Sudoeste Tecnológico

A cidade inteligente

Fotos: Acervo ASCOM-PB-UTFPR

Investimento na educação foi base para o apogeu tecnológico de Pato Branco

Nos últimos anos Pato Branco tem se tornado modelo de desenvolvimento científico e tecnológico para o país, servindo de exemplo para inúmeras cidades do Paraná e outros estados. Seguidamente o município recebe caravanas em busca de ideias e projetos que possam servir de modelo para outras cidades, tendo em vista que foi o único município do Estado a criar a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação.

De acordo com o atual secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Vinícius de Bortolli, e o ex-secretário da pasta, Géri Natalino Dutra, no livro “Inovação em Cidades”, capítulo “Trajetória de construção de uma Cidade Inteligente: Pato Branco”, o principal expoente de todas as ações voltadas à tecnologia desenvolvidas pela Secretaria, é a feira Inventum, que “tem a pretensão de ser, se já não é, a maior feira de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil. Entretanto, tais resultados não são frutos do acaso, muito menos de ações de curto prazo, em uma longa trajetória”.

Porém, há bem mais inovações na história de Pato Branco. O incentivo à educação foi o trampolim que permitiu o salto que vem conduzindo o município a esse apogeu tecnológico.

Primeiros passos

Mesmo que no passado o foco desse investimento em educação tenha sido outro, acabou iluminando os caminhos da tecnologia. Bortolli e Dutra contam no livro que na década de 1970, Pato Branco fez diversos investimentos nesta área na tentativa de manter o capital humano dentro de suas fronteiras, fazendo frente a crise migratória da época.

Pesquisas indicavam que os filhos das famílias pato-branquenses iam estudar em grandes centros e não retornavam mais, por conta das melhores condições de vida e emprego.

Assim, para evitar mais perdas, percebeu-se a necessidade de construir um sistema educacional local adequado. Foi quando o município começou a dar os primeiros passos rumo ao futuro, apostando na construção coletiva da educação.

A primeira instituição de ensino superior a ser instalada foi a faculdade municipal Facicon – Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, em 1979, que usou temporariamente as salas de aula de uma escola estadual.

Segundo Bortolli e Dutra, ainda em regime de investimento público mais mutirão institucional, construiu-se a sede da Fundação de Ensino Superior de Pato Branco (Funesp), e implantou-se mais três cursos, a partir de 1986: Letras, Matemática e, ambicioso para a época, o curso de Informática.

Em 1993, outro passo fundamental, a instalação da unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET/Pato Branco), com cursos técnicos de Eletrônica e de Edificação. Em 1994, incorporou a Funesp, passando a ofertar cursos gratuitos de ensino superior, como Administração, Ciências Contábeis, Agronomia, Matemática e Tecnologia em Processos de Dados.

Uma década depois, em 2005, o CEFET-PR foi transformado em Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ofertando vagas anuais e ampliando sua capacidade de oferta de ensino-pesquisa-extensão, além de novos cursos de graduação e pós-graduação, inclusive nas áreas de engenharias.

Além da UTFPR, Bortolli e Dutra citaram que grupos privados também alçaram voos para oportunizar novos cursos de graduação e pós-graduação, principalmente a Faculdade Mater Dei e a Faculdade de Pato Branco (Fadep), que há pouco tempo subiu de patamar e se tornou o centro universitário Unidep. Ambas vêm desempenhando papéis importantes, ampliando a oferta em diversas áreas do conhecimento, tendo como ponto forte o eixo da extensão.

Vale citar ainda o polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB), instalado através da parceria do Município com o Ministério da Educação (MEC), “com o objetivo de difundir e socializar o ensino, ensejando a qualificação do cidadão e sua permanência na sociedade em ensino semipresencial”.

Vocação tecnológica

Bortolli e Dutra apontaram no livro que com o curso de Tecnologia de Processamento de Dados, cuja primeira turma graduou-se em 1989, surgiram as primeiras empresas de tecnologia da informação, algo surpreendente e inovador para a região e para a época, como a Viasoft, em 1991, e a Xpert, em 1993.

