Saúde

A escolha do método perfeito

Pílulas, adesivos e camisinhas são apenas alguns dos vários métodos disponíveis para ajudar a evitar a gravidez. A decisão por qual usar geralmente é bastante difícil, porque há muitas questões que devem ser consideradas, incluindo os custos, planos de uma futura gravidez, efeitos colaterais, entre outros diversos fatores.

Por isso, de acordo com a especialista em ginecologia, obstetrícia e ultrassonografia de Pato Branco, Carolina Teixeira Obrzut, antes de escolher qual método a ser utilizado deve-se consultar o médico. “Hoje em dia existe no mercado uma ampla variedade de métodos anticoncepcionais, sendo que a indicação e a contraindicação devem sempre ser feitas no consultório médico — onde o profissional avaliará a paciente e o seu histórico de saúde, orientando-a quanto aos métodos mais seguros. Aí ela pode escolher com segurança qual o método irá usar”, afirmou.

Ela conta que os mais usados são os orais, ou seja, as pílulas. “Mas também há as opções para quem não pode usá-los, os chamados não orais, que são os injetáveis; os DIUs — Dispositivos Intrauterinos —; os anéis vaginais e os adesivos transdérmicos — que são colados na pele. Além de outros métodos, os de barreira, sendo o mais conhecido, a camisinha”, disse.

Veja outras questões bastante comuns acerca dos métodos contraceptivos, que a médica ginecologista respondeu à redação do Caderno Saúde:

Caderno Saúde – Em que consiste cada um dos métodos contraceptivos?

Carolina Teixeira Obrzut – Os métodos orais, o adesivo, o anel vaginal e os injetáveis têm como forma de ação o mecanismo hormonal. Os DIUs hoje em dia há duas opções: o sistema liberador de levonorgestrel e o dispositivo de cobre — aparelhos colocados dentro do útero, sendo que o primeiro tem efeito hormonal e o segundo não. Ou seja, ele faz só um mecanismo de barreira — impedindo que ocorra a passagem do espermatozoide para chegar ao útero e aos ovários, fazendo a fecundação —, não tendo também um método hormonal.

Poderia descrever um pouco mais cada um?

Métodos orais (pílulas) são comumente os mais usados, que há uma facilidade de uso melhor. Além de serem indicados para quem deseja anticoncepção, também podem ser utilizados para diminuir o fluxo da menstruação; melhorar cólicas; e alguns até têm efeitos na pele, diminuindo um pouco a oleosidade e a acne.

Anéis vaginais, adesivos e injetáveis são indicados para aquelas pacientes que não gostam de tomar a pílula todos os dias.

Já para aquelas mulheres que têm algum tipo de doença uterina, uma opção é o Sistema liberador de levonorgestrel, que além de anticoncepção também ajuda a melhorar algumas patologias uterinas. O DIU de cobre é indicado para pacientes que não podem usar hormônios, de modo que esse tipo não gera efeitos hormonais em seu organismo.

E a camisinha que é um método de barreira, o qual é o único que simultaneamente protege contra a gravidez e contra doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres que têm uma atividade sexual frequente o ideal é que optem por um método anticoncepcional — que vai ser o indicado para ela e vai ter uma eficácia contra a gestação —, mas que também optem pelo uso da camisinha, protegendo contra as doenças sexualmente transmissíveis.

Por quanto tempo a mulher pode utilizar cada um dos métodos?

Em princípio, os anticoncepcionais orais (pílulas) não têm um prazo de validade para que seja trocado. Enquanto a mulher tiver uma boa adaptação com o método, não apresente nenhuma alteração da sua história clínica durante o seu uso, ela pode usar até os seus 40, 50 anos, época em que entra na menopausa. Por outro lado, os DIUs e o sistema liberador de levonorgestrel têm uma data de validade, que seria de dez e cinco anos. Então um pouco antes de vencer o prazo, o ideal é que a paciente consulte para verificar qual o método que ela vai utilizar, se será o mesmo ou se substituirá por outro.

Como funciona a adaptação dos métodos?

