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Leia Mulheres de Francisco Beltrão e de Pato Branco realizam primeiro encontro do ano

Livro “Da África ao Rocio São Sebastião - Quilombo de Palmas/ PR Brasil” está a venda com participantes do Leia Mulheres - Crédito: Divulgação

A obra debatida na reunião, que ocorrerá no sábado de forma online, é de uma quilombola residente em Palmas

Nesse sábado (27), o clube de leitura Leia Mulheres de Francisco Beltrão e de Pato Branco realizarão o primeiro encontro do ano, seguindo todas as medidas de prevenção a covid-19, de maneira online. Desta vez, a obra debatida será “Da África ao Rocio São Sebastião – Quilombo de Palmas/PR Brasil”. A autora, é a sudoestina Maria Arlete Ferreira da Silva.

Para participar do encontro, que ocorrerá as 18h e será aberto a todos os gêneros com interesse em leitura, basta entrar em contato, pelo Instagram, com o Leia Mulheres de Francisco Beltrão (leiamulheresfbe), ou de Pato Branco (@leiamulheres_patobranco).

Saiba como funciona o Leia Mulheres

Com o objetivo de incentivar a leitura de obras com autoria feminina, o clube de leitura, reúne, mensalmente, pessoas para discutir obras de diversas mulheres, com temáticas relevantes, pois, como o Leia Mulheres Francisco Beltrão explica, “não basta apenas ler mulheres, precisamos observar que a pluralidade que o termo abrange coloca mulheres em posições de privilégios diferentes a depender dos marcadores sociais de raça, classe social, identidade de gênero e orientação sexual que as atravessam.”

Para o Lei Mulheres, ler livros escritos pelo sexo feminino, é uma forma de questionar o mercado editorial e repensar como ocorre o processo de escolha dos autores. Justificando seus objetivos, o clube de leitura relembra que “no passado muitas mulheres escritoras precisaram usar pseudônimos masculinos, pois, suas obras não eram consideradas, suficientemente, científicas ou literárias para ser publicadas.”

Em 2021, diferente dos anos anteriores, o Leia Mulheres Francisco Beltrão indicará, todos os meses, para a leitura, escritas de mulheres negras.

Entenda os encontros

Na prática, os participantes recebem a indicação de uma obra e tem um tempo para ler e analisar o material. Nos encontros do clube de leitura, que até antes da pandemia aconteciam presencialmente, além dos leitores, existe um mediador, sempre do sexo feminino e, em algumas ocasiões, uma pessoa convidada, para contribuir com o debate sobre a obra da vez.

Maria Arlete Ferreira da Silva

A quilombola Maria Arlete Ferreira da Silva é professora, filósofa e autora de um livro
Crédito: Marcilei Rossi/ Arquivo Diário do Sudoeste

Quilombola residente em Palmas, Maria Arlete Ferreira da Silva, tem 77 anos de idade e muita história para contar. Descendente de escravos, teve em sua família, até a geração de sua mãe, a escravidão presente.

Segundo ela, sua avó veio de Guarapuava para Palmas trabalhar como escrava junto com seus senhores da época que se mudaram para o município, e seu avô veio do Rio Grande do Sul, fugindo da Guerra do Paraguai, e também foi escravo em Palmas. Os filhos mais velhos do casal também vivenciaram a escravidão. Anos depois, sua mãe e seus irmãos mais novos, não precisaram passar pela mesma situação, tendo ali se encerrado o ciclo da escravatura na família.

“Minha tia mais velha passou pela escravidão mas não sofreu igual a irmã da minha avó, que teve sua orelha furada com pregos e mãos queimadas com brasas”, conta lembrando que a avó não sofreu tanto quando a irmã.

Dona Arlete, como é popularmente conhecida, casou-se aos 15 anos de idade e teve cinco filhos. Mais tarde, já com 37, decidiu estudar e se formou no Magistério. Anos depois, em 1989 se graduou em Filosofia, da qual mais tarde investiu em uma pós.

No auge de seus 74 anos, já reconhecida por seu lugar de fala e suas palestras referentes aos quilombolas no Brasil, escreveu o livro “Da África ao Rocio São Sebastião – Quilombo de Palmas/ PR Brasil”. Na obra, relata a história de sua família e suas memórias. Atualmente, a quilombola trabalha na produção de sua segunda obra.

Toda a história de dona Arlete e da escravidão em Palmas pode ser conferida na reportagem produzida para a revista Vanilla.

https://media.diariodosudoeste.com.br/2020/10/5ad1829a-revista-vanilla-ed-35.pdf

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