Indústrias da região registram aumento na produção de utensílios domésticos

Considerado um importante polo de produção de panelas e fogões, Sudoeste é casa das maiores empresas do ramo no Brasil, entre elas a líder na fabricação de panelas de pressão

Em 2020, ao contrário do que muitos setores registraram, a indústria metalomecânica do Sudoeste teve um crescimento de 20% a 25% em seu faturamento anual. Isso porque, empresas do ramo, que fabricam utensílios domésticos, registraram grande aumento em suas vendas.

Conforme Olcimar Tramontin, presidente regional do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Sindimetal), o sudoeste do Paraná é destaque na fabricação de utensílios de cozinha.

“Nós somos muitos fortes no ramo. Aqui, temos as maiores empresas do setor”, disse completando, “em Palmas temos a segunda maior produtora de panelas do Brasil, em Marmeleiro temos uma empresa que fabrica, ao ano, cerca de dois milhões de panelas e em Pato Branco temos uma gigante na produção de fogões”. Na região, além desses municípios, Dois Vizinhos e Francisco Beltrão [com cerca de 70 microempresas do ramo] também são destaques no segmento.

Segundo Tramontin, esse crescimento, que em algumas empresas maiores chegou a 60%, se deu principalmente pelo fato das pessoas estarem passando mais tempo em casa, “o que as levou buscar por mais conforto”, comentou lembrando que no ano passado, o número de pessoas trabalhando em home office, por conta das medidas de prevenção a covid-19, aumentou.

A fala do presidente do Sindimetal faz ainda mais sentido quando se observam os dados nacionais. Segundo um levantamento, feito pela empresa Vagas.com, em 2020 houve um aumento de 309% nas ofertas de emprego no modelo home office.

Se levar em conta que em 2018 uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrava que 3,8 milhões de brasileiros trabalhavam dentro de casa, é possível dizer que ao menos 15 milhões de pessoas aderiram ao modelo de trabalho no ano passado, tendo em vista que o dado comparativo inicial é com base em 2018, sem atualização de 2019 e não conta o número de pessoas já empregadas que também passaram a trabalhar em home office.

Ofertas de emprego

Do início da pandemia do novo coronavírus, ainda em março de 2020, até o fim do ano, aproximadamente, duas mil vagas de trabalho foram abertas pelo setor metalmecânico na região. Segundo Tramontin, mesmo com todas as contratações, ainda há uma grande oferta de trabalho para o setor no Sudoeste.

“Ultimamente, nós nem estamos procurando mão de obra qualificada. Só procuramos por pessoas que querem trabalhar. Mesmo sem qualificação as empresas estão contratando e depois providenciam a qualificação”, relata.

Conforme Tramontin, municípios de Pato Branco, Francisco Beltrão, Dois Vizinhos, Marmeleiro e Palmas são os que mais precisam de mão de obra para o setor. “Em Pato Branco, tem ônibus vindo de outros municípios, e em quantidade muito grande, porque só a mão de obra do município não vence a demanda”, completou.

Crescimento na pandemia

Fundada na década de 1990 e situada em Marmeleiro, a empresa MTA, reconhecida nacionalmente por sua produção de utilidades domésticas para cozinha, registrou na pandemia o seu maior faturamento ao longo de seus 29 anos, — crescimento de 35 %.

Com uma produção anual estimada em dois milhões de peças, a empresa se destacou em 2020 e bateu recorde de crescimento, tendo em junho (mês de maior crescimento), apresentado um faturamento, entre 70% a 80%, superior ao registrado em 2019, no mesmo período.

José Fernando Ogura/AEN
José Fernando Ogura/AEN

Eduardo Froza, diretor comercial e de marketing da empresa, relembra que os índices passaram a ser obtidos a partir de maio, quando as vendas começaram a aumentar. “Quando houve a retomada [do setor, após estagnação por conta da pandemia], a maioria dos nossos concorrentes não tinham produção e nem estoque para vender o que o mercado consumia. Então nós, e outras marcas, como a própria Tramontina, pegamos essa parcela, porque outras médias e pequenas empresas não conseguiram suprir a demanda. Era um momento em que empresas com produto em estoque, estavam vendendo.”

