No início da noite de sábado (18), o diretório estadual do PSDB declarou apoio ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, pré-candidato à presidência. Leite disputa a candidatura com outros dois tucanos: João Doria e Tasso Jereissati.

O apoio foi anunciado durante reunião do partido em Francisco Beltrão, na sede da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop). Estiveram presentes as principais lideranças do PSDB no estado, como o ex-governador Beto Richa; o presidente do PSDB no Paraná, Paulo Litro; deputado Valdir Rossoni; Cleber Fontana, entre outros que declararam apoio irrestrito à candidatura do gaúcho.

Pelo apoio, o gaúcho disse que: “Para mim, é uma responsabilidade receber esse apoio de um Estado em que o PSDB já fez muito, faz muito e tenho certeza vai ter capacidade de fazer ainda mais. Me honra, me orgulha e, ao mesmo tempo, me enche de responsabilidade. Nós não vamos desapontar os paranaenses, vamos ganhar essas prévias e fazer um belo trabalho no Brasil.”

Ainda, o gaúcho disse que foi provocado pelo partido para se apresentar as prés e desde então tem andado por todas as regiões e tem sido muito bem recebido. “Com todo respeito aos outros pré-candidatos, mas percebo que o nosso sentimento se conecta ao sentimento dos outros membros do partido, de focar não nos ataques aos outros candidatos, mas que apresente uma agenda para o futuro do Brasil. Estou muito animado”, avaliou.

Novo capítulo

Após a reunião, Leite deu uma coletiva à imprensa regional. Seu discurso como pré-candidato é de que o Brasil, politicamente polarizado, precisa voltar para a sensatez, e que o PSDB é fundamental para esse equilíbrio. “Precisamos focar em atacar os problemas ao invés de gastar energia atacando as pessoas. O PSDB é essencial nesse processo”, avaliou. “É hora de acabar com essa briga de “nós e eles”, “presente e passado”. É hora de encerrar esse capítulo e abrir o capítulo do futuro do Brasil”.

Perguntado sobre seu governo, Leite acredita que o Rio Grande do Sul é um bom exemplo do que pode ser feito no Brasil. “Não teve mágica, mas muito trabalho, sem briga, com muito diálogo, firmeza e respeito às posições contrárias”, disse.

O pré-candidato aposta em um segundo turno com o PSDB. “Muito se fala na polarização dos dois candidatos que estão liderando as pesquisas, mas quase nada sobre a rejeição de ambos. Na hora que a população conhecer as alternativas, não tenho dúvida que essa rejeição vai apontar para um novo caminho”, aposta. 

Uma das bandeiras do PSDB é o regime de parlamentarismo, e sobre isso o tucano explicou que “o PSDB tem, no seu programa, o parlamentarismo porque é uma forma que a gente enxerga como melhor, mas a gente sabe que não se muda radicalmente a forma de um governo, principalmente depois que foi feito um plebiscito”, relembrou. Ele completou que, no entanto, a reforma política é necessária. “Precisamos conseguir reduzir o número de partidos para melhorar o debate. A fragmentação entre tantos partidos acaba sendo um problema para o Brasil. Também defendo, e pratico, um único mandato, sem reeleição. Isso é muito importante para o Brasil para que a gente traga o foco para o ataque aos problemas”, disse. 

Leite defende uma agenda propositiva, não destrutiva, que una todo o Brasil em um sentimento de construção. “Esse ódio, a tristeza, a divisão, não é da natureza do brasileiro, um país de dimensões continentais e que todos falam a mesma língua. Isso está contaminando as famílias, as amizades. O brasileiro é alegre, e otimista, é da esperança, do acolhimento e do afeto. Queremos reacender esse sentimento, essa esperança e esse orgulho para nos libertarmos desse ódio que está dominando”, falou. 

Agenda de governo

A agenda do PSDB para a presidência é de combate da desigualdade e geração de oportunidades. “Não pode ser outra a agenda de um presidente”, acredita. “Há pessoas que já estão a margem de conseguir conquistar qualquer coisa através do seu esforço porque não tiveram educação, então o Estado tem o papel de estender a mão e puxar essas pessoas”, falou. 

Mas não os programas de assistência, disse, não serão suficientes se não houver a geração de oportunidades e educação, principalmente qualificação profissional na área de tecnologia, além de oferecer Educação Básica de qualidade.

Contudo, para que tudo isso seja possível, ele diz que é preciso equilíbrio fiscal e recuperação da credibilidade perdida devido à ameaça constante de ruptura institucional. “O PSDB sabe como enfrentar essa desestruturação econômica”.

Para finalizar, Leite citou tendência ao ESG (Environmental, social and corporate governance). “Parece difícil, mas nada mais é que respeito à diversidade. A diversidade que temos na nossa população, de cor, de raça, de gêneros, nos faz mais ricos e é uma alavanca para o desenvolvimento. Sem esquecer o respeito ao meio ambiente, já que somos o país com a maior biodiversidade do mundo”.