Obesidade: amar e cuidar do corpo para evitar doenças futuras

Cena comum é uma pessoa obesa mais jovem defender que está saudável, com bons níveis de colesterol, glicose e triglicerídeos. Vários movimentos em torno da aceitação corporal, como o body positive, buscam combater a ideia de que a obesidade é uma doença. Contudo, reconhecer a obesidade como doença crônica é fundamental para reduzir estigmas e proporcionar ajuda àqueles que não conseguem manter sozinhos o peso nos níveis adequados. Alertar sobre o problema é o objetivo do dia 11 de outubro, Dia Nacional de Prevenção à Obesidade.

Phd em obesidade e cirurgia bariátrica, o médico Cid Pitombo vê com preocupação esse tipo de argumento e explica que muitas das doenças relacionadas à obesidade surgem com a idade mais avançada. O mais preocupante é que são muitas vezes irreversíveis.

Mais de 15 problemas de saúde podem surgir no futuro de um obeso, conforme a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) enquadrou desde 2013.

“A obesidade está muito relacionada a diversas doenças crônicas. O maior risco é para diabetes mellitus. No Brasil, a prevalência de diabetes em adultos com peso normal/baixo peso é de 5,4%, e na população com obesidade é mais que o dobro (14%), ou seja, a chance é 2,4 vezes maior para homens e 1,8 vezes maior para mulheres. Já a chance de ter o diagnóstico de hipertensão é 2,8 vezes maior entre os homens e 2,4 vezes maior entre as mulheres obesas. E, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 13 em cada 100 casos de câncer no nosso país são atribuídos ao sobrepeso e à obesidade, diz Pitombo”.

Segundo o médico, é muito comum os jovens dizerem: quero comer e ser feliz. Mas, também para ele, que já operou mais de 5 mil obesos, também era muito comum ver a tristeza e o desespero de quem adoecia. Muitos ficam depressivos quando se encontram cheios de limitações por motivos de saúde.

“Ser gordo não significa ter uma doença, mas há uma chance bem maior do que num indivíduo mais magro de a pessoa desenvolver alguma doença no futuro, e isso é o que deve ser evitado. A covid-19 atingiu em cheio os obesos, e auxiliar no emagrecimento da população é um caso de saúde pública. Cerca de 60% da população brasileira já está acima do peso, com 20% considerada obesa. No futuro, nossos sistemas de saúde não darão conta de tanta gente doente. As consideradas primeiras comorbidades na covid, que são as doenças cardiovasculares, estão diretamente ligadas ao acúmulo de gorduras nas artérias”.

Pitombo acrescenta que não se pode minimizar o problema, achando que as pessoas conseguem resolver sozinhas a obesidade. “O obeso só chega ao acúmulo excessivo de peso porque tem disfunções em seu organismo que o levam a sofrer vários processos juntos que culminam na maior retenção de calorias. O aumento de apetite e prazer com a alimentação ocorre, sim, em muitas pessoas, mas nem todo obeso come muito. Existem fatores biológicos, genéticos, ambientais, sociais e psicológicos atuando na base do problema. E essas precisam de ajuda para emagrecer e não de preconceito, colocando-o como culpado de sua situação. Ninguém é gordo porque quer”.

Sobre o movimento de aceitação, Pitombo acrescenta: “apoio plenamente a ideia de que os obesos precisam se amar, amar seus corpos, até mesmo para quererem se cuidar com o esforço necessário. Mas não podem desistir de emagrecer porque, na juventude, estão com a saúde bem controlada. Emagrecer é difícil, e as pessoas devem abandonar a ideia de que podem conviver com a obesidade, pois está ligada a muitas doenças”.

Confira as 15 principais doenças que acometem mais os obesos do que indivíduos com peso normal:

1 – Acidente vascular cerebral
Estar acima do peso pode aumentar muito o risco de um derrame cerebral, quando o sangue para de fluir para o cérebro.

2 – Depressão
A obesidade também pode ter um efeito profundo na saúde mental. Isso inclui um risco maior de depressão, baixa autoestima e problemas com a imagem corporal.

3 – Ataque cardíaco
A obesidade pode provocar colesterol alto, diabetes, pressão alta e todos esses problemas podem levar a problemas cardíacos, entre eles o infarto.

4 – Apneia do sono
A obesidade pode deixar as vias respiratórias obstruídas. O excesso de gordura corporal fica acumulado nos órgãos, como na parede da traqueia e nos músculos da língua, favorecendo a obstrução das vias aéreas. A apneia do sono é constatada em 70% dos obesos. Em obesos mórbidos, a prevalência pode chegar a 80%. A doença pode ocorrer em qualquer idade, mas está presente principalmente em homens obesos com idade de 40 e 60 anos.

5 – Doenças no fígado
A gordura visceral que se instala no fígado pode levar a problemas e até mesmo a uma falência do órgão.

6 – Refluxo gástrico
Há alto risco do refluxo gástrico, quando ácidos do estômago voltar para o esôfago, ocorrerem em pessoas com obesidade.

7 – Câncer
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 13 em cada 100 casos de câncer no nosso País são atribuídos ao sobrepeso e à obesidade. Os mais comuns que podem ser relacionados ao excesso de peso são de fígado, rins, colo-retal, pâncreas. Mas até o câncer de mama pode ter relação.

8 – Problemas de pele
Obesos costumam apresentar erupções ou dermatites, sobretudo em dobras ou vincos da pele.

9 – Problemas na vesícula
O excesso de peso pode provocar a formação de pedras na vesícula, que demandam uma cirurgia para retirar.

10 – Diabetes tipo 2
A obesidade pode tornar o seu corpo resistente à insulina e provocar o acúmulo de glicose (açúcar) no sangue, aumentando o risco de desenvolvimento de diabetes. A população obesa tem o dobro de incidência de diabetes do que os demais.

11 – Doença Renal Crônica
Uma das possíveis evoluções da hipertensão e da diabetes é a falência renal, quando os rins param de funcionar e a pessoa precisa fazer hemodiálise para sobreviver.

12 – Fraqueza óssea e muscular
A obesidade e a falta de exercícios podem levar a um enfraquecimento e à perda de massa óssea e muscular. Os rins afetados também podem prejudicar a absorção de cálcio. As fraturas podem ocorrer.

13 – Infertilidade
A obesidade pode prejudicar a capacidade de ovular e engravidar, assim como pode levar a mais problemas de gestação, como a pressão alta que pode provocar pré-eclâmpsia ou eclâmpsia.