Região

Pedras com aparência exótica são encontradas no interior de Clevelândia

Pedras encontradas por seu Lombardi em uma estrada que leva a sua propriedade - Crédito: Jéssica Procópio

Apesar de seu aspecto peculiar, as rochas são o resultado de um lento processo de deposição de sílica, que se refere a compostos de dióxido de silício, encontrado em rochas e areias

A cerca de três anos, o proprietário de uma casa na comunidade Serrano Alto, interior do Município de Clevelândia, encontrou, na propriedade, duas pedras de aparência exótica.

Seu Idalécio Luiz Lombardi, contou ao Diário do Sudoeste que achou as pedras após utilizar uma máquina escaveira para alterar o trajeto da estrada que leva até sua propriedade. “Eu mudei a estrada com a draga, e uma semana depois de mexer na terra, achei a pedra maior. Dois meses depois, achei a segunda, que apareceu depois de uma chuva”, contou explicando que a pedra menor foi encontrada por ele a três meses.

Lombardi explica que a curiosidade em saber sobre a procedência das pedras surgiu quando teve conhecimento da existência de sítios arqueológicos na região. “No meu entender [quando vi a pedra] dava a impressão que era uma cabeça de jacaré”, conta, brincando.


As rochas foram encontradas após uma escavação feita em uma estrada da comunidade Serrado Alto, no interior de Clevelândia

As pedras

De acordo com a professora do curso de Agronomia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Câmpus Pato Branco, Nilvania Aparecida de Mello, as pedras, apesar de apresentarem um formato exótico, são bastante comuns.

Segundo ela, a partir de fotos das pedras, é possível entender que se trata de um tipo muito particular de geodo [cavidade oca encontrada nas rochas, cujo interior é revestido de cristais ou de matéria mineral]. “São formados devido ao aquecimento da água pelo magma quente, que dissolvia os minerais num local e os depositava em outros, dando origem a estas formas esquisitas, que para os leigos são estranhas, mas na verdade são resultado de um lento processo de deposição de sílica”, explicou.

História

Conforme Nilvania, as rochas encontradas contam a história de milhões de anos, sendo assim “verdadeiras testemunhas da história geológica do Paraná nos últimos 300 milhões de anos.”

Segundo a professora, o processo delas teve início ainda na era Mesozoíca, a cerca de 250 milhões de anos, com o derrame de magma (conhecido como Derrame do Trapp). “Depois, teve um lento processo de resfriamento e a formação de espaços e de bolhas, devido aos gases presentes do magma. Mais tarde, a água penetrou nestas bolhas [presentes nas pedras] e, lentamente, as preencheu com minerais, principalmente a sílica amorfa, num processo bem semelhante ao que forma as estalactites e estalagmites numa caverna [estruturadas de rochas sedimentares formadas dentro das cavernas] ”, explica.

Para fazer uma análise mais profunda sobre a procedência das rochas, Nilvania comenta que seria necessária uma amostra das pedras encontradas por seu Lombardi. Porém, segundo ela, mesmo a partir das fotos é possível afirmar ser pedras comuns, devido ao processo do Derrame do Trapp.

Comunidade Serrano Alto

A comunidade onde Lombardi possui terras, também conhecida por Volta do Matumbo, é localizada a aproximadamente 60 km do centro de Clevelândia e a 31 km do Município de Mariópolis. Serrano Alto, é uma localidade margeada pelo rio Chopim, e por isso, estudos já vem sendo realizados no local para a construção de uma possível barragem.

Sítios arqueológicos

No Sudoeste do Paraná, existem alguns sítios arqueológicos, que foram descobertos durante o processo de construção de algumas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Usinas Hidrelétricas.

Conforme informações disponíveis no site da Espaço Arqueologia, municípios de Coronel Domingos Soares, Palmas, Capanema, Bom Sucesso do Sul e Francisco Beltrão possuem alguns sítios em investigação técnica.

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