Região

Sudoeste está preparado para o pós-pandemia?

Mesmo sendo um momento bastante delicado, em que a pandemia da Covid-19 continua presente no Brasil, o sudoeste do Paraná começa a se preparar para o período pós-coronavírus, sobretudo em relação à economia.
Em todo o Sudoeste, mais de 5.000 empresas fazem parte de alguma das 36 associações empresariais existentes na região. A informação é da Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Sudoeste do Paraná (Cacispar).
Dessas, segundo a entidade, somente ficaram fechadas as empresas ligadas a setores não essenciais. “O comércio essencial não chegou a ficar fechado”, diz o presidente da Cacispar, Carlos Manfroi.
Ele afirma que, como forma de motivar os comerciantes durante esse período de pandemia, a Coordenadoria tem trabalhado em conjunto com as associações empresariais para repassar aos empresários as informações sobre decretos e legislações estaduais e federais, de forma simples e clara.
“Além disso, procuramos apresentar alternativas para manutenção das empresas durante a crise, como os fundos de aval para garantias de crédito e linhas de financiamento governamentais, com apoio da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap)”, informa.
Ainda, segundo Manfroi, as associações empresariais têm trabalhado junto aos comitês gestores municipais para levar as preocupações e a realidade atual do segmento, para que decisões possam contemplar tanto a prevenção à saúde, quanto a manutenção da economia, dos empregos e da renda.
O presidente da Coordenadoria acrescenta que a Faciap e a Cacispar têm trabalhado, em conjunto com as associações, “para a conscientização dos empresários para a prática de preços justos e também de valorização dos negócios locais. São formas de manter a economia em funcionamento, até que a situação volte ao normal”.

Francisco Beltrão
Para o empresário beltronense, Roberto Pecoits, a indústria sudoestina está tentando entender o que aconteceu. “Mas algumas coisas já se podem ver. Alguns setores sofrem muito e outros conseguem se manter, como, por exemplo, quem produz gêneros alimentícios de consumo de primeira necessidade [como frigoríficos e laticínios], e comércio [supermercados]. Já os setores que têm peso na região sudoestina [com grande destaque para a microrregião de Francisco Beltrão], como a confecção, estão praticamente parados”, compara.
Pecoits acredita que até o momento não há alguma estratégia em conjunto para a retomada da economia, “pois estamos mergulhados na tempestade da pandemia. Penso que cada empresa ou, no máximo cada setor, vem pensando no que fazer, mas agora resume-se a sobreviver”.

Pato Branco
Em relação as indústrias de Pato Branco, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Cláudio Petrycoski, informa que em cima de levantamentos realizados pela Federação, em 2018, as empresas industriais pato-branquenses empregavam diretamente 10.185 funcionários. “Em 2019, o saldo da movimentação de trabalhadores foi positivo, em relação ao ano anterior, em 1.313 funcionários. Isso representou crescimento de 12,89% nos postos de trabalho na cidade. Destaque para o setor de Obras de Infraestrutura, que teve crescimento de 99,45% no número de funcionários, passando de 724, em 2018; para 1.444, em 2019”.
Contudo, Petrycoski afirma que, com o agravamento da pandemia e a consequente necessidade de paralisação das atividades econômicas, muitas empresas pararam parcial ou totalmente suas atividades. “Iniciaram o afastamento temporário, por suspensão do contrato de trabalho, a partir da Medida Provisória 936/2020, ou mesmo optaram por demitir funcionários”.
O empresário acrescenta que a entidade até então não tem os números do impacto nos postos de trabalho O empresário acrescenta que a entidade até então não tem os números do impacto nos postos de trabalho [até mesmo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) não está sendo atualizado pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, que é vinculada ao Ministério da Economia].
“Mas acredita-se que a situação irá evoluir negativamente nos próximos meses. A intensidade irá depender da duração da epidemia; das medidas adotadas pelos governos estadual e federal; e, ainda, pelo contexto da situação internacional”.
Para ele, tudo dependerá muito do agravamento, ou não, dos quadros de isolamento social, algo que tende a ser verificado até agosto, especialmente.

