A escola de educação básica: antes, durante e depois da pandemia

Dirceu Antonio Ruaro

Na semana passada, no nosso espaço, refletimos sobre a questão do ensino formal entre duas fronteiras, o ensino presencial e o ensino remoto.

Consideramos a nova realidade da educação básica, que foi obrigada a parar e examinar como poderia continuar sua tarefa de ensinar, sem a presencialidade de professores e alunos.

Num momento inicial, podemos dizer que houve “certo pânico” para muitas famílias e escolas, especialmente na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. E, não apenas as escolas, como toda a sociedade foi surpreendida pela chagada da pandemia do chamado Covid-19, considerada já como a maior pandemia do século, por ter paralisado em escala mundial, as atividades cotidianas de todos nós, inclusive e, como um grande “desastre” atingiu em cheio a escola de educação básica.

É evidente que, a educação infantil e os anos iniciais não teriam as mesmas “experiências”  das outras etapas da educação básica com o uso da internet, apesar de muitas crianças “dominarem” até certo ponto, o uso da internet e de certas “ferramentas”, especialmente os alunos das escolas privadas, nas quais  os chamados “sistemas de ensino”, de alguma forma já vinham trabalhando com algumas atividades remotas, como enriquecimento curricular. 

No entanto, passar de “atividades esporádicas” para atividades rotineiras, via internet e ter as crianças atentas durante o período de aula, não foi e não é uma tarefa fácil. Sabemos muito bem que, mesmo no ensino presencial, a atenção, a concentração e o interesse das crianças não é fácil de ser mantido por longos períodos.

Se antes da pandemia, as escolas de educação básica, via de regra, tinham muito pouco uso de atividades remotas (tanto síncronas quanto assíncronas), durante a pandemia essa forma de ensinar passou a ser a única possibilidade de manter algum tipo de ensino e aprendizagem.

O que era comum, o espaço físico da sala de aula e o professor preparado para essa forma de ensino, de repente sofre a maior “paralisia” que se possa imaginar. Nem alunos e famílias e nem escola e professores tinham ideia de como seria ensinar e aprender sem o espaço físico da sala de aula.

É possível que, com todo o avanço tecnológico, a  escola tenha demorado demais para se aventurar nas ferramentas virtuais e de repente, cai no colo de todos a necessidade de utilizar espaços virtuais a fim de dar conta de ensinar, pelo menos o essencial às crianças. 

Durante esse tempo das escolas fechadas, muitas críticas ao sistema de ensino, aos professores, às escolas, aos pais, enfim, à educação básica que, demonstrou, salvo honrosas exceções, não saber o que fazer com suas crianças e professores.

Temos dito que, de certa forma, perdemos “o bonde” quando numa altura do ano letivo de 2020, poder-se-ia ter retornado na forma híbrida, hoje vista como a única solução para poder continuar ensinando, e ao mesmo tempo, respeitar os direitos das crianças e das famílias de poder ficar em casa, diante de uma pandemia que, avança e apresenta novas cepas que vem alarmando o mundo todo.

Durante o período mais difícil da pandemia, as escolas e os professores tiveram de buscar soluções e aprender a lidar com a educação de forma remota, mesmo sabendo que a educação infantil e os anos iniciais (especialmente os anos de alfabetização) corriam imensos riscos de conseguir ensinar e/ou aprender “quase nada”. 

O momento “durante a pandemia” foi caracterizado por improvisação,  falta de planejamento, falta de formação adequada dos professores, falta de materiais adequados e ferramentas de multimídia tanto das escolas quanto  dos docentes (evidentemente que, quando os professores tiveram de trabalhar  “de casa”, a falta de equipamentos próprios, foi um dos grandes desafios enfrentados, pois sabemos por muitos relatos, de professores que tiveram de adquirir equipamentos), para poder ensinar alguma coisa.

Nesse momento, que alguns tratam de “depois da pandemia”, ainda as coisas continuam obscuras. Ainda não se sabe muito bem que caminho ou caminhos trilhar. O certo é que a escola não será mais a mesma daqui em diante.

Se nos acostumamos com o espaço físico da sala de aula, com alunos sentados um atrás do outro (layout oficial das escolas brasileiras) agora, nesse pretenso “pós-pandemia” é preciso entender que a escola, por menor que seja, ou modalidade de ensino que oferte, precisa reaprender a ensinar e conviver com outras formas de espaços.

Como dissemos na semana passada, a escola precisa entender que há outro momento histórico em andamento: não há nesse ano letivo como contar com a presencialidade total dos alunos, por muitos motivos  e a escola precisa dar conta de ensinar utilizando-se da forma híbrida, que supõe tanto a presencialidade quanto o ensino remoto, com grupos alternados entre outras formas, pense nisso enquanto lhe desejo boa semana.

Doutor em Educação pela UNICAMP, psicopedagogo clínico-institucional e assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei

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