Trabalho de risco de fauna está sendo executado no aeroporto de Pato Branco

Previsão inicial de conclusão de estudo é fevereiro de 2021

Júlia Heimerdinger

Colisões com a fauna significam um grande risco à aviação, segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) as ocorrências estão cada vez mais frequentes. A existência de aves em aeródromos e arredores influencia diretamente na segurança da aviação civil.

Nenhuma aeronave ou aeroporto está livre ao impacto causado pelas aves, essas batidas podem ocasionar prejuízos às aeronaves, com custos elevados de assistência ou até mesmo a destruição completa da máquina.

Desde março desse ano atividades de levantamento de fauna estão sendo realizadas no Aeroporto Municipal Juvenal Cardoso de Pato Branco. Primeiramente, foi realizado reuniões para ajustar os procedimentos e a primeira visita da equipe de Toledo para começar o levantamento.

De acordo com Julio Daniel do Vale, biólogo responsável pela operação, a previsão é encerrar em fevereiro a Identificação do Perigo de Fauna (IPF). Documento esse que foi solicitado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Como funciona?

O trabalho de risco de fauna no aeroporto de Pato Branco é realizado diariamente pela equipe do aeroporto, e uma vez ao mês pela equipe da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR-Toledo). “Os dados das duas equipes são avaliados para identificar as populações mais frequentes e abundantes de espécies da fauna que possam oferecer risco às operações aeroportuárias” explica do Vale.

Através da elaboração do IPF, será realizado o Programa de Gerenciamento do Risco de Fauna (PGRF), no qual será possível conhecer a realidade local e sistematizado um programa com vários objetivos. “Além do monitoramento da fauna no aeroporto e na região, tem o treinamento da equipe de funcionários locais, divulgação dos perigos para a população e estabelecimento de uma série de procedimentos que visam mitigar o risco de acidentes aéreos com fauna”.

Desde o início do funcionamento do aeroporto de Pato Branco não há ocorrências frequentes de acidentes, nos últimos dez anos apenas um registro de colisão foi contabilizado no Cenipa.

Resultados

O aeroporto não visa a presença da fauna, o ideal seria que as espécies não estivessem presentes no local, porém, as características da cobertura do solo, como gramas e capim, se tornam um atrativo para as espécies locais, principalmente o quero-quero e a coruja-buraqueira.

“Observa-se a presença de 10 a 20 quero-queros, caso essa população comece a crescer demais será preciso realizar um Plano de Manejo de Fauna (PMF) o que não é trivial, pois demanda de autorização de órgãos ambientais” salienta o biólogo.

Até o momento foi averiguado no aeroporto de Pato Branco que as espécies encontradas mais frequentes em colisões são as mesmas dos demais aeroportos, como o quero-quero, urubu e carcará.

“Embora essas três espécies apresentem populações relativamente pequenas na área de Pato Branco, é necessário manter a atenção para que não aumentem e nem dar condições para que isso ocorra”, relata acrescentando que como foi identificado poucos pontos atrativos para as aves elas não oferecem risco maior.

Até o momento, já foram identificadas 40 espécies de aves na localidade do aeroporto. “A grande maioria dessas espécies são de pássaros de pequeno tamanho, tais como tico-tico, bem-te-vi, canário-da-terra. Esse tipo de ave, principalmente por não formar bando, oferecem pouco risco para a atividade do aeroporto” exemplifica do Vale.

O biólogo afirma que o cenário de Pato Branco não demanda um plano de intervenção severo, sendo necessário apenas manter e aprimorar o controle dessas áreas.

Como preservar a fauna?

Em algumas situações preservar a fauna pode ser uma situação problemática, principalmente quando os aeroportos estão próximos às regiões de estuários (um ambiente aquático de transição entre um rio e o mar) que possuem aves de grande porte.

“Já para a região de Pato Branco, não temos áreas naturalmente alagáveis que tenham populações de aves aquática. As áreas verdes próximas ao aeroporto são poucas e pequenas, o que reduz esse potencial conflito”.

Desse modo, o trabalho de preservação de áreas nativas em Pato Branco pode ser realizado de forma permanente, não sendo um motivo de preocupação para o aeródromo.

O principal papel da comunidade é não possibilitar o aumento de espécies como o urubu ou carcará. “Resíduos orgânicos, principalmente carcaças nos interiores, são forte atrativo de urubus. Mesmo na cidade, pontos de acúmulo de entulho podem proliferar roedores, os quais são presas de carcará” alerta do Vale informando também que o urubu e a carcará são aves de grande porte, e o impacto desses animais com uma aeronave a 200 quilômetros por hora pode causar resultados graves.

A população deve ter consciência ambiental e cuidar da área urbana, não gerando o acúmulo de lixo e entulhos, preservar as matas ciliares e as áreas de proteção permanente. “Assim teremos também uma boa manutenção da fauna silvestre, mantendo o equilíbrio do meio ambiente e uma melhor qualidade de vida para todos” reflete do Vale.

Aeroporto Pato Branco

De acordo com o biólogo a dimensão do aeroporto de Pato Branco é de um aeródromo de pequeno porte, o que facilita o manejo da área. “Há poucas árvores no seu interior e praticamente todo o solo é coberto por gramas ou pastagem. E assim deve ser, já que essa área tem como propósito atender à operacionalidade e segurança dos voos” finaliza.

Em tese, o estudo vem sendo desenvolvido em um momento que a aviação local está praticamente parada, com apenas pouso e decolagens de aeronaves particulares, tudo porque, a companhia que opera os voos regulares, suspendeu as operações tão logo a pandemia deu seus primeiros sinais no Estado.

Segundo Osmar Braun Sobrinho, Secretário de Desenvolvimento Econômico, não há previsão sobre o retorno dos voos por parte da empresa Azul. Referente a realização de obras nas localidades do aeroporto o secretário afirma que no momento não há nenhuma em andamento. “Estamos com um recurso da Secretaria de Aviação Civil (Sac) no valor de 11 milhões, mas isso ainda não está consolidado” acrescenta que a previsão do recurso ser efetivado é para o início de 2021.


Ainda não há data de retorno para os voos no aeroporto de Pato Branco
Créditos: Arquivo Prefeitura de Pato Branco