Pato Branco

Setor industrial retoma crescimento e mantém liderança no mercado

Fundada pela família Petrycoski, a Atlas produz fogões das marcas Atlas e Dako, com capacidade produtiva de 10 mil unidades por dia – Foto: Reprodução/AEN

Polo industrial, Pato Branco tem observado o crescimento desse setor produtivo mesmo diante da pandemia do novo coronavírus, que de modo geral vem engessando por meses a maioria dos segmentos, em virtude do impacto econômico e social que as medidas sanitárias exigiram.

De acordo com dados do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pato Branco (Sindimetal/Sudoeste), que congrega fabricantes de artigos de metal para uso doméstico, serralherias, esquadrias, baterias e equipamentos eletreletrônicos, são cerca de 800 indústrias metalmecânicas espalhadas pelo Estado.

Localizada em Pato Branco, a Atlas Eletrodomésticos é uma delas, e acaba de anunciar a ampliação de processos industriais em sua fábrica, além de mudanças no corpo diretivo.

Considerada uma empresa âncora, é a maior empregadora da região, com 1.800 empregos diretos, 1.200 deles na fábrica. Em função dela, diversos fornecedores instalaram-se nas redondezas, tornando o Sudoeste do Paraná um polo de indústrias desde segmento.

A Atlas, fundada pela família Petrycoski, produz fogões das marcas Atlas e Dako, com uma capacidade produtiva de 10 mil unidades por dia. Anualmente, são 2,5 milhões de peças. Os produtos são vendidos para todo o Brasil e exterior, porém a região onde ela está instalada é a maior consumidora.

Claudio Petrycoski, vice-presidente da Fiep e membro do conselho da Atlas, conta que a empresa foi propulsora de muitos negócios na região. “Muitos fornecedores nossos nasceram de dentro da empresa. São ex-funcionários que saíram daqui para empreender e hoje fornecem para nós e para outras empresas”, contou.

Nova fase

Segundo ele, neste ano a fábrica entra em uma nova fase, ao completar 70 anos em dezembro, investindo na ampliação da sua capacidade produtiva. Nesta semana também anunciou atualizações em seu corpo diretivo para continuar dando conta do constante crescimento da demanda dos clientes e consumidores por produtos inovadores.

A Atlas anunciou a promoção de Márcio Veiga como CEO. O executivo é formado em administração de empresas e pós-graduado em engenharia de produção com MBAs em Gestão Empresarial e Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pela FAE Centro Universitário e Fundação Getulio Vargas (FGV). O novo presidente já ocupava cadeira na companhia como diretor industrial e acumula 17 anos de experiência na fábrica.

Ampliação

Segundo Veiga, as novas áreas começaram a operar na terça-feira (20). “Esta é uma evolução na parte de melhorias por meio dos investimentos em tecnologia e ampliação de maquinários que agregará valor aos nossos produtos em termos de qualidade, e ainda acelerará o tempo de produção para atender de forma mais eficiente nossos clientes e consumidores. Foram contratados também novos profissionais para operar tanto nessas áreas, quanto em outras operações da fábrica, e ainda temos planos de ampliar o número de contratações até o final do ano”, enfatizou.

Questionado sobre como a fábrica se organizou para passar pelo processo da pandemia, Veiga explicou que esse período tem sido, sem dúvida, um momento desafiador para todos.

“Tivemos que nos ajustar, no início do ano, para assegurar a saúde dos colaboradores e às oscilações do mercado, além de nos adaptar às mudanças no comportamento dos consumidores e à falta de matéria prima. Embora a companhia tenha realizado algumas adequações no seu quadro de trabalhadores, no início do ano, retomamos as contratações neste último trimestre e devemos anunciar novas vagas até dezembro”, ressaltou.

Retomada

Sobre a retomada do crescimento, o novo presidente explicou que aos poucos a fábrica vem galgando. O que comprova isso, de acordo com ele, são as recentes mudanças no corpo diretivo e os investimentos em ampliação e tecnologia para manter a liderança das linhas de fogões no mercado e ainda oferecer produtos cada vez mais inovadores.

“A empresa precisa estar adaptada às reais necessidades dos consumidores e com a capacidade produtiva adequada à demanda dos clientes. A produção diária vem retomando os volumes anteriores ultrapassando 10 mil fogões diariamente. A Atlas quer aumentar este número nos próximos anos”, informou.

Expectativas

Sobre as expectativas em relação às mudanças no corpo diretivo, Veiga lembrou que a fábrica vai completar 70 anos de atividades, e que para continuar crescendo precisa investir na ampliação de sua capacidade produtiva.

“O mercado vem demandando por volume e por produtos inovadores. Para isso, a companhia precisa estar pronta para atender a essas necessidades. Isso significa fazer aportes, por exemplo, em tecnologias para os processos fabris, como é o caso das novas áreas de esmaltação e estamparia, além de contratar profissionais e investir na capacitação dos colaboradores que tanto contribuem para que a Atlas lidere o mercado atualmente. Tudo isso é fundamental para manter a companhia como uma das empresas mais importantes do país no segmento de linha branca”, destacou.

Corpo diretivo

Além do novo presidente, Márcio Veiga, André Fauth retoma o seu lugar no conselho consultivo, onde continuará orientando a alta gestão com o seu sólido conhecimento a respeito dos temas que permeiam os negócios da empresa.

Vitório Pavan Neto assume como novo diretor industrial e passa a ser responsável pelas áreas de manufatura, gestão da qualidade, SSMA, manutenção industrial, processos industriais, planejamento e logística.

Outra mudança na companhia, acontece na área financeira. Joel Garcia Durante assume o cargo de diretor financeiro onde será responsável pelas áreas de controladoria, finanças, contábil/fiscal, suprimentos e jurídico.

No Sudoeste

Dividido entre Palmas e Francisco Beltrão, o grupo Alcast mantém duas importantes fábricas do segmento metalmecânico no Sudoeste. Em Palmas está instalada a Panelux, maior fabricante de panelas de pressão das Américas e líder de mercado no Brasil.

De acordo com Abelson Carles, diretor da Alcast, a fábrica da Panelux produz 400 mil panelas de pressão ao mês e é a segunda maior empresa de panelas do País. “As pessoas não têm muita noção do que é feito na cidade onde moram ou no estado em que vivem. Divulgar a produção local é importante para que o paranaense saiba o que as indústrias locais produzem e o potencial que têm”, afirmou.

Em Francisco Beltrão fica a fábrica que produz chapas de alumínio, entre outros materiais. Considerada empresa âncora na região, ela é responsável pelo fomento e fornecimento de matéria-prima. A cidade é chamada capital da panela e sedia 16 pequenas e médias empresas que industrializam o produto.

Em Marmeleiro, outro município do sudoeste do Paraná, fica a MTA, empresa fundada em 1992 que produz utilidades domésticas para cozinha. São dois milhões de peças produzidas ao ano, numa fábrica que emprega cerca de 75 pessoas.

De acordo com Antonio Froza, diretor-presidente da MTA, a primeira fábrica de panelas da região surgiu em 1988. De lá para cá, são cerca de 40 empresas no Sudoeste.

Aos poucos, a empresa foi mudando seu mix de produtos para se posicionar no mercado. “Deixamos os produtos populares de lado. Hoje vendemos para todo o Brasil produtos com maior valor agregado e também exportamos para países como Estados Unidos e México, além dos nossos vizinhos na América Latina”, contou Froza. Atualmente a MTA figura entre as quatro maiores empresas do segmento no Brasil e é a segunda marca mais lembrada quando o assunto é panelas.

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