Estudo do Grupo Plátano aponta variante P1 do Sars-COV-2 como predominante no Sudoeste

Doctor holding swab test tube for 2019-nCoV analyzing. Coronavirus test. Blue medical gloves and protective face mask for protection against covid-19 virus. Coronavirus and pandemic.

Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia para o Sars-COV-2 (à época chamado ainda de “novo coronavírus”) em 11 de março de 2020, vivemos vários momentos tensos e marcantes. Entre eles, causou o primeiro espanto a fila de carros funerários na Itália, quando o vírus mal tinha chegado ao Brasil. Também as ruas vazias em diversas metrópoles devido à política de lockdown, quando ainda não se tinha notícia de aprovação de vacina.

Em nosso país, certamente o período de maior tensão foi quando a Saúde de Manaus entrou em colapso pela segunda vez, faltando oxigênio devido ao número de pessoas hospitalizadas. Nesse período identificou-se uma mutação do vírus surgida na capital do Amazonas, que foi chamada de variante P1.

A P1 surgiu em dezembro de 2020, e foi identificada como variante em janeiro no Japão. Pela sua alta taxa de contaminação, em pouco tempo foi detectada em vários países da América do Sul, como Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Peru e Venezuela. Isso fez com quee várias companhias aéreas suspendessem os voos ao nosso país, mas não antes de ser detectada nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e França.

A variante P1 tem uma mutação, a E484K, que pode gerar mais reinfecções do que outras cepas porque demanda mais anticorpos para resistir ao vírus. Além disso, suas diversas variações na proteína Spike fazem com que ela funcione como uma chave-mestra, abrindo diversas portas, pelas quais o vírus entra nas células para infectá-las, ao mesmo tempo.

Por isso, onde ela chega causa desestabilização no sistema de Saúde, com aumento de internações, que em geral são também mais longas.

Um amplo estudo da Fiocruz mostrou que a variante P1 está em diversas cidades brasileiras, causando um verdadeiro colapso por onde passa.

Sudoeste

Diante de um aumento de casos e mortes pelo Sars-COV-2 no Sudoeste, o Grupo Plátano, responsável pelos laboratórios Biocenter, Policlínica, Labsal e Gram, e que investiu em uma unidade molecular para agilizar o diagnóstico através do exame RT-PCR (método mais confiável de investigação em laboratório), realizou uma pesquisa de variantes do vírus da covid-19. “Já se esperava predominância da variante P1, uma vez que os estudos da Fiocruz já mostravam o aumento da presença dessa variante na região, chegando à quase totalidade dos casos. O que encontramos foi 100% de P1 na região de Pato Branco”, informa Jardel Cristiano Bordignon. diretor técnico do Grupo Plátano e professor no curso de Medicina do UNIDEP.

Para o estudo, foram testadas 20 amostras positivas das cidade de Pato Branco, Palmas e Coronel Domingos Soares, as quais foram feitas análises para descoberta de variantes do Sars-COV-2. Todas elas eram da variante P1.

“A famosa variante de Manaus, que vem ganhando bastante espaço não só na região, como em todo o Brasil, vem tomando conta do Brasil desde janeiro. Nosso estudo, a exemplo dos da Fiocruz realizado em vários estados, mostraram um predomínio absoluto da P1”, explica Jardel.

Conforme o especialista, a P1 é muito mais transmissível do que as outras linhagens do Sars-COV-2. “Além disso, a percepção dos médicos é de que as infecções causadas por ela são muito mais graves. Como é dessa variante a maioria dos casos graves da região, nós vemos nitidamente um aumento nos óbitos. Se compararmos a quantidade de óbitos registrados em 2020 com os que ocorreram em 2021, a diferença é muito grande”, avalia.

É responsabilidade da P1 também o aumento em demasia dos números de positivados, sempre acima dos 40% das testagens, e suspeitos. “Pelo fato de ela ser mais transmissível, o aumento de casos e até de reinfecção e casos em vacinados se deve em boa parte pela prevalência de casos dessa variante na região”, reflete Jardel.

Outras variantes

O professor explica que podem surgir variantes piores do que a P1 a qualquer momento, seja mundo, no Brasil, ou mesmo aqui na região, e em qualquer pessoa infectada, assim como ocorreu com a P1, com a Sul-Africana, a do Reino Unido e a tão comentada variante Indiana, que tem sido pauta no mundo todo. “Os estudos iniciais mostram que a variante Indiana é menos transmissível do que a P1. Ela está entre a P1 e a cepa original. Como ela não é mais transmissível que a P1, provavelmente não vai ganhar muito espaço no Brasil, não vai representar grande quantidade de casos”, acredita Jardel.

Vacinação

O especialista diz que estamos caminhando para o final da pandemia, mas que isso depende, é claro, a intensificação da vacinação. “Vendo outros países, como os EUA e Reino Unido, que estão com a vacinação bem adiantada, sempre com vacinas de boa qualidade, observamos que lá a situação voltou praticamente ao normal. Isso também deve acontecer aqui, mas depende principalmente da velocidade de vacinação”, diz.

Jardel lembra ainda é necessário seguir o protocolo de vacinação. “Essas vacinas que necessitam de duas doses é justamente para que a proteção seja mais efetiva. Tomando uma dose só, a proteção não é a mesma do que se seguir o esquema completo de vacinação”, alerta. “E precisamos de ao menos 70% da população vacinada de acordo com o esquema para que o Sars-COV-2 deixe de circular”, finaliza.