Saúde

Tecnologia que produz vidas

(Arquivo pessoal)- Martina Cordini é embriologista e responsável pela Clínica Progênese

Pato Branco conta com clínica de reprodução assistida. Saiba quando é hora de buscar ajuda para engravidar

É sabido que grande parte dos casais desejam ter filhos. Uma criança na casa traz alegria, renovação à vida e a continuidade da família. O momento escolhido pelo casal, ou mesmo pelo indivíduo, para ter um filho é rico em expectativas. No entanto, muitos não pensam que precisarão da ajuda de um especialista por não terem resultado por métodos naturais.

Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e sociedades científicas, entre 8% a 15% dos casais possui algum problema de infertilidade. Fatores como alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e cafeína, tabagismo, estar acima do peso e fazer atividades físicas são conhecidos por influenciar diretamente na fertilidade de homens e mulheres, mas não é só isso.

A embriologista Martina Cordini, responsável pela Clínica Progênese, de Pato Branco, explica que a partir de um ano de tentativas para engravidar sem uso de contracepção, o casal é considerado infértil. Até lá, no entanto, há uma espera cercada por ansiedade e frustração. A cada menstruação, o desapontamento e um sentimento de fracasso que vai minando a vitalidade do par.

Quando, após 12 meses de tentativas, o desapontamento começa a sombrear a esperança, Martina indica que é chegado a hora de pedir ajuda médica.

A especialista diz que vários fatores podem dificultar a gravidez tão desejada. E engana-se quem pensa que esse é um problema decorrente somente entre as mulheres.

“Entre as causas femininas estão principalmente idade da mulher, os problemas ovulatórios, uterinos, tubários, hábitos de vida, doenças e laqueadura tubária”, diz Martina.

Já entre os fatores masculinos, ela aponta a varicocele, azoospermia (ausência de espermatozoides), vasectomia e baixa quantidade de espermatozoides.

Contudo, sempre há uma solução. Ao menos essa é a premissa da Progênese. A reprodução assistida é um voto de renovação na esperança do casal. É claro que a espontaneidade do sexo será trocada, ao menos por um tempo, por exames, tratamentos e consultas, mas não sem o apoio e muita conversa sobre como tudo vai proceder.

“O primeiro passo é realizar uma consulta com médico especialista em reprodução humana a fim de dar início a toda uma investigação do processo. Nessa busca, são realizados diversos exames que objetivam a identificação da causa do problema e também o tratamento específico adequado para as necessidades identificadas”, conversa Martina.

A partir do momento do diagnóstico do fator de infertilidade, o casal começa um processo de tratamento, podendo ser direcionado diretamente para as técnicas de reprodução, como a inseminação artificial ou até mesmo a fertilização in vitro.

Inseminação artificial ou fertilização in vitro?

A inseminação artificial, ou inseminação intrauterina, explica Martina, é um procedimento menos complexo, que consiste na introdução do sêmen pré-capacitado no laboratório para dentro do útero da mulher.

Para isso, o sêmen é colhido e passa por um processo de melhora feito na clínica, que aumenta sua qualidade fértil e, consequentemente, as chances da formação de um embrião. Além de conhecimento sobre o assunto, é preciso contar com muita tecnologia.

Bem mais complexa, a fertilização in vitro (FIV) é um procedimento no qual a mulher tem sua fertilidade induzida por hormônios para obtenção de vários óvulos, que posteriormente são colhidos. O sêmen também é coletado e passa por triagem para a separação dos melhores espermatozoides.

“Todo o processo é realizado dentro do laboratório. Com ajuda de tecnologia, o espermatozoide é injetado no óvulo para a obtenção dos futuros embriões. Essa técnica também é conhecida como ‘bebê de proveta’. Depois de quatro ou cinco dias, os embriões estão prontos para serem implantados na mulher”, fala Martina.

Não existe uma idade mínima para esses tratamentos. “O que oferecemos é consistência na identificação do problema e uma solução eficaz”, fala.

A Clínica Progênese disponibiliza, além das técnicas de reprodução, Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (PGD) — que consiste na análise genética dos embriões — e preservação da fertilidade, incluindo o congelamento de óvulos e espermatozoides.

Óvulos e espermatozoides são tratados separadamente antes de serem fecundado
Processo de fertilização in vitro envolve conhecimento técnico e equipamentos de alta tecnologia
Embrião em desenvolvimento

Causas da infertilidade

Em 60% dos casos, o problema está na mulher, sendo:

  • 10% esterilidade sem causa aparente: Estima-se que cerca de um terço dos casais com uma infertilidade não explicada engravidará naturalmente em 3 anos, sem nenhuma intervenção
  • 15% fatores ovarianos: de 10% a 15% das mulheres possuem ovário policístico
  • 35% fatores peritoniais: alterações na anatomia podem impedir o espermatozoide de chegar ao óvulo. Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), como clamídia e gonorreia, quando mal curadas, podem alterar a anatomia. Além disso, estima-se que 20% das mulheres tenham endometriose
  • As mulheres estão esperando mais tempo para tentar engravidar. Com 35 anos, a porcentagem de infertilidade é de 11%, enquanto aos 40 anos é de 33%.

Em 35% dos casos, o problema está no homem, sendo:

  • 40% dos casos de infertilidade masculina são causados por varicocele
  • 35% dos homens em idade reprodutiva que fazem uso de cigarro estão sujeitos a uma redução na qualidade do sêmen
  • Clamídia e gonorreia comprometem o sistema reprodutor, alterando a produção dos espermatozoides e dificultando a fecundação
  • Esteroides anabolizantes podem levar à fibrose do testículo, com chance de dano permanente à produção de espermatozoides
  • Disfunção erétil

Em 5% dos casos, o problema está no casal, sendo:

  • Genética
  • Problemas combinados

*Fonte: Fertil Steril

Janela da Fertilidade

Mulheres que conseguem monitorar seus ciclos têm 50% de chance a mais de prever quando estão ovulando. Por isso, se você planeja engravidar precisa entender melhor a sua janela da fertilidade. Trata-se do intervalo de seis dias entre o início e o fim do período em que ocorre a ovulação e é durante essa fase do ciclo menstrual que estão as maiores chances de você conceber.

Entretanto, essa janela não é uma conta matemática. Esse período de maior fertilidade pode variar de um mês para o outro, de mulher para mulher. Por isso, é preciso conhecer o próprio corpo e contar com algumas ferramentas que podem ajudar nesses cálculos.

As características do muco cervical, substância produzida pelas glândulas do colo uterino a partir da secreção de hormônios, variam de acordo com a fase do ciclo menstrual. A probabilidade de engravidar é maior quando o muco está claro,transparente, elástico e maior que 2,5 cm quando esticado com os dedos. Ao manipulá-lo, ele vai esticar e pode atingir até 10 cm, sendo que sua aparência lembra a clara do ovo. Em geral, o período fértil se inicia no primeiro dia em que o muco cervical se torna mais claro e elástico, com intensa lubrificação, prolongando-se por pelo menos três dias.

Evidências cientifícias indicam que as mudanças do muco cervical ao logo do ciclo fértil conseguem predizer o dia específico para a concepção tão bem quanto a temperatura basal ou o monitoramento do hormônio LH (hormônio luteinizante).

A concepção depende da frequência sexual dentro da janela de fertilidade. Um casal saudável, sem nenhum tipo de intervenção médica, pode demorar até um ano para conceber ou 12 ciclos menstruais. Depois desse período, é preciso investigar se há algo que impeça a gravidez em ambos.

*Fonte: Dr. Edvaldo Cavalcante, ginecologista e obstetra

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