Vereadores repercutem liberação de evento pelo Município

A sessão da quarta-feira (12) da Câmara Municipal de Pato Branco foi marcada pelas homenagens aos profissionais da enfermagem, pelo Dia Mundial da Enfermagem, mas também pelas manifestações de vereadores quanto a realização do evento tido como um teste para avaliar a retomada de atividades em Pato Branco.

Os apontamentos formam feitos tanto no momento das considerações das lideranças partidárias, mas também dos próprios vereadores.

Brandão

Líder do Governo, Lindomar Brandão (DEM), afirmou ser “muito importante discutir sobre esse assunto”, segundo ele as imagens de vídeos são “impactante de início”, o que o levou buscar informações com órgãos responsáveis como Secretaria de Saúde, e Vigilância Sanitária para “entender o porquê da liberação e como ela ocorreu.”

O vereador pontuou que uma série de medidas adotadas para a realização do baile: “limitação de público de 17% da capacidade do ambiente; a não participação de pessoas dos grupos de risco; aferição de temperatura; uso de máscara; disponibilidade de álcool 70%; controle de fluxo, não só do ambiente, mas também da pista de dança, propiciando um distanciamento das pessoas; uso de tapete sanitizante na entrada; ventilação do ambiente; processo de limpeza constante nos ambientes comuns.”

Ainda em sua fala, Brandão afirmou que “nenhum outro estabelecimento em nossa cidade teve que obedecer tantas regras, um protocolo tão rígido como foi na situação de liberação deste evento”, ele lembrou que desde 23 de abril, a Portaria 3/2021 autoriza a realização de eventos.

Cristina Hamera

Vereadora pelo PV, Cristina Hamera ponderou que “foi um evento muito cedo para se acontecer”, ao mesmo tempo em que afirmou acreditar que “quem foi neste baile, foi por livre e espontânea vontade. Penso eu que ninguém foi coagido a estar presente neste baile”, porém, Cristina falou em ter “consciência do que podemos e do que não podemos [durante a pandemia].”

Ela ainda questionou, “Devo ou não devo me divertir? O que vou trazer de consequências para minha família, meu trabalho, meus amigos?” e concluiu, “a responsabilidade e a consciência é de cada morador, mesmo que tenha sido aberta [autorizado], temos que fazer a reflexão, não é o momento de ir.”

Biruba

“O empresário não tem culpa nenhuma, quem autorizou foi o Município de Pato Branco, ele atendeu o que a Vigilância colocou”, afirmou Claudemir Zanco, o Biruba (PL), que também comentou o fato de “usar a estrutura da Vigilância, da Saúde Pública, para fiscalizar se quem foi no estabelecimento contraiu a doença”, ao que disse estar “errado.”

Ele pontuou que “não estamos fazendo o dever de casa, de acompanhar as quase mil pessoas positivadas, que a Prefeitura ou esta estrutura [da Saúde], não está ligando, para ver como é que eles estão. Como é que vamos ter capacidade, para vigiar mais 375 pessoas?”. Lembrou ainda que, “observamos pelo mundo, onde as pessoas que já foram vacinadas, os eventos que lá ocorrem é com a comprovação do exame, que ninguém tem o covid. Se teve um dentro do baile positivado ou assintomático, todos vão pegar.”

Rafael Celestrin

O vereador Rafael Celestrin (PSD), também ponderou que “está muito cedo para abrir esses bailes. Todo mundo quer, mas está muito cedo. Enquanto nós não tivermos essa conscientização em massa da nossa população, o vírus não vai embora.”

Celestrin falou que “por mais que o baile tivesse aberto, ninguém foi obrigado a ir nesse baile, foi quem quis. Então, temos que trabalhar bem com a conscientização da população”. Ele lembrou ainda que alguns dos que foram ao evento, “são pais de alunos que voltaram para a escola esta semana, e podem estar contaminando os outros alunos da sala, os professores. Gera todo esse pandemônio novamente.”

Eduardo Dala Costa

Por dois momentos o vereador e líder do MDB, Eduardo Dala Costa sem manifestou sobre o tema. Primeiramente lembrando que “nossos empresários lutam dia a dia para levar o nome de nossa cidade de forma positiva, no âmbito estadual, no âmbito nacional”, lembrou as conquistas das equipes esportivas com a propagação do nome do município, e avaliou que o município passou a ser visto como motivo de chacota.

Para ele não é momento de realização de eventos desta natureza, com “os leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva], com taxa de ocupação acima do 100% e a nossa Vigilância Sanitária liberar um evento desta magnitude. Se estava no protocolo, torcemos para que não se aumente os casos, que as pessoas não usem esse baile, para estarem se aglomerando em suas casas, porque abre um precedente sem tamanho.”

Ele também questionou quem vai pagar a conta. “Vai pagar o empresário com seu pequeno negócio, que depois vai precisar fechar para evitar maior contaminação com esse vírus? E mesmo com toda essa repercussão negativa, vai ter mais autorização para esse tipo de evento? A que preço a gente libera esses eventos? A preço de vidas? Para mim, vida não tem preço, temos que tomar cuidado”, e pontuou que a ocupação de UTI está em 125% no município.

Romulo Faggion

Para Romulo Faggion (PSL) “não adianta ter tapete [sanitizante], [aferição] de temperatura, se você não consegue comprovar se a pessoa está com covid, ou não. Se uma pessoa, no meio de 375 está com covid, com certeza, vai dar problema e vai acarretar em problema no comércio de nossa cidade, e não pode acontecer isso.”

Ele também afirmou que “até segunda-feira, 11 horas, era baile, e depois ele virou baile teste”, ao que comentou que não questiona a postura dos proprietários do clube de dança, buscarem realizar o evento, mas a postura e liberação.

Faggion também comentou a nota oficial divulgada na quarta-feira, que atribuiu a imprensa a denominação de baile teste, e lembrou que partiu da própria Vigilância a definição.

Também lembrou que “teve gente que perdeu a vida, fazendo a aplicação do kit covid nas pessoas na nossa cidade, correndo atrás de dinheiro para comprar o kit [de tratamento] precoce, enquanto os outros ficam brincando com vidas?”

Ainda ao término da sessão Faggion destacou que “é uma situação não apenas da Vigilância, tem ainda um decreto [8.911/2021], assinado pelo prefeito na sexta-feira (7). Sem esse decreto, a Vigilância não teria liberado a situação. Isso é um absurdo”, disse ele, comentando que vai solicitar a listagem de todos os que estiveram no baile, “se é que ela existe. E se alguma dessas pessoas tiveram contaminadas, ou forem contaminadas neste período, vamos tomar as providências junto ao Ministério Público, apesar que o próprio Ministério também já está de olho nesta situação.”