Política

Defesa de ex-secretário, fala em devassa da vida privada e uso político do direito

Redação com Assessoria MPPR

Edson Casagrande e sua esposa foram denunciados pelo MP em ação da Operação Rádio Patrulha. Além, deles, outras duas pessoas foram denubnciadas

Na quarta-feira (23), o núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), apresentou nova denúncia criminal no âmbito da Operação Rádio Patrulha, deflagrada em setembro de 2018.

A operação teve como finalidade, apurar direcionamento de licitação destinada à compra de maquinários para o programa estadual Patrulha do Campo.

Nessa quarta, foram denunciadas quatro pessoas por lavagem de dinheiro, incluindo o ex-secretário de Assuntos Estratégicos do Paraná (gestão 2011-2014), Edson Casagrande e sua mulher Angélica Casagrande.

Pelas investigações do Gaeco, os denunciados participaram de esquema que possibilitou a lavagem de pelo menos R$ 14.885.425,70.

O dinheiro é resultado de contratos firmados indevidamente por empresa mantida pelos denunciados com o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), por meio de fraudes a licitações e desvio de recursos públicos, que resultou em outra ação penal apresentada pelo MPPR.

Reparação

Conforme apuração do Gaeco, o então secretário, com suporte da mulher e dos outros denunciados, sócios “oficiais” da empresa, fizeram diversas transferências bancárias de valores recebidos do Estado para outros estabelecimentos comerciais ligados ao mesmo grupo financeiro, chefiado pelo ex-secretário, com o intuito de dissimular a origem e a utilização dos valores.

No total, a empresa vinculada aos denunciados recebeu R$ 27.743.418,06 do DER.

Com a nova denúncia, além da condenação dos requeridos por lavagem de dinheiro, o Ministério Público busca o ressarcimento de R$ 14.885.425,70.

Defesa

Em nota, o advogado Lenio Luiz Streck, que defende o casal Casagrande, afirmou que “esse é um típico caso de uso político do direito”, dizendo ele ser uma “prática cada vez mais comum no Brasil, onde se repetem situações de falta de imparcialidade do Ministério Público.”

A defesa também argumentou que a ação penal que deu origem as investigações da Rádio Patrulha estão suspensas desde 2019, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado ainda sustenta que, “a família Casagrande vem sendo investigada há dois anos. Foram 720 dias de devassa na vida privada, sem qualquer justificativa para tanto. Além da restrição de direitos fundamentais, houve o envolvimento gratuito de familiares de Edson Casagrande.”

Afirmando ainda serem licitas as atividades empresariais do ex-secretário, a defesa conclui a nota falando em esclarecer os fatos perante a Justiça.

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