Região

Etapa da escavação do túnel de Francisco Beltrão chega ao fim

Foto: Jonathan Campos

A escavação do túnel de contenção de cheias em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado, termina nesta quinta-feira (3). As obras colocam ponto final na parte mais impactante da intervenção: a estrutura de 8 metros de altura e 1,2 quilômetro de extensão que passa embaixo do município. Esse trabalho final foi executado por 70 funcionários em ritmo intenso.

Com a conclusão do túnel, a obra, que é dividida em mais partes, alcança 62,5% de execução. Os próximos passos serão iniciados ainda neste ano e envolvem a construção das comportas e a escavação do Córrego Urutago para mudar o sentido da água que alaga a cidade em dias de temporal. O caminho natural da vazão será encurtado em quatro quilômetros, favorecendo uma queda lenta e gradual até o desemboque no rio Marrecas, no bairro Padre Ulrico.

Evitar enchente

A obra como um todo está prevista para terminar apenas em 2021. O túnel e as estruturas correlatas vão evitar, de uma vez por todas, as enchentes que são parte da história do município e que já geraram perdas sociais e financeiras incalculáveis para os moradores.

O investimento do Governo do Estado é de R$ 29 milhões nesse projeto de escavação, inédito em uma cidade do Interior do País, e de R$ 50 milhões ao todo.

“Essa é uma obra debatida há muitos anos dentro do município e que resolverá os problemas com as cheias dos rios que passam no perímetro urbano. Francisco Beltrão conseguiu encontrar uma solução ousada, dentro do escopo ambiental necessário, e conta com apoio do Estado. Esse projeto é uma realidade visível”, afirma o governador Ratinho Junior. “É uma obra marcante e que conseguimos priorizar dentro das necessidades do Sudoeste”.

Execução

O túnel começou a ser construído em duas frentes, no Parque de Exposições Jayme Canet Júnior e no bairro Padre Ulrico. Elas se encontraram em 24 de setembro. As escavações foram feitas com 5 metros de altura por 5 metros de largura, e desde que as obras se uniram começou o processo de rebaixamento de rocha em mais 3 metros, gerando os 8 metros de altura do projeto original.

O túnel fica a 62 metros no ponto mais alto embaixo da terra e terá capacidade de vazão de 285 metros cúbicos por segundo. Do emboque ao desemboque o túnel é formado por uma rampa com inclinação mínima de 0,5% para as águas não alcançarem velocidade muito intensa. A diferença da entrada para a saída será de 6 metros, quando as águas encontrarão o Rio Marrecas.

O próximo passo envolve a construção de uma comporta basculante de aço com 12 metros de comprimento e 4 metros de altura, com 20 toneladas de peso. Essa estrutura de concreto e aço ficará dentro do parque de exposição Jayme Canet Júnior, no emboque do túnel. Abaixo da comporta haverá, ainda, uma “gaveta” de menor porte para possibilitar fluxo contínuo em baixa vazão e para manter fluxo de água dentro do túnel. Essa estrutura fica pronta em fevereiro.

Há, ainda, outras duas etapas. Uma delas é o aprofundamento e alargamento do rio Marrecas no perímetro urbano, o que o deixará retilíneo e estável, somado a um projeto de um parque linear com ciclovias, calçada, iluminação pública e academias ao ar livre. A segunda etapa será a construção de uma barragem com as rochas retiradas do túnel fora do perímetro urbano, a cerca de 1,5 quilômetro do ponto em que o rio entra no município em direção à nascente (a montante), em Marmeleiro.

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