Região

Terra Indígena de Mangueira volta a se agitar

Reunião na residência do atual cacique da Terra Indígena de Mangueirinha, João Santos Luiz Carneiro - Crédito: Márcio Kokoj

Grupo contrário a liderança de cacique da Terra Indígena de Mangueirinha, denuncia João Santos Luiz Carneiro por abuso de poder e corrupção

Prestes a completar 8 anos da troca mais conturbada de cacique nas aldeias Mato Branco, Trevo e Sede, na Terra Indígena de Mangueirinha, o povo kaingang está novamente em meio a conflitos de lideranças.

De 2012 a 2020, esta comunidade indígena, já escolheu três caciques (Romancil Cretã, que substituiu Valdir Kokoj; Valdir Crispim, conhecido por Negão que deu lugar em novembro de 2018 a João Santos Luiz Carneiro).

Nesta semana, a comunidade indígena voltou a se agitar devido uma denúncia feita por um grupo, composto por 16 indígenas, contrários à liderança de João Santos ao Ministério Público Federal (MPF) em Pato Branco.

Conforme um documento ao qual o Diário do Sudoeste teve acesso, o cacique              está sendo acusado pela comissão por ter prendido crianças menores na cadeia da comunidade; transferido indígenas; cortado e vendido eucaliptos sem comprovar a destinação; abuso do poder; assédio sexual; loteamento político na contratação de servidores das áreas de saúde e educação; comercialização de lotes da Terra Indígena para não indígenas e a articulação com ex-cacique Valdir Kokoj.

Cacique João Santos

Na tarde de ontem (20) o cacique se reuniu com moradores da Terra Indígena de Mangueirinha, em sua residência para se pronunciar sobre as acusações.

Em um vídeo, que circulou pela internet, ainda na quinta-feira, Santos disse estar ciente sobre todas as denúncias feitas contra sua liderança. “Essa comissão está me acusando de que prendi crianças na cadeia. Isso eu não fiz, tenho provas. E, se eu fiz, está na Justiça. Também estão me acusando de ter vendido eucaliptos em volta da igreja, mas, quem vendeu foi a diretoria da igreja católica que fez isso para construir o pavilhão da igreja”, disse no vídeo se justificando. 

Liderança mantida

A comissão contrária ao cacique também solicitou ao MPF, que Santos fosse afastado de seu cargo. No entanto, o líder informou que após se reunir com o Ministério na quarta-feira (19) ficou acordado que até a conclusão do processo na Justiça, ele continua como cacique nas aldeias Mato Branco, Trevo e Sede, na Terra Indígena de Manguerinha.

“Não é na força que esse grupo irá me tirar. O que vai resolver é a investigação. Nós tivemos uma eleição e eu tenho o documento provando que eu sou cacique da aldeia”, disse no vídeo ao contar que chegou a ser sequestrado pelo grupo contrário a seu mandato e conseguir fugir.

Valdir Kokoj

No vídeo, Santos também se defendeu contra a acusação de estar articulando para a volta do ex-cacique Valdir Kokoj para a terra de Mangueirinha, afirmando que o ex-líder esteve na aldeia, se apresentou como todo o indígena deve fazer, mas a seu favor falou que não vem abrigando o antigo líder, que foi preso pela Polícia Federal (PF).

Em 2012, a Terra Indígena de Mangueirinha viveu um dos momentos mais tensos dos últimos anos, com a realização da Operação Forte Apache da PF. Kokoj foi acusado de porte ilegal de arma de fogo, maus tratos a indígenas e corrupção.  Ele foi preso por duas vezes em um intervalo de uma semana.

Kokoj também foi acusado na oportunidade de manter uma milícia armada.

No intervalo das duas prisões, o ex-cacique, com o apoio das famílias das aldeias, expulsou 12 famílias.

No vídeo, Santos comentou a situação do ex-cacique, ao afirmar que, “não tenho poder para dizer se ele vem morar com nós e onde ele vai morar, porque ele está respondendo a processo”, disse relatando que Kokoj atualmente reside na aldeia Rio das Cobras, em Laranjeiras do Sul.

O que diz o MPF

O Diário entrou em contato com o Ministério Público Federal para saber sobre a situação do caso do cacique João Santos e quais serão as próximas medidas a serem tomadas. Em resposta, a assessoria do órgão informou que o MPF não irá se manifestar até que as investigações sobre o caso estejam concluídas.

O que dizem outras lideranças

Em entrevista exclusiva ao Diário, o cacique da aldeia de Clevelândia, Miguel Alves, que também é membro do Conselho dos Caciques da Região Sul do País, informou que a situação na comunidade de Mangueirinha está bastante complicada. “Esse grupo [contrário] sempre fez isso. Sempre estiveram contra o cacique. Todos os caciques que já estiveram na liderança, para eles [comissão contrária] nunca prestaram. Eu acho que o problema deles é política mesmo”, opinou finalizando que se o cacique tenha cometido crimes, é a Justiça quem decidirá.

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