Vanilla

“Onde você estava quando tudo aconteceu?”

Exatos 13 anos depois, visitamos o museu em Nova York que preserva a história do 11 de setembro de 2001, homenageia suas vítimas e guarda as cicatrizes de um dos maiores atentados terrorista da história

*Texto e fotos por Tony Aiex

Publicado originalmente na revista Vanilla, edição de outubro/novembro de 2014

11/09/2014

A pergunta do título desde texto normalmente é a que se faz quando o assunto dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 às torres do World Trade Center vem à tona em uma conversa entre amigos.

O evento, que marcou a história recente de todo o planeta e foi acompanhado pelo mundo, de boca aberta, pela televisão, aconteceu em uma manhã de sol na cidade de Nova York e derrubou, através de dois aviões sequestrados, as torres gêmeas que faziam parte do complexo empresarial americano que era tão grande a ponto de ter um número de CEP próprio.

Os eventos foram tão marcantes, que a resposta para a pergunta com a qual comecei o texto vem à cabeça instantaneamente. Seja em casa, no trabalho, no cabelereiro ou saindo da escola, como era meu caso, todos se lembram onde estavam quando a TV começou a repetir, à exaustão, as cenas impensáveis de aviões comerciais de grande porte se chocando contra prédios enormes e os colocando abaixo.

Memorial com o nome das cerca de 3 mil vítimas do ataque. Ao fundo, o novo prédio principal do World Trade Center

Pois agora, desde maio, é possível estar, literalmente, dentro de onde os ataques aconteceram, já que foi inaugurado o Museu do 11 de Setembro (National September 11 Memorial & Museum).

Antes de o museu estar pronto, os americanos construíram, como lhes é de costume, um memorial em homenagem às vítimas dos ataques. No exato local onde estavam cada uma das torres, foram construídas grandes “piscinas”, que contam com uma bela cascata interna e são rodeadas por uma estrutura de ferro onde os nomes de cada uma das quase 3.000 vítimas estão gravados.

Uma vez por ano, exatamente em 11 de Setembro, uma enorme coluna de luz é emitida para o céu de dentro de cada uma das piscinas, reproduzindo as torres, em uma belíssima homenagem que tivemos a oportunidade de ver ao vivo em 2014.

Além do memorial e da homenagem, também tivemos a chance de entrarmos no museu do 11 de Setembro, novidade até mesmo para os americanos, e que foi montado ao lado das piscinas, utilizando parte da estrutura do que eram os prédios do World Trade Center.

Museu foi montado utilizando parte da estrutura dos antigos prédios. A esquerda, uma das paredes que permaneceram intactas. No centro, a última peça de ferro retirada dos escombros, marcada com mensagens

Logo de cara, um dos tantos pedaços gigantes de ferro retorcidos está na entrada do museu, e a partir dali você começa a mergulhar na história dos ataques, tanto de Nova York quanto do Pentágono e da Pensilvânia, onde um avião que acredita-se ter como destino a Casa Branca ou o Capitólio, em Washington, chocou-se com o chão e matou todos a bordo. A explicação é que os passageiros foram avisados por celular, através de parentes, sobre os ataques, e resolveram agir, invadindo o cockpit onde já estavam os sequestradores (o filme United 93 conta essa história).

Vale ressaltar que os aviões iriam todos da costa leste americana para a costa oeste, sendo que os dois que atingiram as torres gêmeas partiam de Boston para Los Angeles, em uma viagem longa e que demandava bastante gasolina. Pouco tempo depois, suas rotas foram desviadas do oeste para o sul e as torres foram atingidas.

O mesmo aconteceu com os outros dois aviões, sendo que o que caiu na Pensilvânia decolou de Newark, em New Jersey, ao lado de Nova York, e a aeronave que atingiu o Pentágono, saiu de Washington mesmo, mas deu meia volta quando sobrevoava o estado de Ohio.

Isso tudo é mostrado em um painel também no começo do museu, que traz imagens com as rotas dos aviões e vários “totens” com projeções de frases de pessoas ao redor do mundo falando sobre o choque das imagens na televisão, ao mesmo tempo que elas são reproduzidas em um equipamento de som. Há, inclusive, versões em português do Brasil.

Interior do museu

Construído utilizando parte da estrutura antiga das torres e bastante amplo, o visitante logo sente que está entrando na história ao avistar, de cima, uma das enormes paredes que permaneceram intactas após os ataques e hoje abrigam o museu. A forma como tudo foi construído e montado transmite a grandiosidade não apenas da tragédia, como também do local, e a última peça de estrutura de ferro retirada em uma cerimônia pelos bombeiros e policiais após o longo processo de recuperação da área também está lá, marcada com mensagens dos trabalhadores em spray.

Carros de bombeiro, motos, portas de viaturas que foram arrancadas, itens pessoais e a história de cada uma das vítimas estão todas lembradas à medida que você anda pelo espaço e vai sentindo, em cada uma das pessoas que está ali com você, o respeito e a dor por um momento trágico.

Os famosos vídeos e áudios transmitidos à época aparecem em diferentes telas, assim como capas de jornais do mundo e vídeos de canais de televisão a respeito das notícias.

Ao fim do passeio, uma galeria mostra a reação do povo americano e estrangeiro após os ataques, prestando apoio e solidariedade a Nova York nas mais diversas formas e também a influência das torres gêmeas na cultura mundial, com pôsteres de filmes, desenhos, peças de teatro, estampas e muito mais.

Fica o sentimento de que a marca nunca será apagada, mas que como é corriqueiro em países de primeiro mundo, a volta por cima tem que ser dada o mais cedo possível após catástrofes, o que parece ter sido feito.

Camisetas com os dizeres “I <3 NY More Than Ever” ou “Eu Amo Nova York mais do que nunca” ilustram bem o pensamento que vem crescendo há 13 anos.

Interior do museu

A entrada ao museu custa cerca de US$ 40 por pessoa, e deve ser comprada pela internet com antecedência, pois tem horário delimitado e o número de interessados é bastante grande.

Se você estiver em Nova York, não deixe de visitá-lo, pois além da coleção de itens dos mais variados, é uma oportunidade única de mergulhar em um episódio da história que vivemos ao invés de termos lido em um livro de História.

*Tony Aiex é natural de Cascavel, mora em Francisco Beltrão e é fundador e editor chefe do site de notícias de música Tenho Mais Discos Que Amigos!

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima