Agropecuária

Adapar orienta população sobre recebimento de sementes não encomendadas

A Adapar orienta que o material não seja aberto, descartado e, muito menos, utilizado (Crédito: Adapar)

* Com assessoria

Na última semana, pelo menos dois municípios do Sudoeste receberam pacotes de sementes como “brindes” de produtos comprados pela internet, um na regional de Dois Vizinhos e outro caso em Clevelândia. A informação é do gerente de sanidade vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Renato Rezende Young Blood.

“Dentro do país está começando a ocorrer isso, do pessoal mandar ‘brindes’ junto com alguma encomenda, o que não é permitido. Teria que ter pelo menos nota fiscal, para sabermos a origem, aonde essa semente foi produzida e um termo de conformidade, que é o documento que atesta a qualidade dessa semente”, diz, acrescentando que nessas duas situações as sementes tiveram origem de São Paulo e Rio de Janeiro.

A única coisa que pode ser comercializada, com o mínimo de documentos, conforme Blood, são as sementes crioulas [ou seja àquelas tradicionais, que foram mantidas e selecionadas por várias décadas, por meio de agricultores tradicionais do mundo todo e que não possuem restrição para a sua multiplicação].

“São aquelas cultivadas na agricultura familiar, que vêm de longa data e não aquelas produzidas por empresas, com melhoramento genético”, explica o gerente de sanidade vegetal da Adapar, acrescentando: “No caso das sementes crioulas você pode até ter um comércio mais livre, sem documentos, porém, não sabemos se essas sementes são crioulas ou não”.

Cuidado

Blood explica que o maior risco em utilizar as sementes, sem averiguar a procedência, é a entrada de uma nova praga no Estado do Paraná. “O órgão de defesa agropecuário está preocupado em todo o material que entra no Estado, de origem vegetal. Precisamos ter a garantia de que não está trazendo junto um problema fitossanitário. Quanto às sementes que vêm de fora do país é pior ainda, porque podem trazer pragas exóticas. Por isso tem todo esse cuidado”.

Por via das dúvidas, Blood orienta que, caso alguém receba sementes sem documentação e solicitação, entre em contato com a Adapar. “A recomendação é buscar o escritório da Adapar. Se não puder trazer até nós, vamos buscar com um fiscal. Nesses casos nacionais, vamos tentar encontrar a origem e tentar entrar em contato com a pessoa que enviou, para justamente parar o problema”, diz, informando que após interceptado esse material é encaminhado para destruição.

Ainda, a instituição de defesa agropecuária orienta que o material não seja aberto, descartado e, muito menos, utilizado. Quem receber os pacotes deve procurar uma unidade da Adapar mais próxima, ou do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Também pode entrar em contato com a Adapar pelo telefone (41) 3313-4000 ou pelo Fale Conosco, disponível em www.adapar.pr.gov.br.

Endereços e telefones das unidades podem ser consultados utilizando-se este link: http://xoops.celepar.parana/migracao/seab_adapar/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=375.

Blood ainda lembra que a pessoa, que estiver encaminhando esse material, pode ser responsabilizada. “As sementes que estão vindo de fora do país não sabemos ainda de onde vêm. Mas, dentro do país, conseguimos inclusive enquadrar uma penalidade para essa pessoa que enviou”.

Consequências

O gerente alerta que a introdução de novas pragas, em áreas onde elas não ocorrem, acarreta aumento nos custos de produção, maior contaminação ambiental [devido à eventual necessidade de controle com agrotóxicos] e pode trazer ainda restrições ao comércio dos produtos vegetais.

“Isso gera impacto direto nas cadeias de produção vegetal e, consequentemente, na economia do Estado. Portanto, contamos com a colaboração de todos, seguindo as orientações da Adapar e do Ministério da Agricultura, a fim de proteger a nossa agricultura” disse, finalizando que, até a tarde da última sexta-feira (9), houve o registro de 47 casos no estado de recebimento de sementes não encomendadas.

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