Saúde

Prevenção ao câncer de pele

A pele — considerada o maior órgão do corpo humano — é composta por duas camadas: a epiderme, na parte externa, e a derme, parte interna. Ela tem como finalidade regular a temperatura do corpo, além de servir de proteção como, por exemplo, contra os agentes externos (luz do sol e calor).

Desde pequenos é comum que fiquemos expostos ao sol em algumas situações, porém o sol é cumulativo nas células. “É como se fosse um copo d’água, em que vai pondo uma gotinha, mais uma gotinha e chega a um determinado momento que esse copo transborda. A pele também é assim. Você vai pegando sol a vida toda e depois de uma determinada idade esse sol tomado começa a se expressar, aparecendo em formas de manchas senis, sardas e aí começa a complicar”, conta a médica dermatologista de Pato Branco, Luciane Zoletti.

Ela conta que o sol, com o passar do tempo, vai danificando o núcleo das células. “E esse dano vai passando por várias fases. Chega um momento em que esse dano está modificando tanto a célula, que acaba se tornando uma célula cancerígena, atípica. Com isso, podem aparecer ceratoses — que são lesões de transição pré-maligna, mas que ainda não são cânceres de pele, mas que se não forem tratadas podem chegar a ser”, afirmou a médica.

Luciane explica que isso é muito comum na região Sudoeste do Paraná. “Pois há muitos agricultores ou demais pessoas que se expuseram ao sol com mais intensidade na infância e têm manchinhas vermelhas — com casquinhas secas — no rosto, na mão. E isso tratamos para prevenir o câncer de pele”, disse a profissional.

Tipos de câncer de pele

A dermatologista afirma que se não for tratada, a ceratose pode acabar culminando o câncer de pele chamado Carcinoma Espinocelular, que é um dos três principais tipos. “Esse carcinoma tem uma gravidade relativa, ou seja, se você tratá-lo cedo, cura com uma cirurgia. Mas se ele avança alguns anos, pode dar metástase — quadro que acontece quando câncer se espalha pelo corpo, podendo se tornar algo mais grave”, explicou. Ela conta que o pior Carcinoma Espinocelular é quando ocorre no lábio, sendo que atinge mais fumantes e agricultores.

Outro tipo de câncer de pele, segundo Luciane, é o Basocelular. “Esse, de longe é o mais frequente de todos. Tanto que no site da Sociedade Brasileira de Dermatologia prevê aproximadamente 130 mil casos de câncer de pele no Brasil neste ano, sendo que destes em torno de 90% seja Basocelular”, afirmou a médica.

Ela explica que o Basocelular geralmente ocorre em pessoas de pele clara, “porque elas têm uma suscetibilidade. E ele não tem precursor, simplesmente aparece na pele como se fosse uma manchinha ou uma bolinha avermelhada, numa cor aperolada e que normalmente faz uma pequena ferida. Então o principal sintoma é estar com essa ferida que não sara. Faz uma casca e volta, faz outra casca e volta”, descreveu.

Assim, segundo a médica, o diferencial do Basocelular para o Carcinoma Espinocelular é que o primeiro é uma bolinha que chega a brilhar e pode chegar a fazer uma pequena ferida, enquanto o segundo é uma lesão mais seca, que parece uma crosta. “É muito raro ter uma consequência pior no Basocelular, só em situações de muita displicência do paciente, estando anos com aquilo”, observou.

Já o terceiro e o mais temido dos cânceres de pele, de acordo com Luciane, é o Melanoma. “Esse realmente é o que queremos chamar a atenção das pessoas, porque esse tipo mata. A sua incidência maior é em adultos jovens”, afirmou.

Ela conta que antigamente acreditava-se que o Melanoma aparecia em cima de pintas existentes. “Hoje em dia sabemos que não é necessariamente assim. Ele aparece do nada também, a pessoa poderia não ter alguma pinta e ele aparece assim de primeira. A sua aparência imita às vezes o início de uma pinta comum; uma lesão pigmentada, acastanhada, mas que sempre puxa mais para enegrecido”.

Conforme Luciane, nas consultas são observadas algumas características “que podem gerar suspeitas de Melanoma ou eu possa pensar: ali naquela pinta poderia virar um problema, então é melhor tirar antes”, disse. Essas características são chamadas de ABCDE do Melanoma, que são as seguintes:

A – Assimetria: “se eu partir uma pinta ao meio, o ideal é que os dois lados sejam muito parecidos, ou seja, bastante simétricos — esses são considerados inofensivos. Caso sejam assimétricos, pode ser um sinal de Melanoma”, afirmou a médica.

B – Bordas: normalmente os Melanomas apresentam bordas irregulares. Os sinais comuns, pelo contrário, têm bordas lisas e regulares.

C – Cor: “ela pode ser desde mais clarinha, até mais escurinha. Mas em geral ela tem uma cor padrão. Já o Melanoma tem vários tons de pigmentos na mesma pinta”, descreveu a dermatologista.

D – Diâmetro: o Melanoma tem, muitas vezes, diâmetro superior a 6 mm. Os sinais inofensivos, na maioria dos casos, não passam de 6 mm.

