Saúde

A busca por menos pelos

O aumento de pelos é mais que uma queixa estética. Além de ser um incômodo para muitas mulheres, essa situação pode vir isolada ou fazer parte de um quadro clínico mais amplo, como distúrbios menstruais, virilização e, às vezes, até infertilidade. 
De acordo com a endocrinologista de Pato Branco, Thais Mussi, existem duas situações quanto ao excesso de pelos: a hipertricose e o hirsutismo. A hipertricose é a transformação de pelos mais finos e muito claros – distribuídos pelo corpo todo – em pelos mais grossos e escuros. Esses pelos de texturas mais grossas e escuras são chamados de pelos terminais. É importante a diferenciação entre as duas situações, pois o tratamento delas se dá também de forma diferente. Por exemplo, a hipertricose não é causada por aumento na produção dos hormônios sexuais, ela pode ser congênita ou adquirida (ingestão de medicamentos, doenças como hipotireoidismo, anorexia, desnutrição, etc), explicou a profissional.
Ela conta que o hirsutismo pode ser definido como um excesso de crescimento dos pelos terminais, em áreas que são dependentes de andrógenos (hormônios sexuais), no corpo das mulheres, e que crescem em um padrão tipicamente masculino. Neste caso, eles aparecem em partes do corpo como acima dos lábios, queixo, em torno dos mamilos e ao longo da linha abdominal, mais abaixo do umbigo, enumerou a endocrinologista.  

Outros sinais
De acordo com Thais, o hirsutismo pode vir sozinho ou acompanhado de outros sinais como a acne, a oleosidade e distúrbios menstruais. Ele pode ser classificado em três categorias: aumento dos hormônios produzidos pelos ovários eou glândulas adrenais (como o caso da síndrome dos ovários policísticos, síndrome de Cushing e tumores produtores de andrógenos ovarianos ou adrenais); aumento da sensibilidade da pele a esses hormônios andrógenos circulantes (são os casos chamados idiopáticos, nos quais a mulher tem ciclos menstruais regulares e ovulatórios); ou alterações que envolvam o transporte ou metabolismo desses andrógenos (como as doenças da tireoide, uso de algumas medicações, aumento de prolactina, entre outras), descreveu.

Causas
Segundo a especialista, para que a causa possa ser definida, durante a consulta médica, é importante que seja investigada quando começou a queixa e de que forma o quadro evoluiu, pesquisando sobre os sintomas associados, como a acne, por exemplo. Além disso, definir o padrão menstrual; o histórico familiar da paciente; além do exame físico, o qual fornecerá outros dados importantes. Existe uma escala usada pelos médicos, que determina o grau de hirsutismo, disse.
Após essa etapa, segundo a endocrinologista, é necessária a investigação com exames laboratoriais e, na sequência – caso seja necessário, outros mais específicos como os de imagem. Eles são solicitados de acordo com a hipótese diagnóstica, baseada na avaliação clínica feita no consultório, acrescentou a profissional, que disse também que a maioria dos casos de hirsutismo são os chamados idiopáticos, seguidos pela síndrome dos ovários policísticos.

Tratamentos
Conforme Thais, para cada tipo de hirsutismo existe um tratamento específico. Ele é baseado no nível de excesso de crescimento dos pelos e a causa do transtorno, afirmou. Ela destaca que a mudança de estilo de vida – no caso das mulheres com síndrome dos ovários policísticos, que estejam acima do peso – pode contribuir para o tratamento. 
Sabemos que uma redução de 5% do peso da paciente já reflete em uma melhora significativa. É importante ressaltar que o tratamento é a longo prazo, pois o pelo possui um tempo de duração e é necessário paciência e persistência para que os resultados sejam visíveis e satisfatórios, frisou.
A endocrinologista ainda lembra que os tratamentos cosméticos, como depilação (cera, clareamento, pinça e etc.) podem ser efetivos. Dependendo do grau do hirsutismo, pode ser feito apenas isso ou associar com medicação, disse.
Quanto à depilação a laser e a foto depilação – conhecidas como métodos mais definitivos – segundo Thais são muito eficazes. Entretanto, o resultado final e duradouro vai depender do número de sessões, coloração e espessura do pelo. Lembrando que, para realizar algum desses procedimentos, é necessário que seja conversado com um dermatologista, observou.
A especialista ainda conta que, para as mulheres que têm hirsutismo, também há tratamento com medicação. Existe uma ampla variedade, desde anticoncepcionais (que é a primeira escolha na maioria dos casos), até medicações antiandrógenas, glicocorticoides e biguanidas (medicamento usado para casos de resistência à insulina). Voltando a frisar: dependendo de cada caso é que a terapia com a medicação será indicada, concluiu.

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