Saúde

Covid-19: o impacto nas pessoas e na dor orofacial

Assessoria

Visando correlacionar a covid-19 ao impacto nas pessoas e em consequência na dor orofacial, vários estudos estão sendo realizados para avaliar esta situação, pois como é de conhecimento na literatura atual, o fator psicológico é bastante marcante, em pacientes com dor.

Em decorrência de não termos inicialmente a vacina ou algum tratamento eficaz em meados de março de 2020, foi utilizado como forma de prevenção o distanciamento social e o uso de máscara e álcool gel. Este distanciamento social prolongado trouxe impacto psicológico negativo na população em geral, capaz de provocar palpitações, ansiedade, insônia, depressão, raiva e estresse.

De acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial, as disfunções temporomandibulares correspondem a um conjunto de distúrbios que envolvem os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular e estruturas associadas, sendo mais frequentemente relatados sintomas como as dores na face, ATM, músculos da mastigação e dores de cabeça.

O dentista precisa fazer uma abordagem mais ampla no seu atendimento neste momento que passamos. É preciso não apenas observar aspectos físicos da doença, mas avaliar as condições biopsicossociais do paciente, pois esse fator tem uma ampla influência nas dores orofaciais e, se não resolvidas certas questões, poderá acarretar em insucesso no atendimento da parte física do problema.

Segundo estudo publicado na Brazilian Dental Science, pela UNESP, houve uma prevalência de sinais e sintomas de DTM e dor orofacial que vem aumentando durante o período pandêmico, em relação ao aumento de dor crônica, boca seca, queimação, bruxismo, doença periodontal e doenças relacionadas ao estresse. Constata que a ocorrência de bruxismo em vigília e bruxismo noturno são os sintomas prevalentes.

Normalmente pacientes que estão passando por fatores de estresse tendem a apertar os dentes. Durante o dia é recomendado, quando o paciente verificar esta situação, que desencoste os dentes, já quando o bruxismo é noturno, e como o paciente não tem controle da situação é interessante uma avaliação de um profissional cirurgião dentista, especialista em disfunção temporomandibular e dor orofacial, para dar melhores informações sobre o assunto.

Um estudo de revisão de literatura publicado na Revista da Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas apontou que as manifestações neurológicas mais comuns de covid-19 foram alterações olfatórias (59%), alterações gustatórias (56%), mialgia (25%) e cefaleia (20%) nos pacientes estudados.

A experiência com pacientes com DTM/DOF neste período de pandemia de covid-19 está sendo absolutamente nova e desconhecida. Só no futuro teremos ideia de como realmente foi. As dores orofaciais e as disfunções mandibulares podem ter origem multifatorial e exigem avaliação baseada em critérios diagnósticos.

No momento, é necessário lembrar que pacientes com dor orofacial crônica podem necessitar de atendimento contínuo ou em regime de urgência para o qual o paciente deve ser encorajado a não postergar seu atendimento, correndo o risco de agravamento.

Os profissionais especialistas em disfunção temporomandibular e dor orofacial estão atentos ao que vem acontecendo, e buscando a cada dia auxiliar na melhora da qualidade de vida das pessoas.

Tendo sintomas como dores musculares orofaciais, estalos nas articulações, dores de cabeça, apertamento dental, ranger de dentes, busque ajuda de um profissional.

Leandro Freitas Tonial é especialista em DTM e Dor Orofacial, mestrando em DTM e Dor Orofacial / SLMANDIC / São Paulo-SP
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