Paraná

Faleceu o ex-comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, Antônio Michaliszyn

Faleceu na madrugado do sábado (15), aos 96 anos, o ex-comandante geral da Polícia Militar, coronel Antônio Michaliszyn.

Nascido em Mallet em 1928, ingressou a corporação em 1942, como soldado, passando por várias unidades do interior do Estado. Depois de ter se graduado como cabo e sargento, em 1948, passou a aspirante a oficial.

Em fevereiro de 1966 foi nomeado Comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, permanecendo no cargo até setembro de 1970. Destaca-se durante sua gestão à frente da PM paranaense, a instalação de nove batalhões, — dentre eles o 3º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Pato Branco —, a criação da Academia Militar do Guatupê o Hospital da PM.

Em nota a OAB do Paraná, lamentou o falecimento de Michaliszyn, que se formou em direito em 1983, na Faculdade de Direito São Carlos. “À família e aos amigos, a OAB Paraná manifesta sentidos pêsames.”

Homenagens

Entre as inúmeras homenagens recebidas em vida por Michaliszyn, em outubro de 2015, recebeu a medalha Sentinelas do Sudoeste, maior honraria concedida pelo 3º BPM.

Durante o funeral de Michaliszyn, o também ex-comandante-geral da PM, Sérgio Manoel Masteck Ramos, que esteve à frente do comando geral de 1986 a 1987, destacou o trabalho Michaliszyn e sugeriu, que seu nome seja imortalizado na academia que criou, o Guatupê.

Recorde

Na época que Michaliszyn recebeu a homenagem do 3º BPM o Diário do Sudoeste publicou.

“Natural de Marechal Mallet, hoje Mallet, Michaliszyn é descendente de eslavos nascidos na Ucrânia, que na época pertencia a Áustria. Ele ingressou como soldado na Polícia Militar do Paraná em 22 de maio de 1942, aos as graduações da corporação até ser promovido a coronel em 14 de abril de 1963. Já em 1966, foi nomeado comandante geral da Polícia Militar do Paraná pelo decreto nº 13, sendo responsável pela criação e instalação de nove batalhões no interior do Estado, entre eles, o 3º BPM de

Pato Branco, que foi instituído pelo decreto estadual nº 3.277 de 18 de julho de 1958 e instalado definitivamente em 8 de julho de 1966.

O coronel Antônio Michaliszyn também foi o responsável pela criação da

Academia Policial Militar do Guatupê, Regimento de Cavalaria Coronel Dulcídio, do Colégio da Polícia Militar, que completou 50 anos, além

da aquisição de viaturas, gloriosa Polícia Militar do Paraná.

Em 1983, o coronel Michaliszyn formou-se bacharel em Direito pela Faculdade de São Carlos (SP) e exerceu a profissão após entrar para a

reserva remunerada da Polícia Militar. Hoje ele está com 90 anos e reside em Curitiba.

Michaliszyn é casado com Eulália Teixeira, carinhosamente conhecida por

Lalinha, que na época fez um trabalho abnegado às mulheres dos policiais militares, com a distribuição de materiais escolares para os filhos dos milicianos. O casal tem seis filhos: Luiz Antônio, Paulo Roberto, Regina Célia, Rita de Cássia, Mário Sérgio e Vicente Lucio.

Reconhecimento

O prefeito de Pato Branco, Augustinho Zucchi, disse lembrando quando participava fardado das solenidades da Polícia Militar, mas disse não saber explicar como não seguiu a carreira do seu pai. Ele se formou Engenheiro

Agrônomo e mestre em Agronomia pela Universidade Federal do Paraná, além de bacharel em Direito pela PUC/PR.

Vicente afirmou ser um momento de emoção, reconhecimento e gratidão. Ele agradeceu a presença de amigos pessoais do seu pai e ao tenente-coronel Puchetti pela homenagem.

Salvação

O coronel Antônio Michaliszyn lembrou que tinha saído do Colégio Marista quando seu irmão o apresentou na Polícia Militar e pediu para ser incorporado. Como era menor de idade, seu pai teve que pedir autorização no juizado de menores para que ele pudesse ingressar na corporação.

“A Polícia Militar foi minha salvação. Fiz cursos e passei por todas as graduações até chegar ao posto de coronel e assumir o comando-geral da Polícia Militar do Paraná”, afirmou.

O coronel Michaliszyn acrescentou que, como comandante-geral, deparou-se com uma situação difícil, pois não tinha crédito nem para a compra de alimentos.

Para resolver o problema, ele indicou o coronel Antônio Celso Mendes para a presidência da AVM (Associaçãoda Vila Militar).

Michaliszyn comentou que pediu ao então governador Paulo Pimentel à descentralização da Polícia Militar, quando foram criados no interior do Estado nove batalhões, entre eles, o 3º BPM.

Ele lembrou que veio de Foz do Iguaçu para Pato Branco de Jeep, porque na época as estradas eram de chão. “A descentralização foi a principal

coisa que ocorreu. Ela foi um tiro certo, pois rendeu frutos. Também me dediquei ao problema da educação dos militares na época, quando foi construída a Academia Policial Militar do Guatupê”, completou.

O coronel Michaliszyn disse que a Polícia Militar do Paraná evoluiu muito nos últimos anos, na segurança, na educação e na saúde, em todos os sentidos.

Ele agradeceu o tenente-coronel Puchetti pela homenagem.

O tenente-coronel Puchetti lembrou que também ingressou na Academia do Guatupê com 17 anos, como Michaliszyn. “Ele era visto como se fosse um super herói. Por onde eu passava verificava que as obras da Polícia

Militar tinham sido feitas por Michaliszyn. Não imaginava fazer essa homenagem a ele, que deveria ser engenheiro e não advogado”, brincou.

Puchetti acrescentou que Michaliszyn fez até empréstimo em seu nome para o trabalho da Polícia Militar ter continuidade. “Nós somos frutos daqueles que nos antecederam. A Polícia Militar tem uma gratidão imensa pelo coronel Michaliszyn. O 3º BPM existe porque em 1966 ele criou e a Polícia Militar do Paraná tem a melhor academia de formação do Brasil,

construída no comando dele. Ter um homem desses no nosso meio hoje e prestar uma homenagem, entregando uma medalha, é mais do que justo”, concluiu.”

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