Especialista explica porque o uso excessivo de telas pode levar ao aumento de problemas da visão infantil

Dia 14 de outubro é o Dia Mundial da Visão, data que lembra os cuidados os olhos. A visão é o sentido mais afetado pelo mundo moderno, já que o uso de telas se tornou essencial para a realização das atividades diárias de boa parte da população. São elas que nos mantiveram conectados, mesmo com o isolamento social provocado pela pandemia. A exposição a esses aparelhos pode provocar o desenvolvimento de problemas relevantes para a saúde ocular, como a vista cansada, astigmatismo, hipermetropia e miopia. Esta última principalmente em crianças.

De acordo com a oftalmologista Priscilla Drudi, a miopia infantil se relaciona com os longos períodos que as crianças são expostas a telas. “Quando a musculatura é muito estimulada, o olho tende a crescer mais rápido do que deveria, desencadeando deformações no formato do olho e consequentemente a necessidade de usar óculos”. A médica também explica que adultos são igualmente suscetíveis a esse tipo deformação, mas as crianças têm esse risco potencializado.

A contração da musculatura do olho também é a principal causa da vista cansada. “O músculo do olho contrai de acordo com a distância em que um objeto se encontra, quanto mais próximo estiver do objeto, mais contraído ele fica. Em geral, ficamos próximos das telas durante longos períodos, o que obriga o olho a trabalhar muito. Assim, podem surgir machucados nos olhos, perda de mobilidade e elasticidade e dificuldade para focar a vista em diferentes distâncias”, explica a oftalmologista.

Para evitar que problemas como esse atrapalhem a qualidade visual, Priscilla recomenda que o tempo em frente às telas seja mais controlado. “Para crianças de até 10 anos o ideal é não passar mais do que duas horas em frente dos aparelhos luminosos. Já os adultos devem tentar manter o ambiente de trabalho com uma iluminação mais neutra – nem muito clara, nem muito escura”. A oftalmologista também recomenda descansar a vista a cada meia hora, olhando para uma distância maior que dois metros.

Cuidados com a visão na terceira idade
A realização de exames oftalmológicos é essencial em qualquer faixa etária e, mas o acompanhamento da saúde ocular para evitar o aparecimento de doenças é fundamental entre a geração prateada. Assim, exames de rotina, medida da pressão ocular e fundo de olho são os mais indicados, mesmo em pacientes assintomáticos. “Pessoas acima de quarenta anos precisam realizar consultas oftalmológicas de rotina. Além dos exames mais comuns, em casos considerados fatores de risco para determinadas doenças, o médico oftalmologista poderá ampliar os exames para acompanhamento”, diz Priscilla.

Entre as doenças mais comuns que atingem pessoas com mais de 60 anos está a catarata. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), três em cada quatro casos de deficiência visual é em decorrência da catarata ou pela falta de acesso a óculos. “A catarata é a doença oftalmológica mais prevalente entre os idosos e é a cirurgia mais realizada no mundo. O procedimento com remoção do cristalino e sua substituição por uma lente intraocular é capaz de devolver a qualidade visual do paciente que não apresente outras comorbidades”, afirma Priscilla.

A especialista também destaca que o glaucoma, as degenerações da retina relacionadas à idade, bem como retinopatia diabética também são comuns em idosos. “O glaucoma, por exemplo, pode não apresentar sintomas no início. O seu avanço, pode levar à cegueira e, consequentemente, a perda de qualidade de vida e até sobrevida no idoso. No entanto, tanto esta como as outras doenças podem ser evitadas com um acompanhamento regular de um oftalmologista”, completa.

Além dos exames de rotina, o consumo de vitaminas e o uso de acessórios para a proteção dos olhos em determinadas situações podem auxiliar na manutenção da saúde ocular. “A ingestão de alimentos como fígado, gemas de ovo e óleos de peixe, ricos em vitamina A, proteção dos olhos contra excesso de exposição à raios ultravioletas, uso de equipamentos de proteção individual para profissões de risco, somados às consultas regulares ao oftalmologista são fatores que ajudam a conservar a saúde ocular, não só na terceira idade, mas também ao longo da vida”, conclui a oftalmologista.