“Um grande incentivo ao empreendedorismo foi dado com a criação de incubadoras empresariais, inicialmente voltadas para a área de tecnologia da informação. Assim, a partir de um edital de oferta da disciplina de Empreendedorismo em Informática, em 1996, e posterior edital de oferta de incubadora empresarial, em 1997, pela Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Softex, a comunidade local reuniu-se para mais um desafio. Condição fundamental para vencer o edital era a participação efetiva da comunidade local na implementação e organização da incubadora. Tal item foi conseguido graças a assinatura e comprometimento de nada mais que 14 entidades do município”, contaram.

Assim, em 1997 foi fundado o Softex Gênesis Empreender, em uma área de 60 m2, construída pela comunidade dentro do Câmpus da UTFPR. No livro, Bortolli e Dutra destacam que posteriormente os programas de incubação da UTFPR foram agrupados no PROEM – Programa de Inovação e Empreendedorismo da UTFPR, o qual apoiou entre 1998 e 2017, 78 empresas incubadas e pré-incubadas de base tecnológica.

“Ainda é importante destacar que dentre as empresas apoiadas pelo programa, oito foram graduadas pela incubadora e ainda permanecem ativas na região Sudoeste do Paraná”.

Eles frisaram que o último levantamento de dados econômicos de 2017 dessas empresas graduadas e que responderam a entrevista da IUT (incubadora de inovação da universidade tecnológica) até maio de 2018, mostra que foram gerados mais de R$ 45 milhões de faturamento bruto no período, gerando mais de 3,4 milhões de impostos, somando municipais, estaduais e federais, além de 189 empregos diretos.

“Os dados mantiveram o processo de empreendedorismo tecnológico em alta. Assim, novamente com o forte apoio das 14 entidades e dos governos local e estadual, foi lançado, ainda em 1997, o Projeto Pato Branco Tecnopole, implantado como uma estratégia de desenvolvimento da Prefeitura de Pato Branco durante a gestão 1997-2000”, revelaram.

Solenidade de Transformação do CEFET-PR em UTFPR – descerramento da placa inaugural – Prof. Eden Januário Netto e Paulo Osmar Dias Barbosa

Pato Branco Tecnopole

Segundo Bortolli e Dutra, o projeto coincidiu com o período em que as atividades de informática recebiam um grande foco de atenção, especialmente em razão da expressiva valorização das empresas “.com” nas bolsas de valores internacionais, o que se chamava na época de Nova Economia.

O Projeto Pato Branco Tecnopole baseava-se em três pilares, apontados livro: Conhecimento e tecnologia – desenvolvimento de atividades geradoras de bens e serviços de tecnologia de informação, com as instituições de ensino superior (IES) tendo papel primordial nesse processo; Desenvolvimento econômico – atração de investimentos em atividades de alta tecnologia, por meio de projetos do Polo Eletroeletrônico, empresa local de capital de risco, Parque e Incubadora Tecnológica, e Agência de Desenvolvimento Local; e Qualidade de vida – tida como princípio, buscava-se a transformação socioeconômica e cultural por meio de um conceito de avaliação, continuada a partir da criação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Pato Branco (IPPUPB), fundado em abril de 1997.

“Em termos práticos, aproveitando a estrutura previamente instalada da UTFPR e da unidade avançada do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC), o Projeto Pato Branco Tecnopole possibilitou ainda a instalação do Centro Tecnológico e Industrial do Sudoeste do Paraná (CETIS). Além disso, o projeto lançou o planejamento e implementação do conceito de tecnopole, onde um centro urbano que dispõe de grande potencial de ensino e pesquisa, torna-se favorável ao desenvolvimento das indústrias de ponta. Tal iniciativa guinou a cidade rumo à construção de uma cidade inteligente, com amplo apoio da sociedade local”, ressaltaram.