Segundo o diretor comercial, ter trabalhando no início da pandemia com quadro de funcionários reduzido ajudou no processo, pois, possibilitou que a empresa tivesse estoque para suprir a demanda do mercado.

Nesse período, a MTA começou a vender seus produtos para países da América Latina, como Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia. Hoje, a empresa sudoestina está presente em todos os estados brasileiros, mas ainda mantem no Sudoeste seus principais clientes.

Além de ampliar seu público, a empresa também aumentou o número de representantes pelo país e inovou com novas linhas de panelas, lançadas na pandemia. Diante de seu considerável crescimento, pela primeira vez em 29 anos, conseguiu pagar o 14º salário para seus funcionários. “Só não fizemos mais pela falta da matéria-prima e a inflação sobre os produtos.”

Para Doris Froza, proprietária da empresa, mesmo com as dificuldades, não só financeiras que vem sendo enfrentadas nesta pandemia, há um sentimento de gratidão e agradecimento a todos seus funcionários e clientes. “Agradecemos e sempre fazemos algo para surpreender da melhor forma possível o cliente. Mesmo com a pandemia, temos que ser otimistas porque assim é mais fácil enfrentar os problemas”, disse.

Sudoeste: casa da maior produtora de panelas de pressão do Brasil

Com sedes em Palmas e Francisco Beltrão, a Panelux, pertencente ao grupo Alcast, é a maior fabricante de panelas de pressão das Américas e do Brasil, onde também é considera a segunda maior fabricante de panelas em geral do país.

Divulgação

Em entrevista à Agência Estadual de Notícias (AEN), em outubro do ano passado, o presidente da empresa, Abelson Carles, afirmou que cerca de 400 mil panelas de pressão são fabricadas na empresa por mês.

Hoje, segundo o presidente, a empresa líder no ramo, comercializa seus produtos para todo Brasil e para alguns países pertencentes ao Mercosul, como Chile, Bolívia e Colômbia e gera 800 empregos diretos, distribuídos entre Francisco Beltrão, que é onde ocorre a fundição e laminação do alumínio, e Palmas, local em que acontece a produção das panelas.

No ano passado, conforme Carles, a Panelux produziu cerca de nove milhões de peças, das quais quatro milhões eram panelas de pressão. “Tivemos um crescimento de cerca de 10% em relação ao ano de 2019.”

Atlas: Líder dos fogões é de Pato Branco

A empresa pato-branquense é considerada uma empresa âncora na região, sendo a maior geradora de empregos no Sudoeste, ao promover 1.800 empregos diretos — dados da AEN também publicados em outubro de 2020.

José Fernando Ogura/AEN
José Fernando Ogura/AEN

“A fábrica produz fogões das marcas Atlas e Dako, com uma capacidade produtiva de 12 mil unidades por dia. Anualmente, são 2,5 milhões de peças. Os produtos são vendidos para todo o Brasil, sendo que a região Sudeste é a maior consumidora”, informava a matéria na época.

Entenda a capacidade de produção da região

Esse fortalecimento do setor de utensílios domésticos e destaque perante todo país, teve início em 2018, após o reconhecimento oficial de Arranjo Produtivo Local (APL), ou seja, após a região ter sido reconhecida como uma forte produtora de utensílios de alumínio.

Conforme dados do Governo Estadual, a região Sudoeste concentra um importante polo de produção de panelas e fogões. A região se especializou no segmento e, hoje, além das fábricas, conta com fornecedores e outras empresas diretamente ligadas a ele, movimentando a economia local.

Atualmente o Sudoeste, com cerca de 80 empresas associadas ao APL, é o segundo maior polo industrial de panelas do Brasil, perdendo apenas para o estado de São Paulo que concentra dezenas de grandes e pequenas fábricas.