Segurança

Golpes pelo Whatsapp se estendem; usuários devem ficar em alerta

Foto: Alisson Depizol

No dia 31 de julho, a professora aposentada Valéria* recebeu uma mensagem da operadora de celular dizendo que a titularidade de sua conta telefônica havia sido transferida para outra pessoa sem seu consentimento ou autorização. Essa foi a forma como ela descobriu que seu WhatsApp havia sido clonado.

Os golpistas, provavelmente um casal de São Paulo, já estavam com todos os seus dados e até mesmo segunda via de seus cartões de crédito e débito. Checando as faturas, ela percebeu que eles haviam gastado mais de R$ 30 mil em lojas de luxo do Shopping Iguatemi de São Paulo, como Louis Vuitton, Giorgio Armani e Nike, em um cartão em seu nome que ela nunca havia solicitado. Conversando pessoalmente com sua gerente, ela descobriu que havia sido solicitado um cartão para a cidade de Praia Grande (SP), sendo que mora em Pato Branco.

“Fui vítima de fraude tanto na minha linha telefônica quanto na minha conta bancária. A diferença é que o banco me ressarciu de todo o prejuízo na mesma hora, mas a operadora não fez nada para me atender como cliente e não me ajudou a resolver o problema em nenhum momento. Foi total descaso, falta de empatia e zero segurança”, disse.

No caso de Valéria, o acesso ao celular, em que guardava todos os seus dados, possibilitou que o caso chegasse ao extremo de a linha telefônica ser transferida de seu nome, mas vários golpes mais simples, como pedido de dinheiro para socorro imediato, como pagar uma conta ou arrumar um carro estragado na estrada, estão cada vez mais comuns.

Conforme Scheila de Souza, auditora em Telecomunicações pela TAG Gestão e formanda em Direito, com dedicação aos estudos na área das telecomunicações, o uso do aplicativo no Brasil está ascensão — estima-se que 120 milhões de brasileiros fazem uso da ferramenta —, e essa popularidade faz com que as ondas de ataques se tornem cada vez mais frequentes. Ela relembra que os golpes aplicados pelo WhatsApp vêm ocorrendo, pelos seus registros, desde o ano de 2018. “O nosso primeiro cliente afetado teve sua conta hackeada após a publicação de um anúncio na OLX. Durante os meses de junho e julho de 2020, o número aumentou consideravelmente os casos na região, e a forma que o golpe é aplicado também foi alterada”, explica.

Como identificar um golpe

Inicialmente os anúncios realizados em sites de compra e venda eram os maiores alvos, porém, neste momento, empresas e pessoas são usadas pelos criminosos que enviam links e/ou códigos por SMS, e posteriormente solicitam esse código pelas redes sociais ou por telefone.

Perceber se uma mensagem é verdadeira ou não é algo bem complicado na visão da especialista. “É importante o usuário partir do pressuposto que nenhum código deve ser repassado a terceiros, e que não se deve clicar em nada sem ter certeza da autenticidade da mensagem”, alerta. A partir desse princípio, é preciso ter atenção máxima quando se está no celular. “Infelizmente em meio à rotina, entramos no piloto automático, mas é importante estar atento. O smartphone traz consigo muitas informações pessoais, contatos, contas bancárias, anotações importantes”.

De um modo mais simplificado, Scheila diz que há dois requisitos básicos para saber se a mensagem é ou não verdadeira. A primeira delas é que o usuário deve ser o agente ativo no contato, não o passivo; depois, deve haver instantaneidade. Por exemplo, quando você entra em contato com a operadora para fazer um cadastro, está ao telefone, ou no site e, no mesmo instante recebe a mensagem; ou quando faz um cadastro em um site e pedem a confirmação por email, ou enviam código por SMS para confirmar, e no mesmo instante recebo o email e/ou código. “Se receber qualquer contato que lhe cause desconfiança, desligue o telefone ou pause a conversa e estabeleça contato com os números oficiais da empresa ou pessoa que fez o contato contigo”, indica a especialista.

Ela também sugere que se ative a verificação em duas etapas do aplicativo. “Para isso, abra: Configurações (Android) / Ajustes (iOS) > Conta > Confirmação em duas etapas > ATIVAR.

Conforme o Whatsapp, ao ativar esse recurso, você poderá inserir seu endereço de e-mail. Caso você esqueça seu PIN de seis dígitos, o WhatsApp enviará um link a esse e-mail para desativar a confirmação em duas etapas. Isso também ajudará você a proteger sua conta.

Em caso de golpe

Se cair em golpe, envie um email diretamente para o Whatsapp ([email protected]) informando que o seu Whatsapp foi “roubado”. Inclua o número do seu telefone, em formato +55 0(XX)XXXXX-XXXX e solicite suporte. 

Também é indicado informar a maior quantidade de pessoas possíveis acerca do ocorrido; registre um boletim de ocorrência (BO) por estelionato. “Utilize o serviço via internet, é rápido e em tempos de pandemia é mais adequado”, lembra Scheila; e, por fim, solicite o bloqueio da sua linha junto à operadora por roubo. “Isso evitará que durante o período de uso do aplicativo o estelionatário tendo acessos aos seus dados, possa fazer bloqueio ou transferência da sua linha”. Também arquive todos os protocolos e comprovantes desses procedimentos.

Scheila indica muita atenção ao usar o smartphone, “o usuário deve ser o agente ativo no contato, não o passivo; depois, deve haver instantaneidade”

Ela diz perceber que a Justiça e os meios policiais têm feito grandes esforços no sentido de proteger os cidadãos, inclusive com novas leis que estão surgindo acerca do Direito digital e da proteção de dados. “No modelo atual, com o whatsapp hackeado, os criminosos cometem crime de estelionato. Infelizmente eles também têm se aperfeiçoado, por isso a atenção deve ser máxima, sempre”, finaliza.

*A vítima prefere manter seu anonimato, por isso seu nome foi trocado 

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