NTI

O Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) é membro fundador e atuante do Arranjo Produtivo Local (APL) de TI do sudoeste do Paraná, criado em 2003 como pessoa jurídica.

Segundo Bortolli e Dutra, este arranjo é resultado do esforço de lideranças empresariais e do envolvimento da Prefeitura, e conta com a participação de empresas, órgãos públicos, entidades e profissionais de TI, enfim, da comunidade local interessada em desenvolver a área de TI.

Vista aérea do CEFET-PR – UNED-Pato Branco, em 1993

Lei de incentivo

Em 2007, outra iniciativa importante foi aplicada, que é a criação da Lei do Polo Tecnológico ou Lei de Incentivo Tecnológico, a qual incentiva a instalação de indústrias de produtos eletroeletrônicos, telecomunicações e de informática por meio da cobrança diferenciada de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

De acordo com Bortolli e Dutra, tal lei permitiu ao município receber o investimento de diversas empresas do setor eletroeletrônico, como Visum (atual Hi-mix), Soft Eletrônicos, Serdia e ATEII, dentre outras, criando centenas de empregos.

Eventos do setor

No livro, Bortolli e Dutra citaram também que todo este ambiente inovador é reunido anualmente, desde 2003, em uma semana acadêmica conjunta entre os cursos de TI e Administração, evento este chamado atualmente de TecSul. São diversas atividades de interesse do setor, como palestras, workshops, iniciativas nerds e geeks, geralmente realizados em outubro e novembro de cada ano.

“Iniciado em 2003, o evento resumia-se a um ciclo de palestras com pouco mais de 300 pessoas envolvidas. Em 2018, o evento somou mais de 100 horas de programação em paralelo em mais de 10 dias de atividade, com um público de seis mil pessoas”, frisaram.

Já em 2020, a TecSUL contou com uma programação de mais de 200 horas e mais de 100 ações, entre minicursos, palestras, debates, competições tecnológicas, workshops e concursos culturais, e reuniu palestrantes e participantes do Brasil e de outros países. Um dos destaques do evento foi a palestra com o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, que falou sobre o “Panorama nacional do setor”.

Em números, a TecSul realizada neste ano atingiu: 215 horas de programação, 1.552 inscritos, 30 palestrantes, 150 Staff de Organização, 8.500 Views, 21 patrocinadores, 31 entidades envolvidas, 100 ações, e extremo êxito com a pesquisa de satisfação, que apontou que 100% dos entrevistados voltaria a apoiar o evento.

Momento da Leitura do Documento de Incorporação da FUNESP ao CEFET-PR, em 1994

Incubadora municipal

Bortolli e Dutra destacaram que em 2010, com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Pato Branco, também apoiado pelas mesmas 14 entidades locais, criou sua própria incubadora, a Incubadora Tecnológica de Pato Branco (ITECPB).

Com base nas informações contidas no livro, o espaço conta com 1.728m2 de área, em 36 espaços de 25m2 para empresas incubadas. “É um ambiente que visa oferecer suporte técnico e gerencial às empresas, durante todas as etapas de desenvolvimento de negócios. Atualmente, a ITECPB e PROEM da UTFPR Pato Branco incorporam mais de 40 empresas incubadas, especialmente na área da tecnologia da informação. As incubadoras podem ser utilizadas por acadêmicos de todas as instituições de ensino de Pato Branco e região. Algumas empresas oriundas das incubadoras já estão consolidadas no mercado, como a Sponte, CTS, Inobram, SAG, dentre outras. O número de pesquisas realizadas tem crescido significativamente, e muitas têm sido apresentadas como projetos de produtos e serviços junto às incubadoras”, explicaram.

Criação da Secretaria

No livro, Bortolli e Dutra explicam que essas ações permitiram diversificar a matriz produtiva e gerar empregos em setores intensivos de conhecimento, especialmente em TIC e eletroeletrônica, os quais respondem atualmente por quase três mil empregos diretos, segundo dados das entidades de classe.

