Região

Incidência de sífilis no Sudoeste diminui em mais de 72%

O teste para sífilis pode ser realizado, gratuitamente, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de cada município - Foto: Kássio Pereira

A redução nos casos pode estar sendo mascarada tanto pela ausência de sintomas quanto pela pandemia, que contribuiu para a diminuição na procura pelo sistema de saúde

Neste sábado (17), é lembrado o Dia Nacional de Combate à Sífilis. Neste ano, a região sudoeste do Paraná, assim como todo estado, celebra a data com dados mais positivos do que os apresentados no ano anterior. Conforme o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), de janeiro a setembro de 2020 foram contabilizados 666 casos da doença em todo o Paraná contra 1.028 registrados no mesmo período no ano anterior.

No Sudoeste, os dados apontam para uma diminuição de 72,49% nos casos de sífilis, pois, de janeiro a setembro deste ano, as 7ª e 8ª Regionais de Saúde contabilizaram 19 contaminados com a doença. No ano passado, no mesmo intervalo de tempo, haviam sido apontadas 69 pessoas com sífilis na região

7ª Regional de Saúde

De janeiro a setembro deste ano, a microrregião de Pato Branco, coberta pela 7ª Regional de Saúde (RS) e composta por 15 municípios do Sudoeste, contabilizou oito casos de sífilis, de acordo com o Sinan. Na micro, os municípios de Chopinzinho [2], Itapejara D`Oeste [1], Mangueirinha [3], Mariópolis [1] e Pato Branco [1] são os que apresentam contaminados.

Em comparação com o mesmo período de 2019, a regional teve uma redução de 78% na incidência de casos. No ano passado, casos de sífilis foram registrados em Chopinzinho [2], Clevelândia [4], Coronel Vivida [2], Honório Serpa [2], Itapejara D`Oeste [4], Mangueirinha [4], Palmas [10] e Pato Branco [9].

Ranking de contágio

Com a queda nas notificações de casos em todo o Paraná, a microrregião de Pato Branco passou da 6ª posição no ano passado para a 11ª colocação no ranking estadual de casos em 2020. Assim como a micro da 7ª Regional, a área de Francisco Beltrão, que também compõem o Sudoeste, saiu da 7ª para a 10ª posição.

No estado, a microrregião Metropolitana de Curitiba é a que mais contabiliza casos de sífilis, tendo registrado 207 casos da doença nos primeiros nove meses deste ano.

Além da regional de Curitiba, as de Maringá [120], Foz do Iguaçu [114], Paranaguá [55], Londrina [39] e Cascavel [26] são as que mais registram casos no Paraná, mesmo tendo apresentado uma queda em comparação com o ano de 2019.

Eliminação da Sífilis Congênita

Recentemente, Sulina e Vitorino receberam a Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical da Sífilis Congênita — esses são os únicos municípios a atingirem a meta no Sudoeste.

Para conseguir a certificação, o município precisa preencher uma série de critérios estabelecidos, no fim de 2019, pelo governo do Paraná. Entre os critérios, o município precisa apresentar uma taxa de incidência da doença de 1,5 caso a cada mil nascidos vivos, nos últimos três anos; ter uma proporção menor que 20% de crianças menores de 1 ano com sífilis congênita nos últimos 3 anos e de até 80% das gestantes com tratamento adequado para sífilis nos 2 últimos anos, entre outros critérios.

Afinal, diminuíram os casos de sífilis?

A farmacêutica da divisão de Vigilância em Saúde da 7ª RS, Mara Rúbia Boschi de Mello, explica que, mesmo com uma diminuição nas notificações de casos, a contaminação por sífilis pode estar ocorrendo. “Pode ocorrer a não identificação do agravo pelo serviço de saúde, pois, a sífilis possui alguns sintomas que se confundem com outras doenças ou, em alguns casos, os pacientes apresentam pouco ou nenhum sintoma ou estão no período de latência da doença”, disse.

Segundo Mara, o medo de se expor ao coronavírus tem levado muitas pessoas a não procurar o serviço de saúde. Para ela, isso também pode estar contribuindo para a diminuição das notificações de sífilis. “A sífilis é uma doença de notificação compulsória às autoridades de saúde, ou seja, implica em responsabilidades formais para todo cidadão. Todos os profissionais de saúde devem estar aptos a reconhecer as manifestações clínicas da doença, assim como interpretar resultados dos exames laboratoriais que desempenham papel fundamental no controle da infecção e permitem a confirmação do diagnóstico e o monitoramento da resposta ao tratamento”, frisou Mara.

Transmissão, sintomas e combate da sífilis

A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem preservativo com uma pessoa infectada ou para a criança durante a gestação ou parto. Para detectar a doença as pessoas podem realizar teste rápido ou laboratorial. Os exames podem ser feitos, gratuitamente, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de cada município, e em alguns casos no hospital.

O tratamento da sífilis é realizado com antibióticos e depende do estágio da doença e do estado do paciente. Apesar de ser curável, não pode levar anos para ser tratada, pois, pode evoluir para formas mais graves podendo comprometer os sistemas nervoso e cardiovascular dos contaminados.

Mara alertou que a maioria das pessoas com sífilis tende a não ter conhecimento da infecção, podendo transmiti-la a seus contatos sexuais, devido à ausência de sintomas. Por isso, ela ressalta a importância do uso do preservativo durante a relação sexual.

Estágios da doença

Conforme Mara existem quatro estágios da doença. Sendo as duas primeiras mais visíveis e com mais sintomas, onde, uma ferida pode aparecer em locais como pênis, vagina, e outras partes do corpo humano. Normalmente, segundo ela, essa ferida não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de caroços na virilha.

Já no estágio secundário, como aponta Mara, podem ocorrer manchas no corpo que geralmente não coçam. Nesse período pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo.

Nos últimos dois estágios finais da doença — fase latente (oculta) e fase terciária — ela só pode ser detectada por meio de testes sorológicos. A sífilis latente tem duração variável e pode ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária, que conta com sintomas como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo até mesmo levar à morte.

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