Saúde

Por que temos a sensação de falta de fôlego quando usamos máscara?

Respirar usando uma máscara é um método simples e comprovado de reduzir seu risco de contrair Covid-19 confirmado pela Organização Mundial de Saúde. Mesmo que você pegue a doença, há um risco muito menor de ficar severamente doente caso use máscara. Isso porque ela capta as gotículas exaladas pela respiração que podem carregar o vírus SARS-CoV-2.

No entanto, caminhar, praticar atividade física ou mesmo ficar sentando diante do computador parece muito mais sofrido quando usamos máscara. A sensação é de falta de fôlego, mesmo que o importante acessório em tempos de covid-19 não reduzam nossos níveis de oxigênio durante a respiração – o que acontece é que seu uso pode alterar os padrões de respiração normal.

É por causa desta alteração que várias pessoas ainda resistem ao seu uso, causando transtornos em comércios e outros estabelecimentos, como vemos em vídeos absurdos compartilhados aos milhões na internet. Uma pesquisa nos EUA com 60 mil pessoas descobriu que “desconforto” é a razão principal por aqueles que não usam máscaras em público. É comum o relato de falta de ar, aumento dos batimentos cardíacos, suor e náusea por causa do uso da máscara.

Mas se os médicos insistem que usar máscaras não reduz os níveis de oxigênio, qual a origem dos efeitos colaterais do uso das máscaras e o que fazer sobre isso?

Respirar usando máscara pode afetar a sua respiração, mas não como você pensa

Conforme o médico pneumologista canadense Christopher Ewingm, a máscara hospitalar comum ou de algodão não afeta as taxas de oxigênio (O2) no sangue do usuário ou sequer prende qualquer quantia de dióxido de carbono significativa. O que acontece é que, apesar de a nossa respiração ser inconsciente na maior parte do tempo, ela pode ser severamente afetada pela mente, e a máscara pode provocar desconforto, ansiedade, além de mudar os padrões respiratórios.

Alterar o padrão da respiração inconsciente tende a levar a uma respiração anormal: podemos hiperventilar (respiração rápida ou curta) ou hipoventilar (muito lenta ou de maneira superficial), e quaisquer destes fatores pode levar a uma sensação de falta de ar ou tontura. Com isso, o sistema nervoso reage a sinais corporais, e se o desconforto leva a hiperventilação, a mente pode interpretar como uma ameaça e despertar a ansiedade. Assim, se alguém hiperventila, ou seja, começa a respirar muito profundamente e com muita frequência, provavelmente é porque usar uma máscara os deixa ansiosos ou nervosos.

Hiperventilar profundamente, por sua vez, reduz as taxas de dióxido de carbono (CO2) no sangue. Com isso, elimina-se o gás mais rápido do que o corpo pode produzi-lo, causando náusea, tontura e talvez desmaios.

Já a hipoventilação, com pouca troca gasosa, pode causar o contrário: como o pulmão não é esvaziado totalmente, uma quantidade de CO2 deixou de ser expelida e se acumula com respirações curtas repetidas, levando a uma possível intoxicação do CO2. Isso pode levar a um grande mal-estar, dor de cabeça e ansiedade.

Respirar consciente

É fácil acabar com essa sensação, de acordo com o pneumologista. Basta usar a simples técnicas de respiração, como a “respiração quadrada” e a “respiração abdominal (veja box), por exemplo. São métodos encontrados na Yoga e também usado por forças militares especiais dos EUA para conter a ansiedade em situações de perigo.

Respirar é natural para todos, mas com uma máscara no rosto pode ser necessário reaprender e praticar por um tempo até que fique confortável.

Como fazer a respiração quadrada

Este método nos ajuda a regular nossa respiração de uma forma mais consciente e também reduz o estresse e a ansiedade, ativando o sistema nervoso parassimpático

– Comece inspirando pelo nariz durante 4 segundos
– Segure a respiração por 4 segundos
– Exale pelo nariz durante 4 segundos
– Segure novamente durante 4 segundos
– Repita quantas vezes for necessário

Respiração abdominal

Esse método simples para resetar a respiração ajuda a eliminar padrões respiratórios desregulados, que utilizam apenas os músculos do peito e do pescoço para respirar, o que é ineficiente e desconfortável

– Preste atenção no uso do diafragma para inspirar e expirar observando o movimento da barriga.
– Você pode repousar a mão sobre a barriga na porção acima do umbigo e observá-la subir e descer junto com os movimentos do diafragma.
– Esse método promove a melhor troca gasosa de O2 para CO2, diminui a pressão sanguínea e os batimentos cardíacos.

*Fonte: Discover Magazine

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