Indústrias em Pato Branco
Com base nos dados mais recentes do Ministério da Economia, Petrycoski diz que Pato Branco possuía 689 estabelecimentos industriais em 2018. Desses, destacavam-se os Serviços Especializados para Construção, com 119 estabelecimentos; Construção de Edifícios, com 103; Fabricação de Produtos de Metal (exceto máquinas e equipamentos), 72; Fabricação de Móveis, 48; e Fabricação de Produtos Alimentícios, 47.
Ao ser questionado sobre qual segmento da indústria está sentindo menos impacto com o novo coronavírus em Pato Branco, o vice-presidente da Fiep afirma que esses dados estão em fase de levantamento. 
Ele fala que os últimos dados disponibilizados da produção industrial do Brasil [publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física] permitem comparar março e fevereiro deste ano. “Eles demonstram que só três ramos industriais tiveram crescimento positivo: Impressões e Gravações; Produtos de Higiene e Limpeza; e Manutenção de Máquinas e Equipamentos. As que sofreram pouco impacto (menos que 1% de queda na produção física) foram as indústrias alimentícias e de papel e celulose. Em relação a quedas maiores, a indústria de madeira, por exemplo, teve um declínio de 16,1%. Ainda não estão disponíveis os dados do Paraná. Entretanto, é muito provável que os números sigam a mesma tendência”.
Quanto às medidas que a Federação tem tomado para motivar as indústrias no município, Petrycoski frisa que a pandemia é uma situação nova para todos. “Complexa no seu tratamento, porque envolve vários aspectos: sanitários, econômicos, políticos, culturais, entre outros. E é de fundamental importância na medida que afeta duas questões essenciais da vida humana: a saúde e o trabalho”.
Ele completa que “a Fiep não tem medido esforços para compreender todos os aspectos da questão e fornecer às indústrias do Paraná toda a informação disponível [por meio do site: https://observatoriosistemafiep.org.br] para que elas possam tomar as melhores decisões neste momento. Decisões que não são poucas, muito menos simples. Afinal, trata-se de vidas humanas e da sobrevivência destas empresas”.
Ao mesmo tempo, segundo Petrycoski, a Federação tem um forte relacionamento com o governo estadual, junto com outras entidades de representação; e com o governo federal, via Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Com isso, buscando entender quais são as melhores ações para o enfrentamento imediato da Covid-19; a defesa de interesses em relação a ações para a manutenção da estrutura produtiva e econômica durante o período da quarentena; promover, no menor espaço de tempo possível e com a maior segurança, a retomada das atividades; e criar as condições para o retomada e fortalecimento da economia no pós-crise”.

Exportação
Para alguns empresários, mesmo a pandemia estando presente, as empresas precisam retomar suas atividades. Um deles é João Carlos Pedroso, de Palmas. “A pandemia está aí, é uma realidade, mas o País não pode parar. Entendo que é um momento de retomada, que todos têm que tomar o maior cuidado possível para voltar suas atividades com toda a segurança na saúde, mas o momento é esse, não tem jeito”, afirma.
Ele acrescenta: “Enfrentamos um problema de saúde, consequentemente um problema de ordem econômica e, junto a isso, mais ainda, um problema de ordem política. Então é uma situação realmente muito complicada. Porém, vejo a retomada como a única saída, preservando as pessoas mais idosas. E os outros têm que ir para a luta, não vejo outro caminho”.
O empresário, que trabalha com vários segmentos, diz que o setor que mais sentiu até agora foi a exportação de compensados. “Paramos, estamos de férias inclusive. Já vinha com um problema não muito bom de mercado, no ano passado. Esse ano tinha iniciado bem, mas com a pandemia, as coisas se complicaram novamente”.
Para Pedroso, a abertura do mercado internacional depende tanto como a do Brasil. “Tem que retomar a economia, o trabalho, voltar à normalidade, para que aí o mercado possa retomar também. Entretanto, é muito cedo para qualquer avaliação, acho que o problema econômico é mundialmente falando; não de Brasil ou de outro país. O processo de retomada depende da economia mundial. Ou seja, quando todos voltarem às atividades, as coisas começarão a melhorar novamente”. 
 

Clique para comentar
Para cima