Saúde

A pandemia não acabou

Pneumologista alerta para cuidados com a disseminação da covid-19

No mundo, 59.985.053 já pegaram covid-19, sendo 38.408.247 recuperados e 1.413.325 mortes.

Em Pato Branco, a infecção caminhava devagar, poucos casos sendo registrados por dia. Contudo, nas últimas semanas a população tem se assustado com os boletins divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, que apontam para um grande aumento diário dos casos.

Não por menos. No início da pandemia, quando quase não havia informações sobre a doença, vimos as ruas se esvaziarem. Mesmo com o comércio aberto, ainda que com restrições, as ruas ficavam vazias e as poucas pessoas que circulavam, grande maioria por necessidade, respeitavam o distanciamento e faziam da máscara sua fiel companheira e do álcool em gel seu melhor amigo.

Com o passar do tempo, ficar em casa perdeu a graça. O afrouxamento das medidas de contenção, como a fiscalização, tornou possível que as pessoas relaxassem, mesmo sabendo que a pandemia não havia chegado ao fim. Hoje, ao caminhar nas ruas, o que vemos é quase uma situação de normalidade, com poucas, das milhares que ocupam as ruas, pessoas com a máscara cobrindo do queixo ao nariz.

Isso ocorre não apenas em Pato Branco, mas em todo o Brasil. As notícias nos contam que o aumento de contaminação se dá na maioria dos estados.

Há quem acredite que, assim como na Europa, já estamos na segunda onda de infecção pelo Sars-COV-2, mas pensar assim é um equívoco. “Essa não é a segunda onda, mas uma exacerbação da primeira. Se continuar como está, imagine como vai ser quando chegar a segunda onda”, questiona o médico pneumologista Edson Fressato.

Mesmo assim, esse aumento de infecção traz algumas peculiaridades, como ele mesmo alertou seus amigos através de um áudio enviado via Whatsapp que acabou viralizando. No último dia 21, o médico falou sobre essa nova fase da pandemia pela qual estamos atravessando, traçando um mapa da realidade de Pato Branco e região.

“O que estamos observando é um aumento acentuado no número de casos de covid-19 com os exames reagentes. Isso começou na semana da eleição, e estamos em uma escalada que é bem preocupante. Além disso, é possível perceber que há mais pessoas contaminadas pelo vírus que têm apresentado complicações”, disse.

O médico fez essa observação depois de ter atendido em torno de 50 pessoas infectadas pelo coronavírus. Para os pacientes que apresentam resultado positivo para a covid-19, o pneumologista costuma e solicitar uma tomografia de rotina. “No início, há alguns meses, de cada 10 tomografias, apenas uma ou duas, no máximo três, apareciam com alterações no exame, ou seja, em torno de 10% a 20%. O que está assustando bastante agora é que, de cada 10 tomografias, cinco ou seis, talvez um pouco mais, apresentam alterações”, alerta. Fressato ressalta que essas alterações devem ser tratadas precocemente. “Faço parte do grupo de médicos que defende o tratamento precoce”, diz.

Também, o pneumologista falou sobre casos graves em pacientes jovens, algo que era incomum até alguns meses. “Esse conceito de que os jovens podem ser contaminados pelo vírus que a doença não se agravará acabou. O pior é que, se ele levar a doença para casa, pode contaminar seus pais, seus avós, toda a sua família”, fala.

Falta de respeito

O pneumologista lembra ainda sobre a falta de respeito das pessoas que deixam de usar máscaras em lugares de convivência, entre outras negligências com as medidas de segurança.

“Nesta etapa, o cuidado deve ser redobrado. Não aconselho as pessoas a irem locais onde haja aglomeração. O que temos visto são jovens totalmente sem cuidados, sem máscara. Se não tomarmos algumas medidas, inclusive mais drásticas, acredito que o quadro vá se agravar mais ainda”, revela.

O aviso, disse, é no sentido de colaboração e preocupação de quem está na linha de frente. “Todos os profissionais da saúde, como enfermeiros, fisioterapeutas, bioquímicos e médicos, são quem mais se arriscam neste momento. Somos nós que vemos o que está acontecendo, e infelizmente existem pessoas que acham que não tem problema, que já podemos levar uma vida normal. Isso não existe. Nós estamos enfrentando uma pandemia que não tem tempo para terminar”, lamenta. “Por favor, vamos nos cuidar mais do que já estamos nos cuidando e esperemos que esses quadros que estão acontecendo sejam controlados em um período de tempo mais breve possível”, finaliza.

Não se esqueça:

  • Em lugares públicos e de grande circulação, use máscara
  • Higienize as mãos com álcool gel ou 70%
  • Lave as mãos com água e sabão
  • Mantenha distância segura das pessoas ao redor
  • Só saia se for necessários
  • Em caso de suspeita, faça o teste e utilize o protocolo de isolamento

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