílias e enquanto sociedade, qualquer número de morto é lastimável.  Felizmente, a taxa de mortalidade do nosso município ainda é baixa.

Covid-19 só contamina quem sai na rua se divertir. Quem está trabalhando, indo ao mercado, ao banco ou fazendo compras não se contamina

MITO

A contaminação pode acontecer em qualquer lugar, por isso a importância das medidas protetivas exaustivamente citadas (lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel, fazer uso correto de máscaras, medidas de distanciamento social e evitar aglomerações). 

Somente clientes e colaboradores precisam usar máscara. Proprietários e gerentes não precisam.

MITO

Todos, de forma indistintas, devem fazer uso de máscaras, pois elas ajudam na proteção de quem está usando bem como ajudam a proteger quem está próximo.

O teste rápido pode dar falso negativo

VERDADE

Principalmente quando realizado fora do período em que é indicado. O teste rápido deve ser realizado preferencialmente a partir do 10º dia de sintomas, pois este exame identifica anticorpos que o corpo produz na defesa contra o vírus, o que leve alguns dias para acontecer. O teste é dito como “rápido” por gerar resultados rapidamente, porém deve-se aguardar o período correto para realização. Paralelamente, existe também o RT-PCR, que é um exame “Padrão Ouro” para detecção do vírus. Este exame é realizado através de coleta de secreções nasais e orais por meio de swab (parecido com um cotonete). Sua coleta deve ser realizada preferencialmente do 3º ao 7º dia do início dos sintomas. 

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