E – Evolução: nos casos em que o paciente tem uma pinta pequenininha e em dois meses ela evolui bastante. Isso também pode ser caso de Melanoma.

Segundo Luciane, quando o paciente tem um histórico familiar de Melanoma, pele e olhos claros, história de queimadura solar na infância, múltiplas sardas e muitas pintas, essa pessoa é uma predisposta a ter melanoma.

“Nesse caso é feito um exame chamado dermatoscopia. Um aparelhinho — como se fosse um microscópio portátil — que aumenta em dez vezes. Quando a pinta é atípica, ou seja, tem um risco maior de se transformar em um melanoma, pede-se para o paciente tirá-la preventivamente com cirurgia. É retirada completamente e encaminhada para análise”, descreveu.

Tratamento

De acordo com a dermatologista, quando o paciente está com câncer de pele Basocelular — que é aquele é bem curável e o de maior incidência — também na maior parte das vezes é realizado procedimento cirúrgico.

“Existem duas outras modalidades de tratamento: uma feita com uma pomada, para casos muito especiais, onde é contraindicada a cirurgia; e o outro é a cauterização — tanto a frio, quanto a quente. Entretanto, ambas não têm o respaldo que foi tirado tudo. Por isso, o tratamento cirúrgico é o mais indicado, porque você tira e encaminha para ser analisado. E o patologista manda um laudo dizendo que saiu tudo. Então você sabe que está curado”, aconselhou.

Segundo Luciane, o Melanoma, por sua vez — quando é retirado e confirmado — “conforme a profundidade que mostra no exame é determinado o tratamento em si. Que vai desde uma segunda cirurgia com o médico oncologista, para aumentar a borda de segurança; a retirada dos gânglios da axila e da virilha, para verificar se já está se espalhando; até a quimioterapia e radioterapia, tratamentos muito agressivos conforme a situação. Porque o Melanoma, lembrando, é um câncer muito agressivo, que se você não cuidar no começo, mata”, frisou.

Ela ainda acrescenta que para as pessoas que têm fatores de risco do Melanoma o indicado é que consultem anualmente e façam o autoexame em casa. “Só assim é possível perceber o item E do ABCDE. Porque às vezes examinamos a pessoa e não temos muito como reconhecer. E se ela se olha em casa, já pode ficar alerta, reconhecer as lesões com mais facilidade”, disse.

Fatores de risco

Segundo a médica dermatologista, os fatores de risco são os seguintes:

Melanoma: histórico familiar, pele clara, olho claro, sardas, múltiplas pintas e história de queimadura.

Basocelular e Carcinoma Espinocelular: geralmente dizem respeito à intensidade e tempo de exposição solar. “O paciente tem que ter uma predisposição genética e ter se exposto ao sol com muita intensidade no verão ou diariamente como quem trabalha na agricultura”, disse.

Prevenção

De acordo com Luciane, no caso do Melanoma, se o paciente tem os fatores de risco deve evitar a exposição solar, bem como realizar frequentemente o autoexame. “Se ele tem múltiplas pintas tem que se examinar mensalmente e passar por um exame anual com um dermatologista”, disse.

No caso dos demais — Basocelular e Carcinoma Espinocelular —, ela afirma que o ideal é que as novas gerações venham com uma mudança de conceito. “Você quase não vê um adolescente ou um adulto jovem que queira ficar totalmente bronzeado; é muito raro hoje em dia. Com isso, imagino que alguns tipos de câncer de pele possam até diminuir ao longo dos anos a incidência. Hoje temos um pico muito alto de câncer de pele por causa de uma geração que há 20 anos tomava banho de sol no telhado, colocando óleo de urucum e manteiga, que precisava se torrar ao sol a qualquer preço”, disse.

Por isso, ela recomenda os cuidados, que nunca são demais. “Não se expor com a intenção de se queimar penso que é uma atitude muito coerente. Mas ao tirar férias e andar na rua você é uma pessoa normal. Então zele sempre pelos horários, saiba que das 10h às 15h realmente é complicado e deve-se evitar. E usar protetor solar no dia a dia, pois além de evitar manchas, previne doenças”, afirmou.

Ela recomenda que para a prevenção de cânceres seja utilizado o fator de proteção solar 30. “Lembrando que esse protetor não basta ser aplicado somente no rosto, mas no braço, no colo, nas áreas que estão expostas no dia a dia ao sol. Não só para piscina e praia, mas no dia a dia também. Inclusive, mesmo que seja nublado, porque as nuvens filtram só 30% do raio solar”, observou.

Luciane ainda acrescenta que o filtro precisa ser aplicado de duas em duas horas — quando vai à piscina — e no dia a dia, que seja aplicado pela manhã e reaplicado ao meio dia. “Além disso, o uso do chapéu é muito importante. Não pode ser boné, porque ele protege somente a testa e temos muitos cânceres de pele de orelha e de pescoço. Então tem que ser um chapéu de uma aba de pelo menos dez centímetros, incorporando-o aos hábitos diários”, finalizou.

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