Geralmente o prazo de adaptação é de três a quatro meses, para que seja verificado como o organismo da paciente reagirá ao método; se vai conseguir usar ou não. Após esse prazo ela deve voltar ao consultório para avaliar como foi a adaptação. Eventualmente se a adaptação não foi boa, o ideal é que seja trocado por outro método. Quanto aos DIUs há uma fase de adaptação de três a seis meses, principalmente o DIU que tem hormônio, pois pode dar um pouco de irregularidade da menstruação. Mas geralmente faz-se o acompanhamento mais de perto com as pacientes que estão iniciando algum tipo de método anticoncepcional, para verificar a adaptação e decidir se continua ou troca por outro. Os adesivos a mesma situação: funcionam como um anticoncepcional oral, só que com outra via de administração, colando na pele. E o anel vaginal a mesma coisa, inserido dentro da vagina. Então como o método é basicamente o mesmo, que é liberação hormonal, a adaptação geralmente é a mesma.

Manutenção do adesivo e do anel vaginal deve ser feita a cada quanto tempo?

O adesivo é colado nas partes do corpo em que não haja atrito. Por isso é mais indicado na parte externa do braço e na região das costas. Ele deve ser trocado uma vez por semana, sendo que a caixinha do adesivo vem com três unidades. Então troco semanalmente e, após o terceiro adesivo, eu faço uma pausa de uma semana, para que desça o sangramento menstrual. Depois desse período começa uma nova caixinha com mais três adesivos.

O anel vaginal é também um método hormonal, inserido no primeiro dia da menstruação e depois é trocado a cada três também, fazendo um intervalo de uma semana. No final da quarta semana é inserido um novo anel.

Tanto o adesivo, quanto o anel vaginal funcionam praticamente do mesmo jeito do anticoncepcional oral. As cartelinhas hoje geralmente vêm com 21 ou 24 comprimidos, mas sempre num prazo de 28 dias para a troca de outra. Então eles funcionam mais ou menos da mesma forma.

Quanto tempo leva para os métodos agirem?

Teoricamente a indicação de bula diz que começando a usar no primeiro dia já se tem uma proteção contra a gravidez. Entretanto, o que sempre oriento é que pelo o primeiro mês seja feito o uso do método de barreira (camisinha) frequente e regular, justamente porque a adaptação pode não ser boa. Por isso, o ideal é que se proteja com outro método, pelo menos nessa fase.

Há algumas possíveis reações com o uso dos métodos contraceptivos?

No caso dos anticoncepcionais — no começo da fase de adaptação — podem ocorrer náuseas em algumas mulheres, vômitos e às vezes pode dar um pouco de dor de cabeça. Mas neste caso as queixas não são muito frequentes.

Já o DIU de cobre eventualmente pode gerar um aumento do volume menstrual, que às vezes pode incomodar a paciente. Quanto ao sistema liberador de levonorgestrel pode fazer alterações na menstruação, fazendo escapes menstruais mais frequentes nos primeiros meses de uso. Lembrando que isso é muitas vezes da fase de adaptação e a tendência é melhorar depois.

Esses métodos podem causar infertilidade se usados por muito tempo?

Os métodos anticoncepcionais hormonais não atrapalham na taxa de fertilidade a longo prazo. Entretanto, vale lembrar que o ideal é que a mulher engravide antes dos 35 anos, porque a taxa de fertilidade dela é maior, bem como os riscos de aborto e más formações são menores. Lógico que hoje em dia as mulheres têm postergado muito as gestações, por conta da carreira profissional. Mas o anticoncepcional em si não é prejudicial.

Quando a mulher se esquece de tomar a pílula, o que deve ser feito?

O ideal é que sempre tome no mesmo horário, mas quando não é possível tem-se o prazo de quatro horas para mais ou para menos, ou seja, nesse período você atrasando ou adiantando o anticoncepcional não há como prejudicar a eficácia do método. Porém, caso seja esquecido por um período maior, o ideal é que a paciente tome no outro dia os dois comprimidos juntos. Mas que nesse caso também seja utilizada a camisinha, durante uma semana, para evitar a gravidez.

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