Geral

Mulher e negra, Cris Hamera é eleita vereadora e entra para a história política de Pato Branco

Entre as bandeiras de Cris Hamera (PV) estão igualdade e justiça social

A primeira Constituição Brasileira, outorgada por Dom Pedro 1º em 1824, definiu, pela primeira vez, as normas do sistema eleitoral no Brasil. O voto era obrigatório, censitário e apenas para homens maiores de 25 anos, com uma renda anual de, no mínimo, 100 mil mirréis (se convertido para a moeda atual, significaria mais de R$ 1 milhão). Mulheres, escravos, soldados e índios não podiam votar. Para ter direito a se candidatar – as vagas eram deputado e senador — era necessário ter um poder aquisitivo altíssimo.

Foi apenas em 24 de fevereiro de 1934 que, através da publicação do Decreto nº 21.076, foi retirado do Código Eleitoral qualquer restrição do direito ao voto às mulheres. Ou seja, há apenas 88 anos as mulheres puderam participar da política do nosso país.

Ainda assim, as raízes culturais fazem com que essa participação seja bastante tímida. Apenas 12,2% dos prefeitos eleitos ainda no primeiro turno são mulheres, conforme dados da Agência Senado. Por isso, qualquer aumento nos índices devem ser comemorados.

Por exemplo, em 300 anos de história, apenas sete mulheres tinham sido eleitas vereadoras em Florianópolis, mas nesta eleição foram eleitas cinco vereadoras. Curitiba também deu um passo à frente no que diz respeito à igualdade: elegeu a primeira mulher negra da história da cidade. Carol Dartora (PT) foi a terceira candidata mais votada da capital do Paraná, com 8.407 votos.

Pato Branco segue no mesmo caminho, e também elegeu a primeira mulher negra. Com 684 votos, a candidata a vereadora Cris Hamera (PV) foi escolhida para ocupar uma cadeira do legislativo pato-branquense.

Maria Cristina de Oliveira Rodrigues Hamera, hoje, é aposentada, mas sempre atuou no setor público. Em Pato Branco, ela foi gestora da Secretaria Municipal de Assistência Social e também esteve à frente do Sine (Sistema Nacional de Emprego) – Agência do Trabalhador. Ela também foi professora, funcionária do Banestado e coordenou o PAE (Programa de Auto-Emprego).

Cris, como todos a chamam, é formada em Ciências Físicas e Biológicas, em Educação Física, é tecnóloga em Gestão Pública, especialista em Gestão Ambiental e em Gestão de Recursos Humanos. 

Entre os carros-chefe de suas propostas estão a capacitação e qualificação para jovens e adultos; o empoderamento da mulher; e a igualdade e justiça social.

“Ter sido eleita foi de extrema importância na questão da representatividade, não somente por ser negra, mas principalmente por ser mulher. Nós somos tão capazes quanto os homens e o nosso papel na sociedade, no meio político é fundamental. Temos que ter representatividade de fato e de direito”, afirma.

Para ela, se a mulher é capaz de conduzir uma casa com exímia competência, exercendo tarefas múltiplas com maestria, também é capaz de decidir sobre o destino do nosso município e atuar ativamente nas decisões políticas.

“A presença da mulher na política proporciona um diálogo mais amplo e um pensar mais abrangente. Aliamos a razão ao coração e  sem perder a feminilidade. Vamos contribuindo com as decisões a serem tomadas no rumo certo e  conduzindo para uma sociedade mais justa  e igualitária”, reforça.
A vereadora eleita lamenta o fato de as mulheres ainda serem politicamente pouco atuantes. “Infelizmente, a taxa de representatividade feminina, ainda permanece muito baixa, mesmo em um cenário no qual 52% dos eleitores são mulheres”.
Sobre Pato Branco, Cris acredita que seja um município muito promissor, “de pessoas trabalhadoras, com garra e comprometidas em fazê-la crescer cada vez mais. Eu sou Pato-branquense de coração, estou aqui há 22 anos e tenho orgulho desta cidade”.
Assim, ela aproveita a oportunidade para agradecer. “Agradeço a Deus e a todas as pessoas que me apoiaram, incentivaram e depositaram sua confiança para que eu  fosse eleita. Por tudo isso, uma única palavra: Gratidão”, finaliza.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima