Região

Longo período sem chuvas afeta abastecimento de água e agricultura no Sudoeste

Com a seca, produtores precisaram plantar o trigo e o milho no pó, com a expectativa de chuvas futuras - Crédito: Arquivo Diário do Sudoeste

Seca compromete a qualidade produtiva de culturas na microrregião de Pato Branco e o abastecimento de água nos municípios de Dois Vizinhos e Palmas

De junho de 2019 até setembro deste ano, o Sudoeste do Paraná registrou apenas 66% do mínimo de chuvas necessário para evitar a seca. Conforme o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o ideal para a região seriam, pelo menos, 2.457 mm de chuvas.

O último período em que as chuvas no Sudoeste não atingiram a média mínima foi durante junho de 2007 a setembro de 2018. Na época, somente 1.429 mm de chuva foram registrados.

De acordo com o meteorologista do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Reinaldo Kneib, este momento pode ser considerado como de extrema seca porque “está afetando o abastecimento, a agricultura e a produção de energia elétrica.”

Abastecimento

Ao Diário do Sudoeste a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) informou que os municípios de Dois Vizinhos e Palmas já estão em alerta, onde operam, em seu abastecimento de água, com uma redução de 30% de sua capacidade. “Dependendo da dinâmica de consumo, pode ocorrer falta de água temporária”, disse a Sanepar.

No entanto, nos outros 40 municípios do Sudoeste o abastecimento está ocorrendo normalmente até o momento, pois, como informou a companhia, após as últimas chuvas o nível dos mananciais começaram a se estabilizar. Por isso, não há uma previsão para rodízios na região.

A Sanepar informou ainda que a estiagem, ou seja, a falta de chuvas por um longo período é comum em anos de La Niña. Segundo a companhia, uma seca como essa na região ocorreu há cerca de 40 anos.

Racionamento de água

A Sanepar orienta que a população utilize, neste momento, a água de forma consciente, priorizando a alimentação e higiene pessoal. “Reduza o tempo de banho, feche a torneira na escovação dos dentes e use um copo para o enxágue, espere acumular a louça para lavar, reaproveite a água da máquina de lavar para as calçadas e utilize balde em vez de mangueira para lavar carros.”

Agricultura

A falta de chuvas, neste ano, prejudicou principalmente o setor da agricultura. Conforme Ivano Carniel, técnico agrícola do Núcleo Regional de Pato Branco da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), houve uma diminuição na produtividade das culturas em função das geadas e do período seco. “Estimávamos um rendimento médio de 3.200 quilos por hectares. Porém, estamos apurando no campo que esse rendimento médio está girando em torno de 2.600 quilos por hectare.”

A condição do milho, plantado recentemente na região, também foi comprometida com a seca e já está sendo visível nos primeiros brotos. Conforme o técnico agrícola, alguns municípios já alertam o comprometimento do potencial produtivo da cultura.

Em contrapartida, como explica Carniel, a seca proporcionou um excelente ritmo de colheita na microrregião. “Já apuramos em torno de 95% da nossa área colhida”, contou.

O técnico da Seab orienta que os produtores façam o plantio da soja e do milho mesmo com a seca. “Façam o plantio no pó aguardando a confirmação das previsões meteorológicas e ocorrências de chuvas, para poder dar a condição de desenvolvimento inicial satisfatório em suas lavouras.”

Previsão de chuvas

Durante a tarde de sábado (24) até a segunda-feira (26) há previsão de chuva para o Sudoeste. No entanto, conforme explica Kneib, mesmo que chova os 50 mm esperados, o problema da seca não será resolvido. “No início de novembro o clima ainda deve ser bem irregular, em termos de chuva. Claro que, em alguns momentos isolados, pode chover bastante. Mas, regularidade de chuvas, tudo indica que vai ocorrer só no verão ou ano que vem”, explicou.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima