Saúde

HPV é maior causa de câncer de boca entre os jovens

Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, marcada pelos primeiros dias de novembro, lembra importância do combate a esse problema de saúde pública

Conforme dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), no Brasil, todos os anos, mais de 15 mil novos casos de câncer bucal são diagnosticados, sendo a maioria dos acometidos homens acima dos 40 anos.

O câncer da cavidade oral aparece na 12º posição entre os tipos mais frequentes da doença no Brasil, sendo o 5º mais comum considerando apenas homens, que representam mais de 70% dos casos.

Entre as causas estão o tabagismo — representando 90% dos casos — e o alcoolismo. Por isso, a faixa etária que mais sofre com a doença é a dos 50 aos 60 anos, porque a incidência do tabagismo é bastante alta neste grupo. Cerca de 80% dos pacientes diagnosticados nessa faixa etária fumam ou fumaram por muito tempo, além do consumo de álcool em excesso.

Outras causas comuns são o subtipo 16 do vírus HPV; exposição à radiação solar sem proteção; falta de higiene; e dieta rica em gorduras e pobre em vitaminas. 

Nos últimos anos foi detectada a relação entre o vírus HPV e os tumores de orofaringe (base da língua e garganta). Portanto, a recomendação é usar preservativo nas relações sexuais e vacinar meninas e meninos, a partir dos 8 anos de idade, contra o HPV.

O câncer de boca pode se desenvolver no revestimento interno (mucosa bucal), nas gengivas, nos dois primeiros terços da língua, no soalho bucal (a parte que fica embaixo da língua), no céu da boca e na área atrás dos dentes do siso, chamada trígono retromolar.

Apesar de o tabagismo ser a principal causa do câncer bucal, entre os mais jovens o problema cresce devido a infecção por HPV (papiloma vírus humano), que é sexualmente transmissível e principal responsável pelo câncer de colo de útero. No entanto, quando transmitido via oral pode causar o câncer bucal.

Um estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) demonstrou que a porcentagem de casos de câncer de amídala com incidência de HPV subiu de 25% para 80% em 20 anos. Mesmo que o cigarro e o álcool ainda sejam as principais causas do câncer bucal, eles costumam exigir uma exposição prolongada para o desenvolvimento de um tumor, cerca de 15 a 30 anos de consumo, por isso a incidência sempre ocorre em pessoas acima dos 40. No caso do HPV, ele acaba desenvolvendo a patologia principalmente entre os jovens.

Conforme uma pesquisa divulgada pelo Estadão Conteúdo, em cerca de 32% dos casos de câncer de boca em jovens adultos, os pacientes eram portadores de HPV; nos acima de 50 anos, o vírus estava presente em apenas 8% dos casos.

É preciso reforçar que existem vários subtipos de HPV. Os mais comuns são os de baixo risco, que são relacionados ao aparecimento de verrugas nas genitais. Enquanto isso, os subtipos de alto risco predispõem ao desenvolvimento de tumores malignos, como o câncer bucal.

Melhora no diagnóstico

O diagnóstico tardio é um dos maiores problemas para quem enfrenta o câncer de boca, uma vez que, na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas nos estágios iniciais. Entre os primeiros sinais do câncer bucal estão manchas brancas ou vermelhas na mucosa da boca, aumento de volume em regiões da boca, cabeça e pescoço e feridas semelhantes a aftas, que não cicatrizam após 15 dias (veja box).

No entanto, nos últimos anos, o número de diagnóstico precoce da doença cresceu devido à atuação de dos dentistas. Pesquisas recentes, como a do Serviço de Patologia Oral de Toronto, identificaram um aumento de 180% no número de casos de câncer detectados por dentistas, incluindo as lesões pré-cancerosas. 

Essa otimização reflete principalmente na taxa de sobrevida dos pacientes, que recebem tratamento adequado ainda no início do problema, melhorando, inclusive, o prognóstico.

Quando detectado em estágios iniciais, o paciente tem cerca de 80% de chance de cura, enquanto que, para os casos descoberto após 5 anos, ou seja, em estado avançado, essa taxa cai para 30%.

Tratamento

Em geral, o tratamento inicial para esse tipo de câncer é cirúrgico, sendo o cirurgião de Cabeça e Pescoço o especialista preparado para avaliar em que estágio o câncer se encontra.

A cirurgia consiste na retirada da área afetada pelo tumor e dos linfonodos que geralmente estão no pescoço. Após, é feita uma reconstrução, caso seja necessário.

Após biópsia do material, será decidido qual o melhor tratamento a seguir, como radioterapia, quimioterapia e reabilitação física do paciente para melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações e sequelas. 

Sinais e sintomas do câncer de boca

No caso de um ou mais sintomas persistirem por duas ou mais semanas, procure seu médico ou o dentista:  

  • Ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum)
  • Dor na boca que não passa (também muito comum, mas em fases mais tardias)
  • Nódulo persistente ou espessamento na bochecha
  • Área avermelhada ou esbranquiçada em qualquer local da boca
  • Irritação na garganta ou sensação de que alguma coisa está presa ou entalada
  • Dificuldade para mastigar ou engolir
  • Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua
  • Dormência da língua ou outra área da boca
  • Inchaço da mandíbula que faz com que a dentadura ou prótese perca o encaixe ou incomode
  • Mudanças na voz
  • Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço
  • Perda de peso
  • Mau hálito persistente  

Fatores de risco

A causa do câncer bucal (carcinoma epidermóide oral) é multifatorial, sendo: 

Tabagismo

A utilização do tabaco pode ser feita por meio de várias formas, como cigarro, cachimbo, charutos (tabaco com fumaça) e aspiração do fumo (uso de rapé) e ato de mascar o fumo. Existem mais de 60 substâncias cancerígenas no fumo, principalmente alcatrão, benzopirenos e aminas aromáticas. A alta temperatura na ponta do cigarro faz com que haja uma potencialização na agressão à mucosa. O risco relativo de um paciente fumante de cigarro industrializado é 6,3 vezes maior que o não fumante, para fumantes de cachimbo 13,9 e do usuário de cigarro de palha o risco é aumentado em 7 vezes. O risco para um paciente que interrompe ou cessa o uso de tabaco, passa a ser igual a de um não fumante apenas após 10 anos da interrupção do hábito. O risco relativo não depende exclusivamente do tipo de fumo ou uso de tabaco, mas também da quantidade de

cigarros ou de fumo utilizada, o risco de aparecimento e desenvolvimento do câncer bucal é dose-dependente para os tabagistas, ou seja, quanto maior a quantidade de cigarros, maior o risco. O tabaco é tido como o fator carcinogênico completo, pois atua nas três fases da carcinogênese, na iniciação, promoção e progressão da mesma.

Alcoolismo

O consumo excessivo de álcool tem sido associado ao desenvolvimento do câncer bucal. Os mecanismos da ação do álcool ainda não estão bem estabelecidos, mas acredita-se que o mesmo pode atuar aumentando a permeabilidade celular da mucosa aos agentes carcinogênicos diversos, causando injúrias devido a metabólitos do etanol (aldeídos) e

indiretamente pelas deficiências nutricionais secundárias ao seu consumo crônico (cirrose hepática). Assim como no caso do tabaco, o risco relativo também é dose-dependente.

Radiação ultravioleta

A radiação solar representa o principal fator de risco para o desenvolvimento do carcinoma nos lábios, esse risco varia com a intensidade, tempo de exposição e quantidade de pigmentação presente na pele do paciente.

Deficiências nutricionais

Algumas deficiências nutricionais podem causar alterações epiteliais deixando a mucosa bucal mais vulnerável aos agentes carcinogênicos (fumo/álcool). Alguns alimentos são considerados como agentes protetores, como tomate, cenoura, alface e alimentos que contenham betacaroteno em geral.

Outros fatores

Agentes biológicos como papiloma vírus humano (HPV) no desenvolvimento do câncer bucal, principalmente subtipos 16 e 18 estão intimamente relacionados à displasia.

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