Região

Equoterapia em universidade auxilia pacientes de Itapejara D’Oeste

Bernardo participa das sessões há dois anos, o que motivou outros pacientes de Itapejara a também fazerem a equoterapia (Crédito: Elisângela Neves)

“É incrível o que a equoterapia pode fazer na criança. Eu mesma pensava que era apenas andar no cavalo. Hoje, penso totalmente de outra forma, pois meu filho, em especial, não falava praticamente nada. Com quatro ou cinco meses de terapia, ele começou a falar”, relata Elisângela Neves, mãe de Bernardo, de seis anos.

Eles moram em Itapejara D’Oeste e, em fevereiro de 2019, buscaram esse tratamento alternativo para o menino, que tem autismo. Os pais de Bernardo ficaram sabendo, pela internet, que era oferecido no Centro de Equoterapia, pela Unisep em Dois Vizinhos, e, assim, resolveram experimentá-lo.

“O Bernardo foi diagnosticado com autismo há dois anos e o neurologista que o acompanha recomendou essa terapia, tendo em vista que já há algum tempo ele fazia outras. Assim, entrei em contato com a universidade e começamos o tratamento”, conta a mãe, informando que o menino vai às sessões uma vez por semana.

Elisângela considera o desenvolvimento do filho tanto à equoterapia, como aos demais tratamentos que ele já vinha fazendo. “Na minha opinião, é um conjunto, mas posso destacar que a equoterapia foi fundamental para a evolução da fala, além da socialização [nesse caso, nada excessivo, até porque meu filho é muito sensitivo; então de algumas pessoas por natureza ele se esquiva]”.

Outro ponto que ela destaca que melhorou após iniciar o tratamento, é que Bernardo não costumava antes ter a imaginação de brincar de faz de conta.

“Depois de algum tempo, ele começou a imaginar que estava fazendo comidinha, comendo. Também de brincar com as bonecas da minha filha, dando ‘mamá’ e colocando para dormir. Coisa que ele nunca tinha feito antes. Então, às vezes, são coisas que parecem ser tão pequenas, mas que no dia a dia se você prestar atenção contam muito”.

Crédito: Elisângela Neves

Experiência e parceria

No início deste ano, em conversa com o diretor do Departamento de Saúde de Itapejara D’Oeste, Aran Klein Fernandes, sobre a possibilidade de outras terapias para o menino, Elisângela diz que mencionou na oportunidade a experiência positiva que a família está tendo com a equoterapia.

“Com isso, resolvemos entrar em contato com a professora responsável pela equoterapia na universidade e firmamos essa parceria, para levarmos essas pessoas até Dois Vizinhos. Os atendimentos para quem é de Itapejara são nas quintas-feiras pela manhã. Então fazemos esse translado com os pacientes e os responsáveis”, conta Fernandes.

Segundo ele, são sete crianças de Itapejara D’Oeste que fazem esse tratamento, disponibilizado gratuitamente pela instituição de ensino. “Estamos verificando com eles a possibilidade do aumento de pacientes irem para lá, porque temos mais pacientes que têm interesse”.

Outras ações

Conforme Fernandes, a ideia é que o Município busque outras parcerias, bem como sejam implantadas outras ações, como musicoterapia, terapia ocupacional e psicopedagogia. “O momento não é oportuno para isso, devido à pandemia, mas a ideia é buscarmos mais ações nesse sentido”.

Como funciona

A equoterapia é um método terapêutico, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais. A atividade foi implantada na universidade há 14 anos.

“O estágio em equoterapia faz parte da grade curricular para formação dos nossos acadêmicos, e a Unisep queria que nossa região pudesse ser beneficiada com uma atividade terapêutica que fosse diferente e eficaz. Por isso, optamos em montar o Centro de Equoterapia”, explica Bernardete Oliveira, fisioterapeuta, professora do curso de Fisioterapia e supervisora do estágio em equoterapia”.

Ao todo, por semana, são atendidas cerca de 85 pessoas [vindas dos municípios em parceiras e particular], das quais 75 são crianças — a partir de dois anos de idade — e dez são adultos. Elas são tanto de Dois Vizinhos e Itapejara D’Oeste, como também de outros municípios, como Cruzeiro do Iguaçu, Nova Prata do Iguaçu, Salto do Lontra e São Jorge D’Oeste.

Estão envolvidos no Centro de Equoterapia um professor e oito alunos. Além de quatro animais para a prática [todos mantidos pelo próprio Centro Universitário, os quais recebem cuidados assistenciais pelo curso de Veterinária].

Os atendimentos ocorrem pela parte da manhã, de segunda a sexta feira, sendo que cada sessão de equoterapia tem 30 minutos. “As pessoas são atendidas por acadêmicos do curso de Fisioterapia, que estão na fase final de sua formação e são supervisionados por mim”, diz Bernardete.

Para a supervisora, a parceria com os municípios é uma via de mão dupla, em que os acadêmicos têm a oportunidade de contato com novos praticantes. “E estes, é claro, na contrapartida, recebem a avaliação, o acompanhamento e o atendimento, oportunizando assim troca de conhecimento e aprendizagem”.

Benefícios

A atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio. Também estimula a sensibilidade tátil, visual, auditiva, olfativa, melhorando a integração sensorial e motora, socialização, melhora da ansiedade, medos e traumas.

“A interação com o cavalo — incluindo os primeiros contatos, os cuidados preliminares, o ato de montar e o manuseio final — desenvolvem nesses pacientes a socialização, a autoconfiança e a autoestima, incluindo fases durante as sessões, como: de descoberta, quando eles vencem o medo do cavalo; exploração do cavalo, cabeça, focinho, boca, orelhas, cauda, patas; e fase de ruptura, ou seja, a separação do seu amigo cavalo”.

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