Saúde

10 erros comuns ao tomar medicamentos

Mariana Salles com assessoria

Por desconhecimento, distração ou descuido, é comum que a gente cometa alguns erros na hora de tomarmos os medicamentos receitados pelos médicos. Contudo, a forma como administramos esses remédios podem reduzir a eficácia ou mesmo agravar seus efeitos colaterais, causando danos ao organismo, algumas vezes irreversíveis.

A bula, sempre à disposição quando adquirimos o medicamento, é o principal mecanismo de informação para o paciente. Lá está descrito tudo o que é imprescindível que o paciente saiba, por isso a importância de sempre ler seu conteúdo. No entanto, não é hábito da população brasileira ler bulas, e ela acaba sendo descartada no mesmo momento em que a caixa é aberta.

Através da bula é possível entender não só os riscos que aquele produto está lhe trazendo como, também, antecipar algumas prevenções, como as interações de medicamentos, ou mesmo saber se algo pode prejudicar a eficácia do tratamento. A forma como tomar a medicação também está lá descrita, e ela deve ser seguida.

Será que você está tomando o seu medicamento da forma correta?

Listamos 10 hábitos que devem ser revistos.

1- Não seguir o tempo de tratamento descrito

Muitas pessoas param de tomar o medicamento assim que os sintomas, como febre, dores e indisposição, melhoram ou diminuem, e o paciente acredita que já está curado. Isso acontece principalmente com tratamentos prolongados, que variam de cinco até 21 dias ou mais, em alguns casos específicos. Este é o maior erro que a pessoa pode cometer em um tratamento com antibiótico, por exemplo, pois certamente ainda existem cepas de bactérias resistentes ao antibiótico no organismo e que, numa próxima oportunidade, quando a imunidade da pessoa estiver baixa, vão se reproduzir, deixando a pessoa doente de novo. O pior é que aquele antibiótico indicado pelo médico não vai resolver o problema.

Tomar o medicamento por mais tempo que o recomendado também pode causar problemas. Os anti-inflamatórios, como ibuprofeno e diclofenaco, por exemplo, podem causar problemas para os rins e o fígado se você tomá-los por longo período sem critério e sem orientação do seu médico.

2- Não obedecer os horários indicados

Tão importante quanto tomar o medicamento durante o período correto é ingeri-lo nos horários indicados pelo médico porque esses são os intervalos de tempo necessários para que a concentração plasmática do medicamento no organismo se mantenha dentro da janela terapêutica. Se a pessoa deixa de tomar o medicamento na hora correta, ela corre o risco de a concentração ficar abaixo da mínima e perder sua eficácia.

3- Engolir os medicamentos com sucos, leite, chá, refrigerante ou qualquer líquido com sabor

Medicamento se toma com água. Ao escolher um líquido com sabor, ele pode conter substâncias que, quando combinadas com a do medicamento, dificultam a absorção ou mesmo inibem seu efeito no organismo. O leite, por exemplo, atrapalha a absorção por ser um alimento complexo e de digestão lenta, tornando lenta também a absorção do remédio. Para evitar a interação medicamento/alimento, prefira um copo de 200 ml de água, que vai fazer com que seu estômago esvazie rápido e o princípio ativo do medicamento chegue ao intestino no tempo certo.

4- Misturar medicamentos com bebidas alcoólicas

Ao receber uma receita, grande parte das pessoas perguntam: posso beber?

A resposta padrão é: NÃO. Um medicamento nunca deve ser misturado com bebidas alcoólicas.

Alguns exemplos de interações desastrosas de álcool com medicamentos são:

  • Álcool x paracetamol: pode causar danos hepáticos graves;
  • Álcool com Aspirina: aumenta o risco de sangramento no estômago e no intestino, por aumentar a ação antiagregante plaquetária do AAS;
  • Álcool x anti-hipertensivos: pode gerar desmaios e arritmias cardíacas;
  • Álcool x antidepressivos: pode potencializar o efeito do medicamento;
  • Álcool x ansiolíticos: pode provocar depressão do sistema nervoso central, parada respiratória e coma;
  • Álcool x medicamentos para obesidade: pode gerar tontura e confusão mental;
  • Álcool x antibióticos: reduz o efeito do antibiótico parcial ou totalmente dependendo da quantidade de álcool consumida.

A ingestão excessiva de álcool também pode inibir a ação da pílula anticoncepcional.

5- Retirar o conteúdo da cápsula

Abrir o conteúdo da cápsula para ingerir apenas o pó na intenção de tornar o processo de deglutição mais simples é um erro gravíssimo porque é ela que protege a mucosa da boca e do esôfago do contato com a medicação. As cápsulas também podem proteger os medicamentos do efeito ácido do nosso estômago quando a substância que a compõe é sensível à acidez.

6- Dividir a dose cortando o comprimido

A maioria das pessoas acredita que, ao cortar o comprimido ao meio, vai tomar metade da dose original, mas isso não garante que a divisão seja feita de forma igual já que uma metade pode ficar com menos princípio ativo do que a outra, salvo quando os comprimidos possuem descrito na sua bula que podem ser partidos – e neste caso irão apresentar aquela divisão em forma de um sulco (como se fosse uma ranhura) que vem de fábrica.

7- Engolir comprimidos sublinguais

Essa via de administração permite que a ação do medicamento seja mais rápida, por isso esses medicamentos foram feitos para dissolverem rapidamente debaixo da língua. Eles devem ser colocados lá e deixados até dissolverem por completo.

8- Tomar medicamentos vencidos

A indústria farmacêutica garante a qualidade, segurança e eficácia do medicamento até a data de vencimento. Após, ele começa a perder efeito e não tem sua segurança garantida, podendo até fazer mal a quem tomar.

9 – Armazenar medicamento em locais quentes e úmidos

Calor e umidade podem gerar contaminações, reações indesejadas e perda da concentração de princípios ativos, por isso o armarinho do banheiro ou em cima da geladeira na cozinha não são bons lugares para guardá-los. Eles devem ficar armazenados preferencialmente longe da luz, em local seco e arejado, sempre em suas embalagens originais e com suas respectivas bulas. Dessa forma garante-se o acesso às informações do medicamento, como lote, data de validade, posologia e indicação. Importante: longe do alcance de crianças e animais domésticos.

10- Descartar medicamento vencido no lixo comum

Se você descarta o seu medicamento no lixo ou na privada e dá descarga, expõe o meio-ambiente a contaminação por resíduos químicos. Na hora de jogar fora, procure as caixas coletoras disponibilizadas em farmácias, drogarias e postos de saúde.

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