Entrevista especial com membros do Rotary Club Satélite de Pato Branco-Amizade–Eduard Huet, sobre o Dia Nacional dos Surdos

No Brasil o dia 26 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Surdo. Esta data se deve ao fato que a educação dos surdos teve início quando D. Pedro II convidou o surdo Edward Huet para desenvolver e ensinar no Brasil a língua de sinais. Com sua vinda ao Brasil em 26 de setembro de 1857, foi fundada a Imperial Instituto de Surdos Mudos, hoje tem o nome de Instituto Nacional de Educação de surdos – INES.
A língua de sinais – Libras foi criada, junto com a INES, a partir de uma mistura entre a Língua Francesa de Sinais e de gestos já utilizados pelos surdos brasileiros. Em 1993, iniciou uma nova etapa com um projeto de lei que buscou a regulamentação como língua oficial no país. Quase dez anos depois, em 2002 a Libras foi finalmente reconhecida como uma língua oficial do Brasil.
O Rotary tem compromisso com a diversidade, equidade e inclusão, e nos últimos anos está com maior empenhado. Neste sentido em 2017, o Rotary Club de Pato Branco-Amizade apadrinhou o primeiro Rotary Club constituído de associados surdos e intérpretes de libras do mundo, o Rotary Club Satélite de Pato Branco-Amizade-Eduard Huet.
Em conversa com os associados surdos, foram relatadas as suas principais dificuldades encontradas no dia a dia, como em realizar consultas, pois muitas vezes a comunicação é feita por meio da escrita, dificultando a comunicação e até o entendimento sobre os sintomas, outro exemplo relatado quando foram realizar compras no comércio da cidade, onde em alguns casos foi notado o receio em atender os surdos. Em reuniões ou entrevista de emprego é comum não haver intérprete, e a falta de sinal de internet para acessar um aplicativo de interpretação de libras. E com a pandemia devido a utilização das máscaras trouxeram uma dificuldade para alguns surdos que fazem leitura labial. Também há casos relatados de fazer o deslocamento para outra cidade da região para ter o atendido por órgão público devido à falta mínima de comunicação.
Alguns associados relatam a importância dessa data em suas vidas:
“Para nós, as pessoas precisam ter a admiração da inclusão, a comunicação precisa ser mais dinâmica”, relata Paula Garbin.
Já para Aline Brancalione, “as pessoas ouvintes não precisam ter medo e também não realizar brincadeiras maldosas. Nós (surdos) fazemos todas as outras atividades como qualquer outra pessoa, não há o porquê de ter discriminação”. Heron Rodrigues da Silva, ressalta que antigamente a comunicação era pior. Hoje, a tecnologia está aí para nos auxiliar também, a fim de diminuir o preconceito da sociedade.
Jefferson Ferri explana que “é necessário que mais pessoas saibam a linguagem de sinais. Para mim, o dia 26 é importante, pois temos orgulho em termos a linguagem de sinais (libras).”
Marcio Andrey Zardo, comenta: “Ninguém me parabenizou no dia do surdo, porém, eu vejo que falta informação e não sabem o dia em que comemoramos essa data”. Comentou também, que em nosso município, em muitas situações/eventos não há um intérprete de libras.
Para Marcos Garbin, “o dia do surdo é especial, os gestos que fazemos não são aleatórios, é nosso meio de comunicação para nos expressarmos, além disso não é necessário ter discriminação conosco.”
Para finalizar, Vagner Canton relata, “eu lembro quando era criança, do pré ao 1º ano não havia intérprete. Começou ter intérprete no 2º ano do Ensino Médio. Pensando nas crianças de hoje, quero que não seja igual a mim, que elas aprendam libras para melhor se comunicar”.

Comemoração do Dia do Surdo – Setembro de 2019
( Rotary Club Satélite de Pato Branco-Amizade-Eduard Huet)