“O surgimento de novas atividades empresariais alavancadas pela produção de conteúdo tecnológico deu condições para que muitos talentos

universitários pudessem permanecer no município e região. Mas até esse momento, havia uma distância muito grande da comunidade em geral do ambiente de ciência, tecnologia e inovação existente, restrito à academia e empresas de tecnologia de ponta. Com vistas a atender os anseios da comunidade, em 2013 foi criada pelo município de Pato Branco, a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (SMCTI)”, revelaram.

Assim, esta secretaria, única no estado do Paraná, tem a missão de “elaborar, programar e gerir a política municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação; promover e estimular a articulação institucional intersecretarias do município com o universo acadêmico, instituições de pesquisa, empresas, entidades públicas e privadas, e com a sociedade civil organizada; e, dentre as principais incumbências da SMCTI, está a administração do conceito moderno de Cidade Inteligente de Pato Branco, o qual substituiu o conceito de Tecnopole. Criada a SMCTI, estabeleceu-se junto à equipe de trabalho, um cronograma de atividades que pudessem trazer resultados dentro dos objetivos propostos quando de sua criação”.

Inventum

Dentre as ações executadas pela Secretaria, destaca-se a realização da feira Inventum. Iniciada em 2013 e construída de forma coletiva com toda a comunidade, teve um crescimento vertiginoso desde sua primeira edição e vem caminhando para ser consagrada a maior feira de ciência, tecnologia e inovação do Brasil.

Os objetivos da Feira Inventum incluem disseminar e divulgar as atividades do setor tecnológico e de pesquisa, com o objetivo de avaliar o processo tecnológico através da divulgação de novas tecnologias e equipamentos no setor, oportunizando a comercialização de produtos diversos e serviços e servindo como oportunidade de apresentação de novas pesquisas.

“A feira tem como objetivo também dinamizar a realização de contatos empresariais e aperfeiçoar os processos de vendas desde a prospecção de consumidores em potencial até a sua fidelização efetiva com o cliente. O sucesso da feira, que premia e apresenta à comunidade regional a produção científica, tecnológica e inovadora local a cada dois anos, já é tradição”, enfatizaram.

Câmpus universitários

A educação vem fomentando o solo pato-branquense, e também de toda a região, desde o início do processo, para que as sementes da ciência, da tecnologia e da inovação possam germinar.

Dentro desse contexto, o presidente do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) em Pato Branco, Alaxendro Rodrigo Dal Piva, revelou que juntos os câmpus universitários federais instalados no Sudoeste ofertam cinco cursos de graduação na área tecnológica, oito cursos de especialização e um mestrado, proporcionando o ensino de diversos alunos.

A maior parte dos cursos do setor TIC é observada nos municípios onde existem os núcleos de tecnologia, sendo Pato Branco o com mais quantidade de cursos na área.

“Atualmente, precisamos ter certeza do que estamos trabalhando e cada vez mais buscando uma política sustentável. Por exemplo, ganhamos o selo de Capital Digital, também temos a Secretaria de Inovação de Pato Branco. Como presidente do NTI, quero que esse tipo de atividade continue e engrandeça a nossa cidade, principalmente que gere ações específicas no setor, com geração de empregos e fortalecimento da economia local”, destacou.

Oferta de cursos na área

UTFPR Dois Vizinhos

Engenharia de Software – Graduação

Ciência de Dados – Especialização

UTFPR Francisco Beltrão

Informática – Graduação

Engenharia de Produção – Especialização

Inteligencia computacional – Especialização

UTFPR Pato Branco

Engenharia da Computação – Graduação

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas – Graduação

Banco de Dados – Especialização

Engenharia de Produção – Especialização

Indústria 4.0: A transformação digital das organizações – Especialização

Redes de Computadores: Configuração e Gerenciamento de Servidores e Equipamentos de Redes – Especialização

Tecnologia Java – Especialização

Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas – Mestrado

IFPR Palmas

Sistema de Informação – Graduação

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